
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Minha Vida é a Rua onde eu ando
poematização de uma frase de Bob Dylan
Se me perguntam por que estou aqui
Eu simplesmente respondo
Porque aqui é o único lugar no momento que disponho
Amanhã pode ser diferente
como pode ser também que não seja amanhã
Minha vida é a rua onde eu ando
o cruzamento de pessoas estranhas
os tropeços sobre as latas de lixo
a ansiedade de encontrar alguma coisa de valor
e a necessidade de valorizar o que ainda não temNão amigo, definitivamente, não
nesses tempos difíceis de múltiplas crises
não convém desprezar nada
Ninguém sabe do amanhã
que só existe para quem sabe superar hoje
Minha vida é a rua onde eu ando
e o meu amor por ela resistirá até quando
eu sentir prazer em caminhar
Hoje mesmo encontrei alguém que estava garimpando uma lata de lixo
Ele comentou comigo que o lixo era rico
quase sem nenhuma impureza
e para minha surpresa
me convidou para provar o banquete
eu estava sem fome
todavia com necessidade de conversar
de encontrar um amigo
Não lhe perguntei por que estava aqui
Certamente é mais um como eu
que caminha cumpre o seu papel
explora o seu destino
Minha vida é a rua onde eu ando.
Se me perguntam por que estou aqui
Eu simplesmente respondo
Porque aqui é o único lugar no momento que disponho
Amanhã pode ser diferente
como pode ser também que não seja amanhã
Minha vida é a rua onde eu ando
o cruzamento de pessoas estranhas
os tropeços sobre as latas de lixo
a ansiedade de encontrar alguma coisa de valor
e a necessidade de valorizar o que ainda não temNão amigo, definitivamente, não
nesses tempos difíceis de múltiplas crises
não convém desprezar nada
Ninguém sabe do amanhã
que só existe para quem sabe superar hoje
Minha vida é a rua onde eu ando
e o meu amor por ela resistirá até quando
eu sentir prazer em caminhar
Hoje mesmo encontrei alguém que estava garimpando uma lata de lixo
Ele comentou comigo que o lixo era rico
quase sem nenhuma impureza
e para minha surpresa
me convidou para provar o banquete
eu estava sem fome
todavia com necessidade de conversar
de encontrar um amigo
Não lhe perguntei por que estava aqui
Certamente é mais um como eu
que caminha cumpre o seu papel
explora o seu destino
Minha vida é a rua onde eu ando.
domingo, 6 de janeiro de 2008
O Vaso e a Flor
Há um caso
entre um vaso
e uma flor
Um estranho caso de amor
No seu corpo de argila
recheado de terra
o vaso envolve a flor
como se fôsse apenas sua
Mudo tolo nem consegue ver
a abelha que constantemente
suga a amada flor
absorvendo seu saboroso néctar
Mas a flor não tem culpa do seu encanto
e plantada se desculpa
no núcleo dessa minúscula ilha
O vaso segura enraiza
mas não sabe que nem tudo se escraviza
O beija-flor ama a liberdade
estático no ar
desafia a fidelidade
das flores com ou sem vasos
dos casos sem fim.
Há um caso
entre eu e o jardim
Estranho caso
de amor sem fim
Os meus olhos
procuram brancas margaridas
mas a vida é repleta de caprichos
então
procuro a rosa
e encontro a dor em seus espinhos
Sonho acácias
alvos cachos
luz da ternura
e desperto
em tensos crisântemos
Entre tantas flores que temos
e podemos ter
na verdade procuro uma
que exale o seu exato perfume
O aroma da saudade envolve o meu ser
Na áspera cidade procuro colher
qual um paciente jardineiro
essa flor do campo que é você.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Sem Você
Eu sem você
sou qual uma estante sem livros
livros sem lombadas
sem orelhas
sem páginas
sem letras
sem conteúdo
sem você
sem você eu não sou nada
sou apenas página virada
uma frase interrompida
uma emoção contida
um desejo frustrado
um ponto perdido
num parágrafo desviado
Sem você
sem você eu não sou nada
sou apenas uma tentativa de romance
uma personagem abortada
uma novela sem trama
um conto sem surpresa
um poema sem sentido
um ensaio sobre o fracasso
nada mais
sem você.
.
sou qual uma estante sem livros
livros sem lombadas
sem orelhas
sem páginas
sem letras
sem conteúdo
sem você
sem você eu não sou nada
sou apenas página virada
uma frase interrompida
uma emoção contida
um desejo frustrado
um ponto perdido
num parágrafo desviado
Sem você
sem você eu não sou nada
sou apenas uma tentativa de romance
uma personagem abortada
uma novela sem trama
um conto sem surpresa
um poema sem sentido
um ensaio sobre o fracasso
nada mais
sem você.
