sábado, 22 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
David Murray
http://www.npr.org/2011/10/02/140927696/first-listen-david-murray-cuban-ensemble-plays-nat-king-cole-en-espa-ol
sábado, 8 de outubro de 2011
Cildo
Cildo
instala
instaura
contemporaneidade
percebe lugares
atravessa paisagens
contrói catedrais
com hóstias ossos e moedas
Espalha o seu sangue poeta
em seu desvio vermelho
tinge de rubro
os móveis
os aparelhos domésticos
a linha branca
os bens duráveis e descartáveis
os aparelho que brincamos
e os que nos provocam medos
Tinge de vermelho
Infringe escarlate
pálidos conceitos
Tinge de vermelho
todos os ambientes
nem os espelhos escapam
e das torneiras emotivas
jorra o líquido vermelho
tão vermelho como um Campari
ou a capa de um toureiro
em seu particular e cruel safari
Cildo despeja sal
sem carne
despeja o cal
que calcifica a alma
Cildo instala redes
protege as suas novas amigas:
bolas de borracha mudas
mas saltitantes e elásticas
que se espalham aleatórias
sobre os mais diferentes pisos
ora no mármore de Carrara
destinado aos pés da rainha
ora no frio cimento da garagem
ou da calçada
que sepultou algumas moedas
e declarações quase sempre inúteis
ora no piso de madeira
ensebado de cera
que um dia já foi uma pista de boliche
e hoje se entrega ao fetiche
de ver as dançarinas
com as suas suaves sapatilhas
escorregarem
ora na grama
ou no capim rebelde
que um dia sonhou ser
um campo de golfe
ora na cabeça de uma formiga
que não teve a menor chance
Cildo
capta o momento
o barbante instante
para ser um malabarista do tempo
esquecer que está esfomeado
atolado de tolos compromissos
submissos aos trabalhos
que não lhe proporcionam nenhum prazer
para nutrir os seus pensamentos
com as suas doces lembranças
e não perceber
quando lhe ver e ser hipnotizado
o futuro o presente e o passado
ser o esmalte nas unhas dos seus dedos
ser o batom na superfície húmida dos seus lábios
ser uma gota de sangue
que rolou sobre a sua face
após um descuidado fecho
em seu brinco delicado
Carlos Gutierrez
instala
instaura
contemporaneidade
percebe lugares
atravessa paisagens
contrói catedrais
com hóstias ossos e moedas
Espalha o seu sangue poeta
em seu desvio vermelho
tinge de rubro
os móveis
os aparelhos domésticos
a linha branca
os bens duráveis e descartáveis
os aparelho que brincamos
e os que nos provocam medos
Tinge de vermelho
Infringe escarlate
pálidos conceitos
Tinge de vermelho
todos os ambientes
nem os espelhos escapam
e das torneiras emotivas
jorra o líquido vermelho
tão vermelho como um Campari
ou a capa de um toureiro
em seu particular e cruel safari
Cildo despeja sal
sem carne
despeja o cal
que calcifica a alma
Cildo instala redes
protege as suas novas amigas:
bolas de borracha mudas
mas saltitantes e elásticas
que se espalham aleatórias
sobre os mais diferentes pisos
ora no mármore de Carrara
destinado aos pés da rainha
ora no frio cimento da garagem
ou da calçada
que sepultou algumas moedas
e declarações quase sempre inúteis
ora no piso de madeira
ensebado de cera
que um dia já foi uma pista de boliche
e hoje se entrega ao fetiche
de ver as dançarinas
com as suas suaves sapatilhas
escorregarem
ora na grama
ou no capim rebelde
que um dia sonhou ser
um campo de golfe
ora na cabeça de uma formiga
que não teve a menor chance
Cildo
capta o momento
o barbante instante
para ser um malabarista do tempo
esquecer que está esfomeado
atolado de tolos compromissos
submissos aos trabalhos
que não lhe proporcionam nenhum prazer
para nutrir os seus pensamentos
com as suas doces lembranças
e não perceber
quando lhe ver e ser hipnotizado
o futuro o presente e o passado
ser o esmalte nas unhas dos seus dedos
ser o batom na superfície húmida dos seus lábios
ser uma gota de sangue
que rolou sobre a sua face
após um descuidado fecho
em seu brinco delicado
Carlos Gutierrez
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Habana Blues
Eu tenho poucos recursos:
dois olhos meio cansados
mas felizes quando eu puxo
as suas lindas imagens
eu tenho um nariz basco
que armazenou pelo tempo
as mais deliciosas fragrâncias:
o perfume marcante de um charuto
puro cubano
dos toques de madeira e mel
de um rum revitalizante
e dos aromas de suas lembranças
eu tenho dois ouvidos
que fogem dos barulhos e atritos
das conversas perversas
