Luzes da Cidade

sábado, 13 de novembro de 2010

Reencontro

REENCONTRO

Doce reencontro
Um brinquedo antigo
Um velho guarda roupa
de madeira maciça
Um espelho embaçado embutido
polido apenas poe lembranças amenas
de um tempo distante
preso e ileso
inocente
dentro de um porão
carente de luz
até o momento alçapão
em que a sua curiosidade adolescente
resolveu abrir as portas
e deixar o vento arejar o ambiente
e esvoaçar as crinas
de um cavalo de gêsso
que sonha cavalgar
e sentir o seu peso

Abra as janelas de folhas duplas
Contemple!
Ouça o ranger do desejo
do que ficou soterrado
há tanto tempo
como um desejo secreto
um olhar indiscreto
que desestabiliza
o gradil protetor
do olhar de pavor
espanto ou encantamento

Carlos Gutierrez

sábado, 16 de outubro de 2010

Estúpido Cupido

Estúpido Cupido
Miro os seus olhos
onde moram
os meus sonhos compridos
que odeiam despertar
Flertes e cochichos
sombras e rabichos
onde você está agora?
Vivo mais o seu tempo/fascínio
do que as minhas horas mornas
Sinto inveja do seu delineador
gravado nos cílios
dos seus olhos brilhantes
da sombra que empresta mistérios
em suas pálpebras marcantes
Poderia ser seus óculos escuros
om ray ban que escondesse um gato escuro
e lhe assustasse como um pulo
no afã de um encanto noturno
Poderia ser o topete petulante
de um playboy
que vive no mundo livre das paixões
e dispensa qualquer gel
que ouse conter o seu jeito rebelde de ser
Revisitaria 1961
om número mágico
que pode ser lido de trás p´ra frente
em os ambos os lados
e jamais seria triste....
Um ano em que Yuri Gagarin
o pioneiro do espaço
viu a Terra do alto
e estupefato chamou-a de azul
Um ano em que Robert Zimmerman
rasgou as suas roupas
jorrou os seus versos
de amores e protestos
e fez fluir a soa música
nada preguiçosa
junto com a sua fanhosa voz
e se fez Bob Dylan
com todas ciladas e armadilhas
Um fascínio extremo
não é mesmo baby?
Acotovelados
em desejos velados
doces beijos roubados
sem o amargor de remorsos
Estúpido Cupido
que desfere as suas flechas
com a naturalidade de índios
em corações inteiros ou já partidos
e nos torna cada vez mais divididos
e submetidos aos ditames e dinamites
por razões nobres ou infames
das paixões que nos consomem
e se consumam em febres ou bálsamos
em estufados ou esfomeados desejos.

Carlos Gutierrez

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quarto do Zozó

Entre e arrebente a porta do meu quarto sem dó
no meu quarto que compete com o do Zozó
pura bagunça pafúncia que rola mais que o barril do Chaves
Isso me lembra que eu não tenho chaves para não esquecê-las
Isso! Isso! Isso!
Os meus planos mais furados do que queijo suiço
Não tenho chaves
Não sou submisso
só tento dar sumiço na solidão
para deixar entrar todos os insetos e afetos
de pessoas próximas ou estranhas
de todos os fantasmas que se soltaram das frias paredes
Entre não repare
na bagunça nos objetos espalhados
cds deslizam sobre o tapete e folhas soltas envoltas de poeira
livros brigam dentro da estante
Saramago procura o seu imponente óculos
Fernando Pessoa procura o seu chapéu e o seu maço de cigarros
além dos seus heterônimos
Kafka procura o seu casaco e uma forma de esconder as suas orelhas
Hilda Hilst procura novos sinônimos e vozes do além
para compor novos poemas
Entre os livros um saco de plástico ordinário
esconde um lanche esquecido esverdeado
não reclame estante desse objeto indesejado
há muitas que não guardam um livro sequer
Entre sem bater ou faça o maior estardalhaço
adoro mágicos malabaristas e palhaços
a vida é mesmo um circo
e o meu quarto é uma extensão
roupas pelo chão meias amarradas ao pé da cama
tênis envoltos nas nuvens do talco que espanta o chulé
junto com um estúpido avião de plástico que tem medo de voar
veja a minha manta escocesa
que não me pinica e quanta mais velha fica mais aconchegante
e sabe esconder os meus sonhos docemente eróticos
Cadê a velha pick up
vamoa ouvir um velho vinil de Dylan
Que tal Empire Burlesque
Achei uma nota de cinquenta empoeirada na calçada apertada e movimentada
podemos degustar uma pizza daquelas
que a muzzarella estica mais que o elástico do estilingue anti-pássaros
regarmos sobre ela muito azeite
aceite esta taça de vinho! olhe a cor rubi
sinta o gosto de frutas silvestres
me olhe com ternura
assim o sonho dura e desmancha as nossas pedras
Entre não repare a bagunça
depois alguém arruma...
deixe assim mesmo
asim eu não me sinto tão só!
eu e o meu quarto mais bagunçado
do que o quarto do Zozó!


