domingo, 13 de janeiro de 2008

CHAMA

De algum lugar eu te conheço
Não sei o teu nome mas um te ofereço:
Chama
Fulgurante inflama os meus olhos viajantes
Chama
quanta luz derrama
sobre o meu sómbrio caminho
quanta luz seduz
a minha própria sombra.

De algum lugar eu te conheço
de um castelo abandonado
de um navio fantasma
de um lago encantado
sei lá!
De algum lugar eu te conheço
Não sei o teu nome mas um te ofereço:
Chama
Fulgurante estrela que flutua no céu
Risca a lua
Vermelho véu.

Chama
quanta luz derrama
quanto brilho espalha
Réstia de sol que na noite esparrama
um clarão
Estrela no chão que me chama Chama
Não sei se este é o teu nome
mas a ele obedeço
me entrego de corpo e alma me ofereço às tuas labaredas.
Do teu calor eu preciso
corpo celeste incandescente
quanto da tua luz
chama derradeira

E chamo Chama
Clamo luz
Fogo eterno
Estrela guia
Farol da minha vida
me conduz
ao porto
que é o teu corpo
à porta
que é a tua alma
Reluz Chama Reluz
no céu da minha vida.

sábado, 12 de janeiro de 2008

ENCONTRO NO BAR


Cão Vadio

Procuro um canto
prá me abrigar
Chove a cântaros
não vou suportar

A rua está deserta e tão fria
Não há nenhuma alma bondosa
ou mesmo sequer frondosa árvore
prá me proteger

Longa e deserta rua
palco do meu sofrer
nenhum consolo insinua
como é difícil viver!

Viver de migalhas
perdido e humilhado
com a sensação de ser
sempre algo que atrapalha
Estorvo no caminho
dos automóveis alucinantes
com seus faróis implacáveis

Longa e deserta vida
resistente ferida
que não se dá por vencida
atravessando às cegas
as ruas tortuosas do tempo
espalhando gritos
aflitos e
solitários.

Fuga e Desespero


Perdidos na Noite

Perdidos na noite estamos...
perdidos no seu fascínio
Perdidos na noite somos
incorrigíveis corujas
estrelas sujas tentando brilhar
no palco das ruas
Perdidos na noite vamos
movidos pela sedução
de um novo caminho
possível amanhecer
Perdidos na noite
sonhando de olhos abertos
No escuro todos os passos são incertos
(há um certo encanto nisso)
e é porisso que mantemos firme
o compromisso com a noite
onde a lua é o único refletor
e o orvalho é a lágrima que o dia
-frustrado ator- derramou .

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Devoção


DESEJO

Eu desejo que cada palavra deste poema, baby
quando você ler deixasse de ser apenas palavra
jogada ao vento para se converter em carinho
que cada palavra tivesse o poder de penetrar na pele
como espinho que não fere
mas apenas deixa a marca do amor que eu sempre lhe dediquei
com devoção
Tá certo! muitos vão dizer com suas vozes maliciosas:
você a desejou porque ela era a mais bonita, talvez a mais cobiçada
porque se você andasse de mãos dadas entrelaçadas com as suaves mãos dela todos iriam morrer de inveja!
É verdade isso! eu não posso negar
havia a atração o desejo de conquistar e sentir pela primeira vez
o lado perverso do ciúme
e o temor da provável perca
mas por trás disso eu soube sempre
mesmo na minha ingenuidade e inexperiência
qual era o meu lugar nessa estória
porisso eu fiquei ausente
porisso eu sempre fui um cão vadio em sua frente
o que você não conseguiu evitar, baby
foi segurar a minha imaginação
você foi a minha princeza
a minha fada
a minha Patty Duke
a minha amada
a minha mulher ideal
que eu nunca tive no plano real
mas que nos meus sonhos
esteve sempre presente
grudada no meu travesseiro
como uma obsessão
que me trouxe mais paz do que ansiedade
Eu tive o privilégio de lhe conhecer baby
e isto não acontece todo dia
é uma verdadeira loteria um golpe de sorte eu me apaixonei desde o primeiro olhar
como explicar essa encantada insensatez
como sair desse envolvente carreTEL MAravilhoso de linhas que se convertem em versos.










quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Santiago

Há uma cidade estranha
onde habito
uma cidade linda
formosa
povoada por árvores frondosas
casas e edifícios imponentes
linhas arquitetônicas arrojadas
talhadas pelo tempo
uma linda cidade
salpicada de encantos
porém estranha...
todavia
intrusa e difusa me acompanha
concreta musa
de alma aparentemente deserta

Há uma cidade estranha
onde habito
e nela tento conservar
o hábito de silenciar-me
quando dentro de mim
se avulta o grito
a materializar
a angústia
o pavor infinito

Há um clima seco
na cidade estranha
onde habito
sinto na garganta
na pele nas mais profundas entranhas
a secura
que a fissura do tempo provoca

Há um apartamento estranho
onde habito
um lindo apartamento
localizado estrategicamente
em frente à cordilheira
um apartamento lindo
onde habito
repleto de comodidades
poderia até chamá-lo de lar
mas claro que não é
mas claro que é apenas
uma passageira morada
um efêmero repouso
para uma alma conturbada

Há uma nova situação
assimilação de novos hábitos
e perversas ausências
o choque do contraste
entre as aparências e transparências

É como se o tempo
aprisionasse no mesmo momento
o sofrimento de um feto
arrancado do útero abruptamente
e o encantamento de um ser
ao nascer lentamente

Há uma paisagem interior
dominando as janelas
seduzindo os meus olhos
sentinelas
vence-se o sono
mas jamais o sonho
que submitamente nos apodera
São outras árvores
outras flores
otras calles
otras personas
nuevas personagens

E há uma paisagem interior
desenhando-se
vagamente
dentro do meu peito
são linhas longas e ondulantes
atravessando
os becos sem saída
pulando os muros
desvendando os labirintos de Santiago
seu frio afago
congelando a minha memória
embaçando as minhas retinas
forjando o lago.


morei 6 meses em Santiago e senti o frio de verdade!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Caminhada


Morena Bossa Nova

Chico Buarque à nossa amiga em comum

Sua imagem
jamais se desgasta
nunca será arranhada
sempre alguém irá se apaixonar
pelas suas sensuais curvas
pela sua pele morena
pelo seu doce balanço gilbertiano
que a cada instante se renova

Seja na praia de Copacabana
ou no alto do Cristo Redentor
sempre será vinicius musa
de um sonhador

Morena Bossa Nova
um nacional clamor
sua imagem não se enferruja
mesmo que a praia esteja imprópria
esteja suja
eu sempre serei fiel coruja
o tempo passa
e eu vou lhe amar cada vez mais

Morena Bossa Nova
sua imagem se perpetua
nos calçadões avenidas e ruas
por onde você passar
sempre há de causar
congestionamentos de sentimentos
porque sabe como nenhuma outra
usar o charme do Tom Maior.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

VeLeJaR


PASTILHA DE HORTELÃ

Quem viver verá!
Eu disse ao meu amigo:
um dia...não sei quando ...eu vou me declarar
e ele dizia não faça isso
você vai se machucar muito
porque ela nem sabe que você existe.
Ele tinha razão ,baby - que aperto no coração concordar.
Eu era apenas um admirador
daquela garota linda em forma de flor
dona de dentes perfeitos e um sorriso sedutor
que todas as manhãs, na hora do recreio,
em meio a tanta gente e algazarra,
comprava , na cantina, pastilhas de hortelã,
enquanto eu, meio escondido, era apenas um garoto bobo, baby
que no afã de demonstrar o meu amor
sonhava pelo menos ser uma pastilha e provar os teus lábios, baby
Quem viver verá!
Eu disse, confidenciei a alguns amigos:
Um dia.. não sei quando...eu vou me declarar...
Passaram muitos anos...
muitos passos...caminhos...atalhos...labirintos...
e ficou o nó na garganta
na garganta seca desprovida de qualquer pastilha de hortelã
para refrescar como a brisa da manhã
até que eu lhe encontrasse, baby, da forma mais inusitada
numa tela de computador
numa página com poucas pistas
e difícil acesso,
mas dessa vez, não teve jeito, baby
você que eu conheci aparência e moldura,
mas que deve abrigar também denso e lindo conteúdo
agora sabe que eu fiz de tudo
para um dia me declarar.

Salve