sábado, 29 de janeiro de 2011

CUBA LIBRE SANGUE E PAIXÃO

AH esse olhar que eme enfeitiça
que desperta toda a cobiça de desejos
Buena Vista!
que jamais sente preguiça
e cada vez mais deseja sê-los
com mais requintes e desvelos
nos novelos de sonhos
que habitam noites
que apesar de todos os açoites de sombras
do negror são espelhos
e táteis diagnósticos
do nosso exato vigor
Ah! esse olhar que me fascina
que encolhe e torce a cortina
e revela em sua janela
paisagens e cenários
de uma velha e romântica Havana
Posso Vê-la dentro de um antigo Simca Chambord
com o seu imponebte e atraente rabo de peixe
ou passeando a pé lentamente
sobre as ruas tranquilas de Havana
Todo clima aromático esurpreendente
de tabaco rum e algum perfume francês sobrevivente
Passeando ao lado de casarões antigos
na simetria na magia
de um arco-íris repartido em residências e bares aconchegantes
com janelas carentes
e porto
ões sempre abertos
a românticos encontros

Havana suaviza o corpo e a mente
com a sua brisa que toca a pele
e afaga os cabelos
com a fumaça dos charutos
feitos manualmente
folha a folha enrolados
por dedos delicados e envolventes....

Havana
d e exóticos bares
e mágicos drinques
dos bancos toscos e testemunhaas
de madrugadas calientes
de orvalhos e lágrimas
de juras de amor
sóbrias ou ébrias
dos bancos das praças
que sempre merecem
banhos de renovadas tintas...

Havana
Cuba Libre
Jamais o sangue é derrubado em vão
quando ele transforma
a poça do desespero
no lagoda paixão

Havana
e os muros altos
os saltos para a liberdade
o doce vandalismo
o ódiogravado contra Batista
as fugas de Fulgêncio
a urgência de viver e amar
As declarações despojadas de amor a Fidel e Guevara
Esise tempo ninguém deseja que acabe
Acaba?
Em algum lugar ele resiste
no banco de couro rasgado de um velho Cadilacc
que virou taxi
na aba de um chapéu Panamá
nos olhos escondidos por um antigo e retorcido
óculos Ray-Ban....
no batom de vermelho-fogo acondicionado
no dourado estojo que algum turista
presenteou à garota que perpetuou
o sabor d um beijo
Nas saias compridas e comportadas
costuradas manualmente
para prender o encanto colegial
AH! ESSE OLHAR QUE ME QUESTIONA
QUE AO MESMO TEMPO
ME ENCONTRA E ME ABANDONA
ME LIVRA E ME APRISIONA
cOMO FUNCIONA TUDO ISSO?
uM OLHAR APENAS
E DESMORONA TODOS OS CAMINHOS
e satiriza
e desestabiliza todosos planos...

Ah! esse olhar que prioriza
como a Cuba Libre
no equilíbrio do rum e da cola
o pulode uma rodela de limão suícida
Ah! esse olhar
que desvia a bala da garrucha
e desafia a Lei da Balística
para salvar e eternizar Heminguay
Carlos Gutierrez



LINDA GRAAL: coxia

LINDA GRAAL: coxia: "beijando sem parar suas palavrasaté manchá-las de batomlavra palavra ele manda e eu só obedeçodesço desço"

LESMA

A LESMA MESMA DE SEMPRE
FLÁCIDA SERPENTE GOSMENTA
SEM OSSOS E ALVOROÇOS
COM O SANGUE QUE LEMBRA
GOMA ARÁBICA GRUDENTA
A VIDA EM CAMÊRA LENTA
QUEM AGUENTA? QUEM AGUENTA/
LESMA
DO CORPO GELATINOSO
QUE CAUSA ASCO E NOJO
EM SEU BOJO SUSTENTA UM CARACOL
QUANDO ENTRA
E QUANDO SAÍ EXPERIMENTA
OS ATRITOS DAS PEDRAS
OS CHUTES QUE A AFUGENTAM
O ENTRELAÇAR DAS PLANTAS
TRAIÇOEIRAS E ATRAENTES
LESMA
SEMPRE LERDA
QUE HERDA A PACIENCIA DA FORMIGA
E A RESIGNAÇÃO DA LOMBRIGA
QUE FAZ MIL PERIPÉCIAS
DIA A DIA QUANTO MAIS CRESCE
PARA SE ACOMODAR NA BARRIGA
LESMA
QUE VAGA PORTA Á PORTA
QUE SE CONTORCE E ROLA
SEM DESTINO SEM AÇÃO
COMO UMA MOSCA MORTA
O QUE IMPORTA?O QUE IMPORTA?
A PRESSA DE UMA BORBOLETA PAIXÃO
OU A PANDA PACIÊNCIA DE UM PONDERADFOR AMOR?