Carlos Gutierrez

Charleston

Charleston

Desejos não se proíbem
apenas exaltam-se
e embaralham todos os sentidos
como um charleston frenético
que dançam nos olhos de um soldado
que se desespera em enfrentar a primeira
e talvez a ultima guerra...
um desejo não se encerra
pode ser inibido
espremido diluído no gangster whisky
ouro líquido que evapora nos dias e noites
de Lei Seca de confrontos e traições...
Um desejo só um desejo não traí a si mesmo...
e o charleston eufórico perdoa todos os abstémios...
O charleston termina no salão
mas em quantos cérebros ainda gira
suspira e inspira
pálpebras cinzentas das bailarinas
dançarinas da noite que Degas não pode retratar
saem exaustas segurando uma nas outras...
misturando perfumes brincos tiaras piteiras e
toda sorte de presentes oferecidos por homens
que já nem lembra mais...
assim é o charleston
um salto sempre a frente
como se o futuro só o futuro poderia trazer o melhor presente...
subir as escadarias
como se subisse nas nuvens
morder a maçã com a fome de Eva
tudo que leva aos extremos
o fogo de um ardente beijo
ou a neve que escorre de um gelado olhar...
assim é o charleston
que faz girar copos solitários
e vulneráveis candelabros
que fazem gritar mudas cadeiras...
O charleston faz esquecer...esquecer...
todas as depressões o impiedoso 29
e famigerados macartismos
o charleston faz delirar e
desequilibrar todos os sentidos
como um brinquedo insólito nas mãos de um menino
que não conhece as suas engrenagens
e o trata como se fosse um passarinho
voando tão livremente
O charleston é isso o preservar da juventude
ter ciência da ridicularidade e
tentando a transformar em virtude...

Carlos Gutierrez

sábado, 24 de julho de 2010

Para Meus Maiores Medos

Sinto o mundo desabar,
Não sobre mim,
Estou apenas a observar.

Onde estou, nada alcança,
Deixei as conseqüências ao material,
Carrego minha mente a outro espaço,
Longe daqui, longe de mim.

Não quero estar ou ser,
Não quero crer que pude errar,
Ordeno que cegue-me.

Quebra de comportamento,
Desvio de conduta,
Às vezes significativo, às vezes demolidor.

Como escolher às cegas?
Como prever?
Saída da linha.. saí.
Arrisquei.. e aqui não quero estar.

Por favor, leve-me,
Para onde não há tempo que alcance,
Onde choro virava sorriso,
Leve-me onde haja sombra,
Fim da linha.

O medo em mim procria
Medo de perda, falha,
Medo dos medos se tornarem reais.

Meus pavores,
Meu desejo de livrar-me do sofrimento,
Apenas afundou-me mais.

E agora? Para onde vou?
Deixo minha mente distante,
Rezo por paciência
E aqui não quero estar.
Se não houver solução,
De meu exílio não voltarei..

Mariah Boratto;

Old Tmes News Emotions

I'm still that envy jeans
long ago
arriving starched and clumsy
cutting and traditional model
basic five-pocket
and gold rivets
beyond the push-button
the jeans ... the jeans ...
that the more one uses and washes
in the rain on the rocks
or tank rough house
become more comfortable
dress and look
I'm still the blue hue
indigo blue
that the more it fades
dispute and legs
to hide the boots
paths ending
Adventures desolate or rewarding
becomes more attractive and regenerator
pain after a fall
or smile after a jump out of my mind
what a hot bath
in the chambers of a Saloom
even outside of a hot tub
apparatus with a rustic bush soft
still loaded with black seeds
lint in their dense interiors
that eliminate all the toxins and
impurities from the skin of recent long trails
and permeate into our skins
perfumes landscape we leave behind
I am yet to air cafeteria with rebels
noisy and effervescent
the mozzarella stretching into the snack
enticing the palate and teeth
in contrast to the gum delusional
inside your mouth irreverent
which makes source
the stone of my greatest desire
I am in too much pepper in their eyes innocent
Tipping in your ears
desires more ulterior and pressing
I'm still the straw that sucks the milk shake
to satisfy the greed that strangles
a desire unresolved
'm Spreading gooseberry
on ice
and mimics the blood of a poet
which freezes
when it comes face to face with his beloved muse
and just screams with his hazel eyes
the hot plate that is on your side
steamy
challenging the hands of lunchboxes and the bartender
I'm the napkin absorbs the grease
the kiss of yellow mustard
the salivas lewd headquarters hungers and desires
mingling of the red lipstick
you wear your lips
I am the paradox of youth
the unbeliever and the orthodox
attitudes and antics
all greed and try to live every second
the desire to be free
while passionate
Break away or be grasped
I'm the plug when I have no money
clips the culprit who deceives Junk Box
and offers the most romantic song!




