Luzes da Cidade

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Flor

E sem celeumas
sem clichês celuloides
tudo que a alma
pode transcrever
inserir ferir sem doer
sem traumas e hesitações
um jorro verbal
capaz de vibrar e atrair a sua atenção
Alguém a vê
a percebe
e estranho lhe segue
em passos pássaros
com os olhos vidrados
virados em órbitas elucubrações
e sem celeumas
penas e plumagens
sem palavras efêmeras
ou impactantes
como bicos de águias
e somente sementes
com palavras opacas
que as tornam brilhantes
Alguém tenta
lhe descrever
mais do que a seda negra dos seus cabelos
o sorriso pérola
e o vestido florido
com pétalas intervenções
que resgata todos os seus doces mistérios
Alguém se declara
no intervalo de cada palavra
que percorre toda a sua feminina frase
na catarse do tempo
Cravo o cravo escravo da paixão
espio espinhos
enfio e desafio cáctus
dilacero folhas
qual incansável formiga
Esguicho a sede bicho
colo a larva
experimento a erva
e tudo que me leva
ao abismo do seu caule
lembrança groselha dos seus lábios
vivas pétalas
para sentir o perfume e a queda
em alguma delas
E seja como for
com qualquer escoriação
me sentir colibri
para absorver toda a fragrância
que Chris exala
E todo o jardim apaixonado
que a ela se declara
Carlos Roberto Gutierrez
Poetic Model : Christine



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

The Best of Billie Holiday | Jazz Music

Sublime Semblante

Sublime semblante
cerradas peles pálpebras persianas
todo o reflexivo resguardar
o olhar para dentro
ventre dos pensamentos
decifrar o tempo
inflar memórias
soprar o vento presente 
soltar o futuro
qual um clandestino balão no céu
sonho seu sonho

encontrar um guardanapo de papel
absorvente de vida breve
que esfarela ao contato dos lábios
e o aproximar marfim dos dentes
ou de um trapo que guarda bordadas memórias
e lhe escrever de rompante o que ainda é ébrio
e que pode ser poeticamente bêbado alucinante
solúvel nos olhos de Toulose Lautrec

na cortiça da rolha preservar o sangue do vinho
e apurar o desejo da jarra
o jorro a fonte íntima
o espocar das horas
o borbulhar frisante
que se infiltra
entre as velas pálidas e amarelas da taberna rósea caverna

no processo de um poema
nos versos instantâneos
na areia semântica
na face cujo reverso é tão sublime quanto antes
no poema presente POEPREMENTE
no verso puro futuro sem memórias





Trilhas e Trilhos

Trilhas e Trilhos

Não tenho tempo a perder 
deixo passar o feed 
as postagens 
a filosofia
as bobagens
estou em outra...
sorvendo a viagem
a nova paisagem
os seus cabelos revoltos
tocando o meu rosto
não tenho tempo a perder
se eu perder enfim
que seja em você
olha o brilho dos trilhos
quem dera as minhas palavras
fossem vagões em espera
da sua locomotiva
eu olho a janela
e vejo a sua foto
em estado de espera...
mas sabe você é tão linda
que a plataforma se exaspera
e a viagem faz transgredir
o horário e inicia bem antes
sim sou excessivo emotivo
você Chris recupera
todo o meu tempo perdido



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Intensa

Intensa
compensa cada olhar
me faz flutuar

no tempo
em qualquer lugar
no cavern club
tribute night
ao som das caixas e pratos
da bateria de Ringo Star
Intensa
sei como eu sei
que cada atalho
se encontra em cada fio encaracolado de seus maravilhosos cabelos
Intensa
me agarra qual um imâ
nada que faça desgrudar os meus olhos vidrados
Intensa cada vez mais
se infiltra se enxerta em meu poema sempre alerta
a conhecer mais
Strawberry Fields Forever
e tantas outras canções
que me faz levitar
e depois deslizar em suas curvas
no algodão rústico da sua camiseta
ou na camisa de lenhador canadense
na estampa anos 60
em todo o seu corpo encanto