Carlos Gutierrez

sábado, 22 de janeiro de 2011

KAFKA

KAFKA
CORVO
ESTORVO
CORVO
EM CURVAS
SOB TURVAS NUVENS
PENAS
PENUGENS
PENÚRIAS
KAFKA
CAPTA
RAPINA RAPTA
OS MISTÉRIOS
AS LUZES E SOMBRAS
DA ALMA HUMANA
NA RIBALTA
E TODA A CONCENTRAÇÃO INSANA
DA MASSA MULTIDÃO
DAS TRAÇAS REPULSAS
E ATRAÇÕES


Carlos Gutierrez

sábado, 13 de novembro de 2010

Reencontro

REENCONTRO

Doce reencontro
Um brinquedo antigo
Um velho guarda roupa
de madeira maciça
Um espelho embaçado embutido
polido apenas poe lembranças amenas
de um tempo distante
preso e ileso
inocente
dentro de um porão
carente de luz
até o momento alçapão
em que a sua curiosidade adolescente
resolveu abrir as portas
e deixar o vento arejar o ambiente
e esvoaçar as crinas
de um cavalo de gêsso
que sonha cavalgar
e sentir o seu peso

Abra as janelas de folhas duplas
Contemple!
Ouça o ranger do desejo
do que ficou soterrado
há tanto tempo
como um desejo secreto
um olhar indiscreto
que desestabiliza
o gradil protetor
do olhar de pavor
espanto ou encantamento

Carlos Gutierrez

sábado, 16 de outubro de 2010

Estúpido Cupido

Estúpido Cupido
Miro os seus olhos
onde moram
os meus sonhos compridos
que odeiam despertar
Flertes e cochichos
sombras e rabichos
onde você está agora?
Vivo mais o seu tempo/fascínio
do que as minhas horas mornas
Sinto inveja do seu delineador
gravado nos cílios
dos seus olhos brilhantes
da sombra que empresta mistérios
em suas pálpebras marcantes
Poderia ser seus óculos escuros
om ray ban que escondesse um gato escuro
e lhe assustasse como um pulo
no afã de um encanto noturno
Poderia ser o topete petulante
de um playboy
que vive no mundo livre das paixões
e dispensa qualquer gel
que ouse conter o seu jeito rebelde de ser
Revisitaria 1961
om número mágico
que pode ser lido de trás p´ra frente
em os ambos os lados
e jamais seria triste....
Um ano em que Yuri Gagarin
o pioneiro do espaço
viu a Terra do alto
e estupefato chamou-a de azul
Um ano em que Robert Zimmerman
rasgou as suas roupas
jorrou os seus versos
de amores e protestos
e fez fluir a soa música
nada preguiçosa
junto com a sua fanhosa voz
e se fez Bob Dylan
com todas ciladas e armadilhas
Um fascínio extremo
não é mesmo baby?
Acotovelados
em desejos velados
doces beijos roubados
sem o amargor de remorsos
Estúpido Cupido
que desfere as suas flechas
com a naturalidade de índios
em corações inteiros ou já partidos
e nos torna cada vez mais divididos
e submetidos aos ditames e dinamites
por razões nobres ou infames
das paixões que nos consomem
e se consumam em febres ou bálsamos
em estufados ou esfomeados desejos.

Carlos Gutierrez

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quarto do Zozó

Entre e arrebente a porta do meu quarto sem dó
no meu quarto que compete com o do Zozó
pura bagunça pafúncia que rola mais que o barril do Chaves
Isso me lembra que eu não tenho chaves para não esquecê-las
Isso! Isso! Isso!
Os meus planos mais furados do que queijo suiço
Não tenho chaves
Não sou submisso
só tento dar sumiço na solidão
para deixar entrar todos os insetos e afetos
de pessoas próximas ou estranhas
de todos os fantasmas que se soltaram das frias paredes
Entre não repare
na bagunça nos objetos espalhados
cds deslizam sobre o tapete e folhas soltas envoltas de poeira
livros brigam dentro da estante
Saramago procura o seu imponente óculos
Fernando Pessoa procura o seu chapéu e o seu maço de cigarros
além dos seus heterônimos
Kafka procura o seu casaco e uma forma de esconder as suas orelhas
Hilda Hilst procura novos sinônimos e vozes do além
para compor novos poemas
Entre os livros um saco de plástico ordinário
esconde um lanche esquecido esverdeado
não reclame estante desse objeto indesejado
há muitas que não guardam um livro sequer
Entre sem bater ou faça o maior estardalhaço
adoro mágicos malabaristas e palhaços
a vida é mesmo um circo
e o meu quarto é uma extensão
roupas pelo chão meias amarradas ao pé da cama
tênis envoltos nas nuvens do talco que espanta o chulé
junto com um estúpido avião de plástico que tem medo de voar
veja a minha manta escocesa
que não me pinica e quanta mais velha fica mais aconchegante
e sabe esconder os meus sonhos docemente eróticos
Cadê a velha pick up
vamoa ouvir um velho vinil de Dylan
Que tal Empire Burlesque
Achei uma nota de cinquenta empoeirada na calçada apertada e movimentada
podemos degustar uma pizza daquelas
que a muzzarella estica mais que o elástico do estilingue anti-pássaros
regarmos sobre ela muito azeite
aceite esta taça de vinho! olhe a cor rubi
sinta o gosto de frutas silvestres
me olhe com ternura
assim o sonho dura e desmancha as nossas pedras
Entre não repare a bagunça
depois alguém arruma...
deixe assim mesmo
asim eu não me sinto tão só!
eu e o meu quarto mais bagunçado
do que o quarto do Zozó!


Carlos Gutierrez

Charleston

Salve