sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CIRCUS

lona de encantos
ensaios e improvisos
a vida por um fio


sustos da plateia
domadores e feras
prantos de palhaços 


voo de malabares
espadas na garganta
pipocas ao chão


magia da cartola
derradeiro coelho
pombo-correio 
 
 
Fascinio do circo
sutis equilibristas
doces ilusões


Carlos Gutierrez

sábado, 12 de fevereiro de 2011

One More Cup of Coffee

Tradução livre de uma canção de Bob Dylan


Uma xícara de porcelana
sobre um pires compreenssivo
aguarda o jorro
do precioso líquido
- ouro negro e tão aromático -
Um café expresso
espêsso encorpado sintomático
ca paz de despertar todos os sentidos


Hoje eu quero pass ar a noite inteira sem dormir
em claro sob a luz tranquila do chapéu da sua lembrança
de vígilia voluntária
O meu corpo está bem descansado
Quero inverter e subverter
o tempo e natureza
pela fuga do cotidiano...


Eu quero ser o sonho dos meus sonhos
que encontre as chaves dos encantos
e afronte o que antes era labirinto
ou um irritante cubo mágico

Hoje eu quero ser o espantalho dos pesadelos
furar com os meus olhos de fogo
os travesseiros e liberar
os flocos de espuma abafados
Quero lhe abraçar com os meus dedos
de unhas riscantes
supunhas arames farpados
e cercar todos os seus lados...


e rasgar a seda dos meus desejos concentrados
e lhe oferecer uma xícara de café
sem derranar uma gota sequer cafeína
rubiácea sobre o refil da sua pele
que se prepara para receber
tudo que eu posso ser
no moer e remoer
do meu ainda viver... 


Me destila e sinta prazer
como as papilas da minha língua
sentem ao lhe ver

Hoje eu quero ver o seu lindo rosto refletido
no fundo de uma xícara de porcelana
na borra do café que forma a figura de um destino

Carlos Gutierrez

Labaredas

..E as labaredas dançam na lareira
na inquietude da fornalha da minha alma
Enquanto o vento lá fora, assopra:
Acalma alma, que é só um sonho...acalma!...)


Keila Lorrainy

HAICAIS

Um haicai não saí
quando a gente deseja
caí fluí goteja


recortes de seda
linha megera de cerol
sonhos frustrados 


pombo no beiral
pipa estrangulada
ave assustada


paredes mudas
amortecendo gritos
marcas de silencio 


cortinas leves
ambientes pesados
bocejo das horas

Ópera

Ele sacrificou um grande amor
para compor
casnções e caminhos
poderia passar momentos maravilhosos
no colo da linda garota
sentir os seus dedos
as suas unhas perfeitas
o esmalte vermelho sedutor
passando sobre o emaranhado
dos seus cabelos
e rebeldes pensamentos
mas evitou
talvez temesse a dor de uma desilusão
e vivenciou tudo isto
dentro de uma canção...


Ele sacrificou uma fácil melodia
de poucos acordes
e previsíveis harmonias
ele quis porque queria
prevalecer toda a tirania da letra
intensa com tanto fôlego
que provoca a mais potente garganta
a voz mais eloquente
como se fôsse uma ópera...


Ele sacrificou um grand e amor
para compor canções e caminhos
quis conhecer a si mesmo primeiro
antes de se entregar
de alma e corpo inteiro
a quem talvez não merecesse a sua sensibilidade
Ele procurou uma taberna
uma caverna de pedra
uma jarra inesgotável de vinho e químeras
quando a inspiração se apodera
tudo é possível
passível de invejas
até uma cigarra se agarra ao som
de uma ópera....


Ele sacrificou um grande amor
pensou que a juventude fôsse eterna
que sempre haveria tempo
de realizar os seus sonhos
que jamais foram dormir
de tédio e espera
na plateia
de uma ópera....
 

sábado, 29 de janeiro de 2011

CUBA LIBRE SANGUE E PAIXÃO

AH esse olhar que eme enfeitiça
que desperta toda a cobiça de desejos
Buena Vista!
que jamais sente preguiça
e cada vez mais deseja sê-los
com mais requintes e desvelos
nos novelos de sonhos
que habitam noites
que apesar de todos os açoites de sombras
do negror são espelhos
e táteis diagnósticos
do nosso exato vigor
Ah! esse olhar que me fascina
que encolhe e torce a cortina
e revela em sua janela
paisagens e cenários
de uma velha e romântica Havana
Posso Vê-la dentro de um antigo Simca Chambord
com o seu imponebte e atraente rabo de peixe
ou passeando a pé lentamente
sobre as ruas tranquilas de Havana
Todo clima aromático esurpreendente
de tabaco rum e algum perfume francês sobrevivente
Passeando ao lado de casarões antigos
na simetria na magia
de um arco-íris repartido em residências e bares aconchegantes
com janelas carentes
e porto
ões sempre abertos
a românticos encontros

Havana suaviza o corpo e a mente
com a sua brisa que toca a pele
e afaga os cabelos
com a fumaça dos charutos
feitos manualmente
folha a folha enrolados
por dedos delicados e envolventes....