Carlos Gutierrez

domingo, 18 de julho de 2010

Debra Killings - Love

EsperanzaSpalding.AVI -"Jazz Ain't Nothin' but Soul"

LARGADO

LARGADO
DE UM LADO PARA OUTRO ODAL
LADOS DE UM QUADRADO
E DE UMA FIGURA OVAL
COMO UM LAGO
LARGADO
ALAGADO DE AFAGOS
DE PEDRAS DE DESEJOS
E SÚBITOS SUÍCIDIOS
LARGADO
RODEADO DE ESPINHOS
NO JARDIM DA SOLIDÃO
LARGADO
NOS LAPSOS DO TEMPO
NOS COLAPSOS DOS TORMENTOS
NOS LEITOS DAS RUAS
NAS SARJETAS
NAS BOCAS DE LOBOS ENTUPIDAS
LARGADO ENTRE RESÍDUOS
LAR...GA...DO
FAMIGERADO DESÍGNIO
DE UM OSSO SEM DESTINO
NA BOCA DE UM CÃO VADIO
LARGADO
SEM COLEIRA
SEM EIRA NEM BEIRA
NO RELENTO
SOFRENDO O FRIO E O VENTO
QUE DESARRUMA AS SUAS ORELHAS

Carlos Gutierrez

sábado, 17 de julho de 2010

SAMPA

Sampa
que destampa
uma garoa boa
que escoa
uma inédita emoção
na velha e desequilibrada São João
que acolhe beldades e barangas
raridades e bujigangas
e abraça a Ipiranga
sem nenhum pudor
Sampa
percorro suas ruas e rampas
lembro versos de Bárbara
e o meu coração dispara
quando os meus olhos reparam
as esquinas do passado
Sampa que arranca
do meu peito
 um coração machucado
esfolado pelo automóvel tresloucado
que ousou desafiar o seu trânsito
Sampa
que destampa
em cada boteco
uma garrafa de líquidos versos
acompanhadas de petiscos
que preenchem
os interstícios
das nossas vidas
com aromas
de jovens flores
e recentes amores
Sampa
que no seu jardim concreto
consegue realizar
os meus sonhos mais secretos
os meus desejos mais indiscretos
e refresca a minha cuca
pois nela só se ocupa
da minha inocente imaginação


Carlos Gutierrez

Arnaldo Antunes: ÁTOMO DIVISÍVEL

Arnaldo Antunes: ÁTOMO DIVISÍVEL

The Byrds - It's All Over Now, Baby Blue (1969 version)

Sangue Suor e Lágrimas

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Segredo de Jardim

Queria falar sobre flores;
Mas suas pétalas se foram, e com o vento toda sua essência.


Queria falar de alegrias;
Mas essas seguiram a essência de seu jardim.


Queria falar sobre amores;
Porém estes em seu jardim se secaram
Se foram mais ligeiro do que chegaram
E deles sobrou menos que as flores.
A essência se foi com os amores
E com ela as pétalas voaram
Lembranças e sofrimento
Foram as marcas que ficaram
Era mais que um desalento
Mais uma dessas coisas, que não saram.

Queria falar sobre o quê?
O jardim traduzia com o tempo
O que ela não sabia dizer.
Mesmo depois desse vento
Aquela ânsia de viver.
Sem essência, sem pétalas e sem medo,
Seu jardim lhe contava um segredo:
Está em todos a força do Renascer.