e procuram os sons da perfeita orquestra
que sem saber você rege
sendo uma instrumentista
seu saxofone impera
e a primavera em flores
e sons de pássaros se apodera
da minha alma sincera
eu tenho um cor ação
que sempre lhe espera
e quando a vê se exalta
salta acelera
e supera o som frenético das maracas
eu tenho os lábios salientes
que desejam ardentes feito rum
pelo menos um beijo seu Baby Blue
Carlos Gutierrez
dois olhos meio cansados
mas felizes quando eu puxo
as suas lindas imagens
eu tenho um nariz basco
que armazenou pelo tempo
as mais deliciosas fragrâncias:
o perfume marcante de um charuto
puro cubano
dos toques de madeira e mel
de um rum revitalizante
e dos aromas de suas lembranças
eu tenho dois ouvidos
que fogem dos barulhos e atritos
das conversas perversas
e procuram os sons da perfeita orquestra
que sem saber você rege
sendo uma instrumentista
seu saxofone impera
e a primavera em flores
e sons de pássaros se apodera
da minha alma sincera
eu tenho um cor ação
que sempre lhe espera
e quando a vê se exalta
salta acelera
e supera o som frenético das maracas
eu tenho os lábios salientes
que desejam ardentes feito rum
pelo menos um beijo seu Baby Blue
Carlos Gutierrez
domingo, 28 de agosto de 2011
Desabilitado
Desabilitado
Não sei dirigir
sei apenas fugir...
do impacto
do poste solitário
ou do muro pichado
de recentes
inocentes
indecentes
declarações
gravadas
apressadas
em tintas ofuscantes
ou fosforescentes
ainda misturadas com o sangue quente
do pulso aberto
e da mão esfolada
ou antigas confissões
carcomidas
em musgos
muitas
com prazos de validade
já vencidas
óleos queimados
Não sei dirigir um automóvel
mão trêmulas
pés de chumbo
cabeça nas nuvens
olhos nas estrelas
lubrificadas
pavor
dessa estrutura mecânica
mexendo
com a minha vida orgânica
sangue e gasolina
aditivos extras
um óculos Ray Ban
a mulher gato
o chapéu Bardhal
Tudo vai bem
tudo vai mal
baterias descarregadas
black out
em comandos elétricos
lataria
remaquiada
em batidas
feridas metálicas
pneumáticos traumáticos
ruas estreitas
garganta seca
rodovias amplas
pedágios
presságios
Ausência de reflexos
Semáforos
olhos vermelhos de sono
olhos amarelos de medo
olhos verdes de espanto
Pintor dautônico
em estradas encobertas
por melancólicas neblinas
Radares
excessos
bafômetros
provas contra mim mesmo
contra-mão
confusão de marchas
Mãos cheias de graxa
Não sei dirigir
sei apenas fugir...
dos buracos
das crateras
do asfalto que ferve
e se dissolve
como um chiclete negro
tão inconveniente
grudento
nojento
na língua de borracha
dentro das solas
dos sapatos sedentos
de novos rumos
pneus carecas
cavalos de pau
transtornados
tropel de animais
que perderam
os seus naturais espaços
trânsito selvagem
e o fantasma ágil
de um vigilante rodoviário
Não sei dirigir
freio
quando deveria acelerar
esqueço de trocar o óleo
de olhar a reserva
de combustível
Nem sei ao menos onde estou
culpo o guia de ruas desatualizado
e o GPS alucinado
só me indica desvios
impossível continuar
tanque vazio
o posto de combustível
está tão longe
mais do que os meus pensamentos
Não sei dirigir
me enrolo todo
até para colocar
o cinto de segurança
me confundo
piso fundo
tento ligar o para-brisas...
vidros sujos de lágrimas
e cinzas
perdi o para-choque
no meio do caminho...
e a antena
sumiu dentro de uma nuvem
de gafanhotos
esqueci o estepe
e o macaco fugiu
nas cercanias da rodovia
paro no acostamento
e lamento
o isolamento
que uma simples viagem
possa causar
não sei dirigir
sei apenas fugir...
e admirar
quem pode controlar
essas máquinas voadoras
blindadas com os seus olhos
escuros fumê
ou abertos conversíveis
sem receios de ataques
de ventos e devaneios possíveis
sem temores de sequestros
calculados ou relâmpagos
sem medo de colidir
com uma diligência
vinda do velho Oeste
Não buzine
os seus gritos
estridentes
agora
estou ouvindo uma canção de amor
a la Angela Ro Ro
Não sei dirigir
eu só sei fugir
barulho de motor
Posso infringir
todas as leis de trânsito
todas as leis da física
todos os mistérios
do tempo e do espaço
Eta Einstein Relatividade
Não quero ver o seu rosto de rancor
no espelho do meu retrovisor
Pode me ultrapassar
com toda a sua pressa de viver
a minha há muito tempo
está na oficina
esperando repor
peças originais
Carlos Gutierrez
Não sei dirigir
sei apenas fugir...