.
São Luis
São Luis
que eu quis
fazer de ti minha morada
derradeira pousada
convergência de árduos caminhos
penosa jornada
sedutora cilada.
São Luis
e suas líricas ladeiras
e seus convidativos gradis rendilhados
-atrativos marcos presentes do passado-
que, muitas vezes,
neles eu quis debruçar-me
e deixar que o tempo
-senhor das horas, penhor dos momentos-
resolvesse os meus problemas
revolvesse os meus sentimentos e dilemas
e, devolvesse a serenidade
com a mesma perícia
que a vela investe, aberta,
contra os ventos
São Luis
sutil sentido de existência
que nos sublima acima
ladeira ladeira
abaixo
São Luis
que eu quis
fazer de ti minha morada
para ouvir
o som das chuvas
acariciando as vidraças
para ouvir
o galo nas madrugadas
e polir os azulejos
de uma existência pálida
e restituir
qual um lampejo em noite cálida
os contornos misteriosos
dos caminhos
-arabescos adormecidos
imantados
de pedras, pétalas e espinhos.
São Luis
sutil sentido de existência
que nos sublima
acima
ladeira ladeira
abaixo
São Luis
com suas ruínas e rastros
que tão bem Arlete Machado descreveu
em Litânea da Velha
com os olhos de sábia mendinga
que não pede nada além
do que respeito ao passado.
São Luis
de Gonçalves Dias
Bandeira Tribuzzi
Josué Montelo
e Ferreira Gullar
que eu quis explorar
e, procurar em ti
a minha identidade sem ser ludovicence
e que me acolheste
com plena solidariedade
como se fôsse seu próprio e até pródigo filho,
dando-me calor, tranquilidade
e todo seu intenso e fulgurante brilho
São Luis
é mais do que uma ilha
é uma trilha de sonhos
onde brilha
em suas praias, largos, terreiros , arraiais e casarões
o encanto de viver
que não se dissipa jamais.
dedicado a Ferreira Gullar
Morei dois anos em São Luis do Maranhão e senti a sensação de morar em um casarão repleto de lembranças.
que eu quis
fazer de ti minha morada
derradeira pousada
convergência de árduos caminhos
penosa jornada
sedutora cilada.
São Luis
e suas líricas ladeiras
e seus convidativos gradis rendilhados
-atrativos marcos presentes do passado-
que, muitas vezes,
neles eu quis debruçar-me
e deixar que o tempo
-senhor das horas, penhor dos momentos-
resolvesse os meus problemas
revolvesse os meus sentimentos e dilemas
e, devolvesse a serenidade
com a mesma perícia
que a vela investe, aberta,
contra os ventos
São Luis
sutil sentido de existência
que nos sublima acima
ladeira ladeira
abaixo
São Luis
que eu quis
fazer de ti minha morada
para ouvir
o som das chuvas
acariciando as vidraças
para ouvir
o galo nas madrugadas
e polir os azulejos
de uma existência pálida
e restituir
qual um lampejo em noite cálida
os contornos misteriosos
dos caminhos
-arabescos adormecidos
imantados
de pedras, pétalas e espinhos.
São Luis
sutil sentido de existência
que nos sublima
acima
ladeira ladeira
abaixo
São Luis
com suas ruínas e rastros
que tão bem Arlete Machado descreveu
em Litânea da Velha
com os olhos de sábia mendinga
que não pede nada além
do que respeito ao passado.
São Luis
de Gonçalves Dias
Bandeira Tribuzzi
Josué Montelo
e Ferreira Gullar
que eu quis explorar
e, procurar em ti
a minha identidade sem ser ludovicence
e que me acolheste
com plena solidariedade
como se fôsse seu próprio e até pródigo filho,
dando-me calor, tranquilidade
e todo seu intenso e fulgurante brilho
São Luis
é mais do que uma ilha
é uma trilha de sonhos
onde brilha
em suas praias, largos, terreiros , arraiais e casarões
o encanto de viver
que não se dissipa jamais.
dedicado a Ferreira Gullar
Morei dois anos em São Luis do Maranhão e senti a sensação de morar em um casarão repleto de lembranças.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Composição
para Zilia
Desejo
suor e carvão
sobre uma folha de papel
a fiel transposição
de toda a emoção
e a pressa de viver
em pacto
do impacto
de um sincero coração
Sombras
espaços vazios - lacunas
intervalos - colunas
planos em relevo
linhas ocultas
que se revezam
e se revelam
em carretéis de sonhos
em contraposição
manchas porosidade
rostos ásperos
semblantes de pedras
mosaicos talhados
pela força do desejo
pelas gotas de suor
despejadas pela resignação
e retidas pelo linho
na combustão do carvão.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Cartografia Intíma do Ser
Camadas de lembranças
Superpostas
Expostas ao arrependimento
A sete palmos da terra
por medos ou constrangimentos
por camadas espêssas de aço
dos nervos à flor da pele
ou cimento dos olhos espavoridos
ou qualquer outro componente
corrente dormente
Cartografia intíma do ser
Como traçar um mapa memorialista
num só plano concreto?