Laura Reis

Old Times New Emotions

Sou ainda aquele jeans invejado
de tempos atrás
que chegava engomado e desajeitado
de corte e modelo tradicionais
cinco bolsos básicos
e rebites dourados
além do botão de pressão
do jeans...do jeans...
que quanto mais se usa e se lava
na chuva nas pedras
ou no tanque áspero da casa
se torna mais confortável
de vestir e olhar
Eu ainda sou a tonalidade azul
índigo blue
que quanto mais se desbota
e disputa nas pernas
com o couro cru das botas
os caminhos sem fim
as aventuras desoladas ou gratificantes
mais se torna atraente e regenerador
depois da dor de uma queda
ou após o sorriso num salto sem juízo
qual um banho quente 
nos aposentos de um saloom
mesmo fora de um ofurô
com o aparato rústico de uma bucha macia
ainda carregada de sementes negras 
em seus densos fiapos interiores
que eliminam todas as toxinas  e
impurezas da pele recente de longas trilhas
e impregnam em nossas epidermes
perfumes de paisagem que deixamos para trás
Sou ainda aquela lanchonete com ares rebeldes
barulhenta e efervescente
a muzzarela esticando-se dentro do lanche
seduzindo o paladar e os dentes
em contraste com o chicletes delirante
dentro da sua boca irreverente
que se faz fonte
da pedra do meu maior desejo
Sou a pimenta em excesso em seus olhos inocentes
que derruba em seus ouvidos
os desejos mais inconfessos e prementes
Sou ainda o canudo que sorve o milk shake
para saciar a gula que estrangula
um desejo mal resolvido
Sou a groselha  que se espalha 
sobre o sorvete
e imita o sangue de um poeta
que se congela
quando fica frente a frente com a sua musa amada
e apenas grita com os seus olhos embaçados
pela chapa quente que está ao seu lado
fumegante
desafiando as mãos do lancheiro e da garçonete
Sou o guardanapo que absorve a gordura
o beijo amarelo da mostarda
as salivas lascivas  de sedes fomes e vontades
de misturarem-se  ao batom vermelho
que veste os seus lábios
Sou o paradoxo da juventude
o descrente e o ortodoxo
as atitudes e as extravagâncias
toda a ganância de viver e provar cada segundo
o desejo de ser livre
e ao mesmo tempo apaixonado
Desgarrar-se ou ser agarrado
Sou a ficha ou quando não tenho grana
o clips culpado que engana o Junk Box
e lhe oferece a mais romântica canção!




Carlos Gutierrez




 

terça-feira, 13 de julho de 2010

Melancolia

A chuva fria
intermitente
a rua vazia
a pele cinza dos paralelepípedos
as poças d'água
espelhos líquidos
o meu quarto sombrio
apenas iluminado
por uma luz amarela vadia
gerada por uma lâmpada
quase esgotada
Saudades do que eu jamais fui
e poderia ser
tento ler...mas as lentes estão vencidas...
enquanto a chuva fria
não deixa as telhas em paz
tudo traz melancolia...
a ducha fria
sobre os pensamentos quentes
e desejos ainda ardentes...
dormir ...dormir...
bem que essa noite poderia ser diferente...
sem a sombra de um aborrecido despertar!


Carlos Gutierrez

Paulo Moura - Doce De Côco - Kaiser Bock Winter Festival - SP - 1997

Paulo Moura

Paulo Moura (1932–2010)

Uma forte rajada sobre a cidade do Rio de Janeiro anunciava à noite o desfecho de uma lenta agonia...

No sábado, dia 10 de julho, Paulo Moura ainda conseguiu reunir forças para tocar uma última música – "Doce de Côco", de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho – com seu parceiro de longa data Wagner Tiso, ao lado de sua mulher Halina, o filho Domingos, o sobrinho Gabriel, amigos e admiradores, e alguns pacientes da Clínica São Vicente, maravilhados com aquela inusitada e comovente celebração musical, organizada pelos músicos Cliff Korman e Humberto Araújo.

Uma réstia de sol fazia da exuberante folhagem de jaqueiras um cintilante cenário para a varanda do hospital. O maestro, sereno e sorridente, vestia uma camisa azul e cobria as pernas inchadas e inertes com um manto púpura.
Lembrei-me da última estrofe de um poema que lhe dediquei alguns anos atrás, homenagem diminuta e insuficiente frente à imensa alegria que sua música me proporcionara e ao doce convívio que tive o privilégio de gozar:

mistura e manda
o maestro
pra lá
das bandas
do rio
preto:
aéreo conduz
e sopra
por onde zoar
o pássaro azul
púrpura

Ele se foi na calada da noite, sua memória, no entanto, não há de se calar jamais em nossos corações e ouvidos. Paulo Moura não passou, não passará: virou pássaro alvissareiro... para todos e para sempre.