do impacto
do poste solitário
ou do muro pichado
de recentes
inocentes
indecentes
declarações
gravadas
apressadas
em tintas ofuscantes
ou fosforescentes
ainda misturadas com o sangue quente
do pulso aberto
e da mão esfolada
ou antigas confissões
carcomidas
em musgos
muitas
com prazos de validade
já vencidas
óleos queimados
Não sei dirigir um automóvel
mão trêmulas
pés de chumbo
cabeça nas nuvens
olhos nas estrelas
lubrificadas
pavor
dessa estrutura mecânica
mexendo
com a minha vida orgânica
sangue e gasolina
aditivos extras
um óculos Ray Ban
a mulher gato
o chapéu Bardhal
Tudo vai bem
tudo vai mal
baterias descarregadas
black out
em comandos elétricos
lataria
remaquiada
em batidas
feridas metálicas
pneumáticos traumáticos
ruas estreitas
garganta seca
rodovias amplas
pedágios
presságios
Ausência de reflexos
Semáforos
olhos vermelhos de sono
olhos amarelos de medo
olhos verdes de espanto
Pintor dautônico
em estradas encobertas
por melancólicas neblinas
Radares
excessos
bafômetros
provas contra mim mesmo
contra-mão
confusão de marchas
Mãos cheias de graxa
Não sei dirigir
sei apenas fugir...
dos buracos
das crateras
do asfalto que ferve
e se dissolve
como um chiclete negro
tão inconveniente
grudento
nojento
na língua de borracha
dentro das solas
dos sapatos sedentos
de novos rumos
pneus carecas
cavalos de pau
transtornados
tropel de animais
que perderam
os seus naturais espaços
trânsito selvagem
e o fantasma ágil
de um vigilante rodoviário
Não sei dirigir
freio
quando deveria acelerar
esqueço de trocar o óleo
de olhar a reserva
de combustível
Nem sei ao menos onde estou
culpo o guia de ruas desatualizado
e o GPS alucinado
só me indica desvios
impossível continuar
tanque vazio
o posto de combustível
está tão longe
mais do que os meus pensamentos
Não sei dirigir
me enrolo todo
até para colocar
o cinto de segurança
me confundo
piso fundo
tento ligar o para-brisas...
vidros sujos de lágrimas
e cinzas
perdi o para-choque
no meio do caminho...
e a antena
sumiu dentro de uma nuvem
de gafanhotos
esqueci o estepe
e o macaco fugiu
nas cercanias da rodovia
paro no acostamento
e lamento
o isolamento
que uma simples viagem
possa causar
não sei dirigir
sei apenas fugir...
e admirar
quem pode controlar
essas máquinas voadoras
blindadas com os seus olhos
escuros fumê
ou abertos conversíveis
sem receios de ataques
de ventos e devaneios possíveis
sem temores de sequestros
calculados ou relâmpagos
sem medo de colidir
com uma diligência
vinda do velho Oeste
Não buzine
os seus gritos
estridentes
agora
estou ouvindo uma canção de amor
a la Angela Ro Ro
Não sei dirigir
eu só sei fugir
barulho de motor
Posso infringir
todas as leis de trânsito
todas as leis da física
todos os mistérios
do tempo e do espaço
Eta Einstein Relatividade
Não quero ver o seu rosto de rancor
no espelho do meu retrovisor
Pode me ultrapassar
com toda a sua pressa de viver
a minha há muito tempo
está na oficina
esperando repor
peças originais
Carlos Gutierrez
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Encontro para Cinéfilos
Desconcertantes atrações confirmadas para este retorno 2011
Lille, capital da China no primeiro fim de semana de setembro... Um encontro glamouroso para os cinéfilos - Festival do Cinema Americano de Deauville. Da Asia à América a menos de duas horas da Capital.
Lille, capital da China no primeiro fim de semana de setembro... Um encontro glamouroso para os cinéfilos - Festival do Cinema Americano de Deauville. Da Asia à América a menos de duas horas da Capital.
sábado, 13 de agosto de 2011
A Fábrica do Poema - Wally Salomão
A Fábrica do Poema
Adriana Calcanhotto
Composição: Adriana Calcanhotto / Waly SalomãoSonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
domingo, 7 de agosto de 2011
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