segunda-feira, 12 de abril de 2010

Provoca

Você me provoca
quando sai da sua toca
e foca o seu rosto lindo
dentro da câmera do meu olhar
Você provoca todos os meus sentidos
quando você fala eu sou só ouvidos
quando você silencia eu grito ao mundo
que sou só seu
quando você me beija eu levito
quando você me deixa eu não evito
fazer do meu travesseiro
o seu corpo comprimido em minha lembrança
Você me provoca sempre me provoca
e cavoca todo o meu ser
até aparecer o que eu julgava não mais ter
o que eu nem cogitava ser
Você me provoca
evoca momentos de infância
arroubos da juventude
me provoca...invoca contra o tempo...
o tempo que passou...o tempo perdido...
o tempo que me resta...
o tempo que ainda presta ser vivido
o tempo que empresta os encantos
dos seus desígnios!


Carlos Gutierrez


Contos da Meia Noite - O Arquivo

Crença

Dádivas
Dívidas
Dúvidas
junte os dedos
tamborile os medos
não duvide dos estalos
e lampejos
doe os seus pulsos
aos impulsos 
sem freios
escorre sangue
expulso e espêsso
um jorro de sobrevida
contra todos os tropeços
avêssos às derrotas
travêssos como arabescos
que enfeitam as janelas
às portas sem voltas
sem chaves de revoltas
ou cadeados arrependidos
correntes de si mesmo
Creia em seus versos
mais que o  próprio poema


Carlos Gutierrez
t

Provocações - Arnaldo Antunes

Provocações - Kafka - Modesto Carone

DAMA DA NOITE

domingo, 11 de abril de 2010

Enquanto seu Lobo não vem

Não é coincidência
te querer agora

Repare...
o mundo lá fora é calmo
os alvos estão atingidos
a última paixão foi embora
carregando laços embutidos

O pomar cresce calmo
e promete frutos

Não é a toa esta carência
este desejo de te rever
em ângulos inusitados

Há muito para sonhar amanhã
mas hoje me furto da decência
de não pedir mini pecados

Mas preciso que entenda o negócio:
Eu apenas te amo em momentos de ócio


Barbara Leite

Baby Blue - Bob Dylan





Baby Blue
que tudo se torne azul em nossas vidas
Que o céu acolha nossas lágrimas e sorrisos
que as lágrimas se tornem gotas de chuva
para manter os solos sempre profícuos
e os sorrisos sejam estrelas brilhando
e refletindo o seu brilho aqui em baixo
enquanto contemplamos mais um dia vivido
Baby Blue
que a sua jaqueta azul
tenha sempre um bolso vago
para eu colocar um poema
e que o seu jeans
que cada vez fica mais lindo
atravesse o meu caminho
com o fascínio de uma inédita paisagem
Baby Blue
azule a chama dourada e vermelha
que me queima por dentro
segure o vento da minha impaciência
Derrame do bule
um generoso café na xícara de porcelana
e me acompanha...
nesse novo dia
que principia e que pretendo ver e sentir
mais azul ainda!


Tradução Livre


Carlos Gutierrez

sábado, 10 de abril de 2010

FORMIGAS

Como desprezo as trabalhadoras!
Tão compenetradas, furtivas,
Tal qual urtigas quando tocadas,
Separadas do seu açúcar...

Como gostaria de esmagá-las!
Poupá-las de suas vidas
frágeis e inúteis.
Débeis escravas fúteis.
Sempre desejando o doce.
Sempre procurando o açúcar.

Observo os padrões
De suas caminhadas.
Motivadas, obcecadas,
Não parando por nada.
Farejando, analisando,
Coletando o açúcar.

Pela manhã, à noite,
à tardinha, dedicadas,
obedecendo às ordens
da rainha, entregando-se
a vaidades infindáveis.

Lutando por migalhas,
Explodem em batalhas,
Cedendo a surtos
De ambição.
Esquecendo, ignorando
o coração.

Sempre cobiçando,
Sempre buscando o açúcar...


Zenilton Silva Júnior

Salve