André Vallias
Rio, 13 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Revisão e Releitura

Cada vez que eu lhe vejo
lhe percebo mais
Cada revisão
Cada releitura
captura um encanto a mais
como esse colete lilás
ou esse jeans maravilhoso
que veste de azul
como uma afável segunda pele
e traz segredos em forma de ilhós
e outros apetrechos mais
Cada vez que eu lhe vejo
mais me convenço do seu rosto perfeito
do seu sorriso que me deixa sem jeito
que me deixa de queixo caído
entre as brilhantes madeixas
dos seus cabelos compridos...
Cada vez que eu lhe vejo
parece que uma aventura começa
Cada vez que eu leio os seus olhos
esqueço de toda pressa
e sempre retorno na página inicial
na folha de rosto do seu livro
que conquistou a cabeceira...
quando se abre me esclarece...
quando se fecha...
abre-se em sonhos !
a noite inteira


Carlos Gutierrez

domingo, 11 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

Nando Reis - All Star

VISIT

I came to visit him
My timid finger hesitates
to ring the bell
maybe you're still sleeping
within a dream ...
I think I arrived too early
or too late ...
but in a delirious outburst
my other hand turns the doorknob
unexpected as a thief ...
I came to visit him
without any pretext without some cardboard
no flowers in my hands ...
just my legs trembling
and my verses scattered
I came to visit him
be hanged by his scarf
or find redemption in her violet scarf
came to admireher beautiful face 
your good taste
 your smiletheir accessories 
because nothing in you 
superfluous and passenger or provisional


Carlos Gutierrez

Socorro - Arnaldo Antunes

LAGARTIXA

LAGARTIXA

Um corpo que são dois
um antes outro depois
Lagartixa
se encolhe e se espicha
e nem se lixa
com os sarcasmos alheios
não se lixa
se já não sabe onde é cauda ou cabeça
se avança ou recua
degenerada regeneração
caminha sempre prá frente
emendada
remendada
quase sempre rente
encostada em guias definidas e indefinidas
como se essa postura a protegesse
Lagartixa
um corpo que são dois
sempre quentes
que queimam sempre
como se previssem
o momento premente da fusão
Atração e repulsão
dois ímãs em permanente colisão
Cortes profundos
incisão
Marcas Feridas em profusão
Cortamos quantos planos e impulsos?
e quantas vezes lagartixeamos tudo?
Recortamos lembranças
Colamos em nossas retinas lindas paisagens
e em nossos lábios beijos sábios de desejos
Juntamos os nossos cacos
e petrificamos o que não há mais como aderir
sem ferir o que somos...
e lagar...tixeamos de vez


Carlos Gutierrez

Salgado

contanto que me traga
de volta
aquele Abril
maio
quantas raposas famintas
deixou?
"todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo..."
azulejos azuis
colocou em minha sala
vasta
vazia...
foi embora com dias
calorosos
serenos e cheios de
brutas mãos
vá-te embora então
saia antes que minhas mãos
queimem tua alma
sadia, santa.
cala minha boca com
flores, então.
já que tua boca não vive mais aqui
pra calar-me.

Bruna Moraes

FOLHA

FOLHA

FOLHA
FALHA
SEM ESCOLHA
FARFALHA
E ESPALHA
UM SILENCIO
QUE ATRAPALHA
FOLHA
FOGO DE PALHA
QUE NÃO FOI FLOR
E NEM SERÁ SEMENTE
SOMENTE
UMA CEGA NAVALHA
LUTANDO CONTRA O VENTO
FOLHA
SEM ESCOLHA
QUE CAÍ
DESCE DA ÁRVORE
ENCOSTA NO SOLO
DEITA NA TERRA
E JAZ NA SERRA
DE UMA FORMIGA
FOLHA
QUE FOLHEIA
ALHEIA
O INVISÍVEL ESPAÇO
FOLHA
DESFOLHA
SALTA COMO ROLHA
DE UMA CHAMPANHA
QUE APANHA
A EMOÇÃO DE UM EUFÓRICO MOMENTO
FOLHA AO SABOR DO VENTO
FENECE RESSECADA
PISOTEADA
NA TERRA OU NA CALÇADA
OU AINDA NO ASFALTO QUENTE
NO RASTRO DE UM PNEU AUSENTE


Carlos Gutierrez

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cheers Pub




eram muitos reflexos
estuprando as cerejas
das mesas
eram pelejas de peles
por dentro das miragens
de suportando as luzes
cruzando lampejos
de pelo enfeitados
dançando sobre leques
ou pileques
de lábios vermelhos
vidros lambendo o espelho
beijando bancadas
bancando desejos sem
manequins
nudez de vidraça
mordendo as taças
sedentas
que bordam licores
ou amores?
no tempo dos refletores
salivados de todas as cores
que lambuzam a cerimônia
gelo trincando
cacos segredos
cavados
curvados
pelos dedos
que tocam a noite
piscada
toda derramada
por entre cílios
desbotados
borrados
pela tinta
que insiste em ficar.