Como mapear todos os caminhos seguidos
todos os passos pedras percalços e abismos
sob o vento implacável do tempo
sobre o deserto e a aglomeração
de um ser complexo
Cartografia intíma do ser
relevos de memórias
montanhas solitárias
vales de lágrimas
represas de desejos
latitudes e longitudes de um ser
Geografia de uma vida
seus cursos e recursos
materiais e abstratos
naturais e artificiais
suas circunstâncias
seus rios lagos mares oceanos
suas pontes
fixas e suspensas
suas protuberâncias
suas fontes de inspiração
Cartografia intíma do ser
veias músculos correntes sanghíneaas
pulsando correndo vazando
cachoeira de sangue lágrimas fezes mangue
revelando a complexidade da vida
com suas sementes de amor e de ódio
com suas flores do bem e do mal
com suas pétalas e seus espinhos
Cansaço Fadiga
crepúsculo dos músculos
contorcidas muralhas
Fim dos movimentos
Esgotamento dos nervos
Abismo de ânimos
Aniquilamento
gradual lento
perversamente solitário
Sonhos arruínados
Fantasmas desesperados do próprio ser
buracos cavidades cavernas estalactites
marcas invisíveis sombras involuntárias
na utopia de ser transparente
translúcido e transcendente.
Superpostas
Expostas ao arrependimento
A sete palmos da terra
por medos ou constrangimentos
por camadas espêssas de aço
dos nervos à flor da pele
ou cimento dos olhos espavoridos
ou qualquer outro componente
corrente dormente
Cartografia intíma do ser
Como traçar um mapa memorialista
num só plano concreto?
Como mapear todos os caminhos seguidos
todos os passos pedras percalços e abismos
sob o vento implacável do tempo
sobre o deserto e a aglomeração
de um ser complexo
Cartografia intíma do ser
relevos de memórias
montanhas solitárias
vales de lágrimas
represas de desejos
latitudes e longitudes de um ser
Geografia de uma vida
seus cursos e recursos
materiais e abstratos
naturais e artificiais
suas circunstâncias
seus rios lagos mares oceanos
suas pontes
fixas e suspensas
suas protuberâncias
suas fontes de inspiração
Cartografia intíma do ser
veias músculos correntes sanghíneaas
pulsando correndo vazando
cachoeira de sangue lágrimas fezes mangue
revelando a complexidade da vida
com suas sementes de amor e de ódio
com suas flores do bem e do mal
com suas pétalas e seus espinhos
Cansaço Fadiga
crepúsculo dos músculos
contorcidas muralhas
Fim dos movimentos
Esgotamento dos nervos
Abismo de ânimos
Aniquilamento
gradual lento
perversamente solitário
Sonhos arruínados
Fantasmas desesperados do próprio ser
buracos cavidades cavernas estalactites
marcas invisíveis sombras involuntárias
na utopia de ser transparente
translúcido e transcendente.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
VAGA LUZ
Vaza vaga luz
me seduz
me conduz
me reduz
reduto de brilho
eu que já fui filho do Sol
Fogo no céu Arrebol
hoje sou da sombra
- madrasta sem lustre
embuste de trevas
- traves no meu caminho sem trevos
túneis sem fim
Vaza vaga luz
lâmpada de Aladim
dilate teu brilho
- divino quilate Querubim
e põe fim nesta escuridão
Negra vesga solidão
Brilhe brilhe Aflore em luz
Aurora
escarlate amplidão
Vaza vaga luz
sejas um clarão.
dedicado a eterna Hilda Hilst
eu recomendo no Orkut conhecer a comunidade Análise das Letras de Bob Dylan, aquelas letras extensas e intensas traduzidas e debatidas.
me seduz
me conduz
me reduz
reduto de brilho
eu que já fui filho do Sol
Fogo no céu Arrebol
hoje sou da sombra
- madrasta sem lustre
embuste de trevas
- traves no meu caminho sem trevos
túneis sem fim
Vaza vaga luz
lâmpada de Aladim
dilate teu brilho
- divino quilate Querubim
e põe fim nesta escuridão
Negra vesga solidão
Brilhe brilhe Aflore em luz
Aurora
escarlate amplidão
Vaza vaga luz
sejas um clarão.
dedicado a eterna Hilda Hilst
eu recomendo no Orkut conhecer a comunidade Análise das Letras de Bob Dylan, aquelas letras extensas e intensas traduzidas e debatidas.
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