sábado, 21 de novembro de 2009

Nuvem


O seu cheiro na minha carne...
Como é grande.
De longe, és menor,
Mas de perto,
És uma nuvem.
É belo, a escala de cinza
No enorme azul.
O movimento das palavras
Parece céu;
Muito claro
Nosso amor inventado...
Remoer as frases soltas
No sofá vermelho.
A clave de sol na janela.
A sinfonia da chuva,
A orquestra da rua
E seus carros, suas ondas.
E você, o maestro majestoso.
Detalhar seu rosto, seus ossos.
Nosso horror, nossos risos.
És uma fonte infinita.
Uma nuvem.


Bruna Moraes

Depois da Tempestade

Galhos destroçados
folhas recortadas
dispersas
flores amarrotadas
gotas sólidas de pólen espalhadas
do que foram árvores
línguas de sapatos
separados de suas solas
asas descoladas de borboletas e pássaros
pêlos de cães flutuando no ar...
silencio de cigarras
consternadas pelos ventos insensíveis
Depois do temporal
da tempestade
todos os detritos
e gritos de pânico
e os aparelhos elétricos e eletrônicos
comprometidos
e a lembrança dos raios e trovões
ainda gritando em meus ouvidos...

Depois da tempestade
as ruas após lavarem as suas almas
estão prontas novamente
para receber mais detritos
toda sorte de fumaça
gases de veículos apressados
outras folhas outras pétalas
que se perderam das flores
se desgarraram das árvores
depois da tempestade
o tempo volta á normalidade
morno e sem remorsos na claridade
e a cidade quase seca
enxuga as últimas lágrimas
depois da tempestade!


Carlos Gutierrez

Menina Cinderela


Poemosaico de Patty e Lilian

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

BEIJOSEMÃNTICOS


Sejam brandos ou efusivos,
beijos apenas
aportoados em seus lábios,
cereja ou azeviche?
No asfalto macio correm os segredos
à soprarem aos ouvidos
os temores tentarodores
arrematando fusíveis noturnos
Liberta os olhos do aro e lentes escuras,
a imagem nitidamente embaçada
ofusca as matizes da corrente inebriante,
choque, rosa-choque
Mais um drink e cinzeiro!
Restam palavras a serem digeridas.
A noite continua a balbuciar
vermelho a cada passo
um Old Fashion se expõe
ao rastro postulado por dizeres
De fato! De modo!
De forma ao corpo transceder
a moldura repreensora
supondo infiltrar muros cativos.
Não precisa de muito para rir,
junto a bagagem
estão também os beijos efusivos
O andarilho guarda-os ao lado
dos segredos apressados,
caminha no asfalto sórdido,
tão longe em sua saudade
ancora em seus lábios multi-tonalizados
e deleita
brando ou efusivo,
beijo apenas
entre todos beijosemânticos!


Desirée Gomes

Desencontro

Eu não posso ser seu
você não pode ser minha
mas e esse frio na espinha
que nos acometeu
e que adivinha o que nos faz tremer?
Cruel é saber
que não podemos viver
o mesmo tempo
e que nossos pensamentos
apesar de serem os mesmos
flutuam em ventos diferentes
eu não posso ser seu
você não pode ser minha
entre a pipa e o carretel
existe a linha partida
o cerol de sol
que corta as nossas noites
de vigílias.
Eu não posso ser seu
você não pode ser minha
quando eu sou verso
você já é poesia!


Carlos Gutierrez

Prego Parafuso

A saudade é prego parafuso
Estou confuso!
com essa engrenagem do tempo!
O tumulto das horas pacientes e inquietas
Eu giro o parafuso no sentido horário
para caminhar ao lado do seu presente
depois giro ao contrário
para saber o que restou do passado
Eu prego a sua imagem na parede
vermelha gelatinosa do meu coração
Eu prego com o martelo e esfacelo os meus dedos
amassados pelo medo de não cometerem
os devidos carinhos
A saudade é prego parafuso
Finca!Corrói!
e se torna infusão
regeneração
platina nos ossos
paixão no sangue
ternura que se expande
por todos sentidos
que respondem
aos apelos de vida
lá fora!


Carlos Gutierrez

O OUTRO

Eu sou o outro
o inesperado
o tapa-buraco
posso ser chamado de acaso
de atraso
o outro
com mínimo prazo de validade
o outro...o outro...o que não é verdade
doce mentira
porre preparado
nas horas sóbrias
nas sobras de loucos desejos
eu sou o outro...o outro...o outro...
o que não foi líquido beijo
apenas gasoso desejo
que evaporou na solidez do seu desprezo!


Carlos Gutierrez