Publicado por Beatriz Bajo

Chet Baker Live (Belgium 1964) : Time After Time

Close

Meia luz
camera subjetiva
Cena única
uma túnica
sobre o pescoço modigliane
alguns fios de cabelo em alvoroço
um esboço rebelde sobre o rosto
que domina a luz
e seduz todas as sombras
ao redor
Meia luz que reduz
o poder de um refletor
Um close
que ocupa todo o cenário
dentro de um roteiro
que não necessita
nenhuma trama
ou sequer uma palavra
o dedo no canto de seus lábios 
segura o segredo de toda a estoria
 todas as personagens moram
dentro dos seus olhos e
aparecem do lado de fora do seu sorriso
apenas a sua imagem se faz necessária
para um close encantado!


Carlos Gutierrez

domingo, 27 de junho de 2010

Marcas

um piquenique

um inseto que pique

um assunto que não fique

muito bem definido
repelique

uma noite comprida

sombras nos travesseiros

copos caídos

corpos traídos pelo desejo

Uma cabana vulnerável

Uma Noite estrelada!

O chapéu de palha esquecido por Van Gogh

Um girassol que sobrevive mais uma Noite

Um grilo seresteiro

Todas as marcas dos dedos

digitais e profundas

Duas xícaras marcadas em negro

de um café recente

borras no fundo de destinos
que não conseguimos interpreta-los direito

um cantil que guarda um pequeno rio

um riacho límpido

ou um lago avido de pedras de desejos

Uma cesta de frutas assustadas pelo pavor do bolor

Marcas marcas verdes de grama molhada

ocres de retoques de passos sobre a terra espalhada

Marcas incolores no relevo de nossas roupas amassadas

Marcas de abraços nos espaços de nossas saudades




Carlos Gutierrez

Face of Someone

And please, come

the way they are:

tidy

or messy;

the same dust

the old road;

of a recent dream

seducing dawn.

Free or armed

always be loved

while consentedst

my words

- Seeds seedlings letters

wanting to touch your heart -

And please, come

only for a moment

Face of Someone

- Serene face -

that shakes my whole being!

Face of Someone

so recent and so familiar!

Come and look at yourself in the mirror as well

and make sure of your eternity

rainbow

In my eclipse soon ...


Carlos Gutierrez

Stary Stary Night

A Flor da Pele

Sabe aquilo que a gente não consegue evitar
que aflora à pele
e faz estremecer o coração
que repele todas as limitações
que faz um cara apaixonado
imitar um pássaro acostumado
aos mais altos voos
é mais ou menos assim
algo que não tem futuro
mas que a gente reluta em dar um fim
algo que cada vez mais se solidifica
e cria raízes
sem se importar com possíveis talhos e cicatrizes
porque faz aflorar a minha sensibilidade
quando sente o perfume da sua saudade
em pétalas encantadas que grudam
em minhas páginas
como se fôsse um chicletes
que esticasse os meus tênis
e me levasse ao seu encontro!
é assim...assim...e eu gosto enfim


Carlos Gutierrez

sábado, 26 de junho de 2010

Barbear

Estou me barbeando agora...
deslizando a lamina suavemente sobre o meu rosto...
envolto na densa e alva espuma
os poros se libertam
a cada pelo retirado
após cada movimento descendente
e invertidamente escanhoado
aplico uma generosa agua velva...
todo o frescor da selva...
o meu rosto esta azulado
em contraste com o seu maravilhosamente cor de rosa ...
Sinto o frio azul em minha pele
em contraste com o seu rosa choque quente...
derrubo mais agua velva para resfriar...
o seu corpo macio amortece os meus desejos ...
tira o peso do meu medo
e me sinto leve sem remorsos!

Carlos Gutierrez

You say you love

"You say you love"

I.

You say you love; but with a voice
Chaster than a nun's, who singeth
The soft Vespers to herself
While the chime-bell ringeth -
O love me truly!

II.

You say you love; but with a smile
Cold as sunrise in September,
As you were Saint Cupid's nun,
And kept his weeks of Ember.
O love me truly!