Havana
d e exóticos bares
e mágicos drinques
dos bancos toscos e testemunhaas
de madrugadas calientes
de orvalhos e lágrimas
de juras de amor
sóbrias ou ébrias
dos bancos das praças
que sempre merecem
banhos de renovadas tintas...

Havana
Cuba Libre
Jamais o sangue é derrubado em vão
quando ele transforma
a poça do desespero
no lagoda paixão

Havana
e os muros altos
os saltos para a liberdade
o doce vandalismo
o ódiogravado contra Batista
as fugas de Fulgêncio
a urgência de viver e amar
As declarações despojadas de amor a Fidel e Guevara
Esise tempo ninguém deseja que acabe
Acaba?
Em algum lugar ele resiste
no banco de couro rasgado de um velho Cadilacc
que virou taxi
na aba de um chapéu Panamá
nos olhos escondidos por um antigo e retorcido
óculos Ray-Ban....
no batom de vermelho-fogo acondicionado
no dourado estojo que algum turista
presenteou à garota que perpetuou
o sabor d um beijo
Nas saias compridas e comportadas
costuradas manualmente
para prender o encanto colegial
AH! ESSE OLHAR QUE ME QUESTIONA
QUE AO MESMO TEMPO
ME ENCONTRA E ME ABANDONA
ME LIVRA E ME APRISIONA
cOMO FUNCIONA TUDO ISSO?
uM OLHAR APENAS
E DESMORONA TODOS OS CAMINHOS
e satiriza
e desestabiliza todosos planos...

Ah! esse olhar que prioriza
como a Cuba Libre
no equilíbrio do rum e da cola
o pulode uma rodela de limão suícida
Ah! esse olhar
que desvia a bala da garrucha
e desafia a Lei da Balística
para salvar e eternizar Heminguay
Carlos Gutierrez



LINDA GRAAL: coxia

LINDA GRAAL: coxia: "beijando sem parar suas palavrasaté manchá-las de batomlavra palavra ele manda e eu só obedeçodesço desço"

LESMA

A LESMA MESMA DE SEMPRE
FLÁCIDA SERPENTE GOSMENTA
SEM OSSOS E ALVOROÇOS
COM O SANGUE QUE LEMBRA
GOMA ARÁBICA GRUDENTA
A VIDA EM CAMÊRA LENTA
QUEM AGUENTA? QUEM AGUENTA/
LESMA
DO CORPO GELATINOSO
QUE CAUSA ASCO E NOJO
EM SEU BOJO SUSTENTA UM CARACOL
QUANDO ENTRA
E QUANDO SAÍ EXPERIMENTA
OS ATRITOS DAS PEDRAS
OS CHUTES QUE A AFUGENTAM
O ENTRELAÇAR DAS PLANTAS
TRAIÇOEIRAS E ATRAENTES
LESMA
SEMPRE LERDA
QUE HERDA A PACIENCIA DA FORMIGA
E A RESIGNAÇÃO DA LOMBRIGA
QUE FAZ MIL PERIPÉCIAS
DIA A DIA QUANTO MAIS CRESCE
PARA SE ACOMODAR NA BARRIGA
LESMA
QUE VAGA PORTA Á PORTA
QUE SE CONTORCE E ROLA
SEM DESTINO SEM AÇÃO
COMO UMA MOSCA MORTA
O QUE IMPORTA?O QUE IMPORTA?
A PRESSA DE UMA BORBOLETA PAIXÃO
OU A PANDA PACIÊNCIA DE UM PONDERADFOR AMOR?


Carlos Gutierrez

sábado, 22 de janeiro de 2011

KAFKA

KAFKA
CORVO
ESTORVO
CORVO
EM CURVAS
SOB TURVAS NUVENS
PENAS
PENUGENS
PENÚRIAS
KAFKA
CAPTA
RAPINA RAPTA
OS MISTÉRIOS
AS LUZES E SOMBRAS
DA ALMA HUMANA
NA RIBALTA
E TODA A CONCENTRAÇÃO INSANA
DA MASSA MULTIDÃO
DAS TRAÇAS REPULSAS
E ATRAÇÕES


Carlos Gutierrez

sábado, 13 de novembro de 2010

Reencontro

REENCONTRO

Doce reencontro
Um brinquedo antigo
Um velho guarda roupa
de madeira maciça
Um espelho embaçado embutido
polido apenas poe lembranças amenas
de um tempo distante
preso e ileso
inocente
dentro de um porão
carente de luz
até o momento alçapão
em que a sua curiosidade adolescente
resolveu abrir as portas
e deixar o vento arejar o ambiente
e esvoaçar as crinas
de um cavalo de gêsso
que sonha cavalgar
e sentir o seu peso

Abra as janelas de folhas duplas
Contemple!
Ouça o ranger do desejo
do que ficou soterrado
há tanto tempo
como um desejo secreto
um olhar indiscreto
que desestabiliza
o gradil protetor
do olhar de pavor
espanto ou encantamento

Carlos Gutierrez

Salve