Carlos R Gutierrez
Poetic Model : Christine



New York Trio

Bronze

às onze da noite
no bronze das horas
na rua deserta
na esquina
na viela mais discreta
entre latas
hidrantes Spirit
gangsters e latidos
toldos retorcidos
podemos nos encontrar
saborear orvalhos
e quem sabe
antes que o noturno encanto acabe
esticar nossas pernas
em algum clube noturno
ao som de Chet Baker
reparador reduto
de um singular cool jazz
às onze da noite
no bronze das horas
possamos nos merecer
tecer sonhos
correr pirilampos
sermos ventríloquos um do outo
e destilarmos segredos
entre um bourbon e outro
conforme o badalo do sino de bronze
o metal perfeito
para o estalo e timbre romântico
o bronze o bronze
para fixar um tempo dourado.
Carlos Roberto Gutierrez
poetic model: Christine



Strawberry Fields Forever

arruma
o exato vermelho
que apura
os seus sentimentos
um vermelho
que coagula
outros vermelhos
para compor
um espelho
que revele
o que ainda mesmo lhe é segredo
vermelhos
a frio e fogo
entre o negro
das sombras e roletas
um vermelho Matisse que atiçe
o ambiente e a tela
e especule a espátula
escorrendo nas cerdas
um vermelho rubi
enclausurado
num relógio
no coração de madeira
de um pássaro maluco
que fugiu do cuco refúgio
um vermelho mercúrio
letal e espúrio
um vermelho maçã pecado
um vermelho gengiva
à deriva de um beijo
um vermelho encantado
suspirando num vinil
Strawberry Fields Forever
o vermelho seduziu
todos os touros
indomáveis
Carlos Roberto Gutierrez
poetic model: Christine



Talvez

RELANCE
TALVEZ VOCÊ AINDA ME ENCONTRE!
NO COPO DE WHISKY DE ONTEM
NA PÉTALA PETULANTE
QUE ESCAPOU DA ROSA QUE EU LHE TROUXE
NA MANCHA DE BATOM
EM MEU BRANCO MOLETON
NO SUTIL VINIL
QUE AGUARDA AS SUAS MÃOS
PARA VIRAR NOVAMENTE SONS
DENTRO DE UM RETRÔ PICK UP
TALVEZ
AINDA ESCAPE ALGUMA RECORDAÇÃO
O PISCAR DE UM LINDO FLERTE
RASTROS DE PASSOS HESITANTES
COMO AS LUZES DE UM PISCA PISCA
OU A JANELA QUASE EMBAÇADA
ONDE CHUVISCA A SUA SAUDADE

Carlos R Gutierrez
poetic model: Christine


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Baby Blue

..você caminha...caminha...caminha....caí....tropeça...levanta..caminha e finalmente encontra ....
Baby Blue
que tudo se torne azul em nossas vidas
Que o céu acolha nossas lágrimas e sorrisos
que as lágrimas se tornem gotas de chuva
para manter os solos sempre profícuos
e os sorrisos sejam estrelas brilhando
e refletindo o seu brilho aqui em baixo
enquanto contemplamos mais um dia vivido
Baby Blue
que a sua jaqueta azul
tenha sempre um bolso vago
para eu colocar um poema
e que o seu jeans
que cada vez fica mais lindo
atravesse o meu caminho
com o fascínio de uma inédita paisagem
Baby Blue
azule a chama dourada e vermelha
que me queima por dentro
segure o vento da minha impaciência
Derrame do bule
um generoso café na xícara de porcelana
e me acompanha...
nesse novo dia
que principia e que pretendo ver e sentir
mais azul ainda!
Carlos Roberto Gutierrez
Poetic Model : Christine
com toda a sua natural beleza




Bate-Papo: A Arte de François Truffaut e a Nouvelle Vague

O que ele quis dizer?

o que ele quis dizer?
acho que deve ser isso:
vale a pena esperar
e saber escolher
quem será a sua amada
musa dos seus versos
a flor do seu jardim
deve ser isso mesmo
mais do que um asterisco
um ponto de exclamação
mais do que um rabisco
uma obra prima
que rima em todos os ambientes
o que ele está olhando
com ternura e encanto
em janelas simultâneas
deve ser a sua amada
que se reparte em cada janela
e escorre em cada escada
o que ele quis dizer?
talvez que um olhar não necessita de palavras
e o brilho dos olhos da amada
lustram o silencio
e ilustram o papel
na gestação de um desenho
o que ele quis dizer?
que vem de algum lugar mais além
à procura de alguém
Carlos Roberto Gutierrez
Poetic Model: Christine

Salve