III.

You say you love - but then your lips
Coral tinted teach no blisses.
More than coral in the sea -
They never pout for kisses -
O love me truly!

IV.

You say you love; but then your hand
No soft squeeze for squeeze returneth,
It is like a statue's dead -
While mine to passion burneth -
O love me truly!

V.

O breathe a word or two of fire!
Smile, as if those words should burn be,
Squeeze as lovers should - O kiss
And in thy heart inurn me!
O love me truly!


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/rssc/single_feed.php?fid=10525#ixzz0rxylRU4F
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John Keats

Composiçao

Ritmo
Harmonia
Sonoridade
cada nota do seu ser
que me invade
cada olhar 
que deixa saudade
O seu sorriso
teclas de felicidade
Os seus olhos que pulam
do vibrafone
O seu encanto que brota 
de cada chave do saxofone
As suas pausas
os meus silencios
Todos os efeitos e improvisos
de quem toca e retoca nossas almas!


Carlos Gutierrez

The Best New Jazz

quarta-feira, 23 de junho de 2010

FERIDAS NA ALMA

CRIOLANDO

Prenuncios 
Preparativos
Concentração
Todo o chão para um andarilho
Envolvimento
Enxertos
em cada conta do rosário
Eu vestirei a sua pele
Eu serei todas as suas lágrimas
e todo o amargor dos seus lamentos
Eu serei cada pétala
de todas as flores que você carrega
e entrega como se entregasse
o seu  proprio coração
Eu serei cada lágrima quente
que escorre da vela
a parafina que desencadeia a chama
a chama que incendeia a alma
e depois fria repousa na capela


Carlos Gutierrez

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Morte de Massao Ohno

Jorge da Cunha Lima - Em busca da ignorância perdida
13/06/2010 - 19:48
MORTE DE MASSAO OHNO

Não havia grito ou poesia solta no ar, que Massao Ohno não transformasse em livro.

Foi o editor bissexto mais regular nas décadas de sessenta, setenta, e oitenta e, mesmo, até o fim da vida.

Todo poeta é tímido diante da hipótese de editar suas poesias. As editoras, geralmente, não estão interessadas em poetas, cujos livros vendem pouco. Um poeta, pode ser excelente na escrita, mas geralmente é um neófito na produção de um livro.

Massao era um mestre. Tinha um gosto extraordinário. Todos os seus livros eram bonitos, bem ilustrados e bem paginados.

Todo o grupo de vanguarda da poesia paulista passou por ele: Hilda Hilst, Roberto Piva e Jorge Mautner. Todo o grupo da Feira de Poesia passou por ele: Eu, Claudio Willer, De Franceschi, Eduardo Giannetti e muitos outros.

Massao acolhia os mecenas da jovem poesia, como Rosita Kempf e Orides Fontela, lembra o crítico David Arrigucci Jr. Massao não perdia os comícios poéticos da Livraria Brasiliense, que reunia dezenas de poetas, e nos quais se liam poemas revolucionários de Neruda, Lorca e Drumond, nas barbas dos agentes do DOPS que afirmavam não ver perigo naquelas frescuras. Depois, inspirou a Feira de Poesia No Municipal, festim poético que reuniu milhares de pessoas, inclusive poetas de outros estados, principalmente os que despontavam no cenário político de Copacabana.

Lembro-me quando Massao coproduziu o Bandido da luz Vermelha do Sgarnzela. Ao fim das filmagens íamos todos, no Landau do bandido, tomar umas no Pari bar.

Massao era de uma violência apaixonada no amor, mas tranqüilo como uma ioga quando levantava seu copinho de cachaça, da mesa à boca. Foi fiel e esse gesto durante toda a vida.
Autor: Jorge da Cunha Lima -

domingo, 20 de junho de 2010

Boca Lorca

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma

Frederico Garcia Lorca


A foto e da minha amiga Clara Maia que e amiga da Bruna Moraes


Boca Lorca
Língua libertaria
Olhos de silencio
Cabelos protegidos do vento
Nariz arrebitado irreverente
Clara transparente
Clara que desliza a clarabóia
para sempre chegar na frente
Clara que jamais e clarente
que escanclara alegria em viver
cada clarividencia que esclarece
cada clarinete momento!


Carlos Gutierrez 

satori uso (part 1)

sábado, 19 de junho de 2010

Recaidas

Então eu me vejo assim...
sem saída...sem saídas...
e tenho outras tolas recaídas...
prometo coisas que não posso cumprir
gasto o meu tempo pra me auto iludir
mentir...mentir...que eu posso sair dessa ileso
sem estar preso as sua amadas algemas
Recaídas quem esta livre delas
e não cria inauditos estratagemas
para levantar e caminhar mais um pedaço de rua


Carlos Gutierrez

Muro

Mirei meus olhos de ontem
no retrovisor

Chuviscavam fraquezas
vendo o vôo das borboletas
amputadas

insistiam em encarar o falso
suplicando rações de verdade
como salário do mês trabalhado

Ainda não sabem que nem sempre haverá pão
na padaria suja da esquina

Nem sempre unhas vermelhas
Nem sempre cabides de lamento

Eram ampulhetas viciadas
em crer no infinito
e não viam importância
em distinguir diferença
e indiferença.
Pois sangra da mesma maneira.

Meus olhos de ontem eram restos
que precisava enfrentar.

Como eram nojentos os meus olhos de ontem!


Barbara Leite

A Flor Mais Grande Do Mundo Jose Saramago

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mistura Fina

Misture os nossos rostos
num beijo repentino
empreste a sua língua molhada de gritos
que eu empresto o meu silencio aflito
enxerte a sua voz tagarela
que eu jorro murmúrios
e picho os seus muros
com o spray brilhante de uma declaração
feitas as pressas sem a cal da hesitação
Misture os seus cabelos em minhas tremulas mãos
quem sabe eu descubra o poder de um carinho
Misture a sua multidão
na minha solidão


Triture os nossos ossos
num abraço estranho e forte
e torne os nossos corpos macios
vazios de preconceitos
e cheios de desejos
Misture os nossos copos
as nossas taças
misture o champagne do seu encanto
em meu vinho seco que sonha doce
Misture a sua surpresa
ao que eu nem sei o que trouxe...
misture...misture...
e depure...


Mistura Fina
grãos de areia do meu deserto
em seu oásis descoberto


Carlos Gutierrez

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Contra -Mao

Na contra-mão
da multidão
odeio vuvuzelas
preservo os meus ouvidos
essas cornetas insanas
como as massas espremidas
entre as pernas e gramas
e os delírios galvaobuenisticos
O que a sua vida ganha com isso?
Estou na contra-mão
e sigo o meu caminho...
interceptando as pedras
como um limitado zagueiro
agarrando da vida o que puder
como um afobado goleiro
lançando bolas murchas
exdruxulas
driblando os meus próprios medos
chutando os meus desejos afoito
que batem todos nas traves
e silenciam gritos de gol!

Carlos Gutierrez

Vania Abreu canta Trilhos Urbanos em SP

domingo, 13 de junho de 2010

Insonia

Sem um pingo de sono
abandono a cama
o abraço retangular do travesseiro
procuro você em um sonho
antes que um pesadelo medonho
chegue mais rápido
e possa estrangular a minha insónia
Então eu lhe procuro
dentro do meu caderno de poemas
eu sei eu sei
que em algum verso vou lhe encontrar
eu posso sonhar
sentado numa cadeira
e viajar em sua magica esteira
ate que não seja
uma terrível segunda feira...
ah! assim eu estou
sem um pingo de sono
na tempestade da sua lembrança!


Carlos Gutierrez

Moldura

Achegue-se bem perto,
encaixe-se perfeitamente nessa calma,
nessa preguiça das coisas antigas,
na cama de solteiro do meu quarto.

No porta-retrato já empoeirado
entre minhas pernas depiladas
nos meus sonhos descabidos,
em minha agenda acelerada.

Alastre-se em minha retina,
quando tudo for o mesmo.
Isso serve também pra rotina
desenfreada dos meus medos

Decore minhas feições,
imperfeições, meu lodo.
E continue ao meu lado.

Infiltre-se nos meus conflitos
Rode o bambole da minha paz.
Seja amigo dos meus amigos
Seja tudo o que for capaz

Cante o silêncio dos que se entendem
quando tudo for desgaste.

Invente comigo uma ciência
onde leste mais leste
pode ser norte.
Onde rubro mais rubro
pode ser azul.
Onde defeito mais defeito
pode ser compreensão.

E feito isso, eu retribuo
Lembrando você a toda canção.


Barbara Leite

Françoise Hardy La Question Legendado

MOONGLOW

Live Poetically

I live poetically
Fresh Air
honey
rolled oats
semi-skimmed milk
Crispy cereal
wet and dry fruits
flowers on the balcony
strong coffee and aromatic
a soft black velvet coat in the cat
a complacent eye and food for a dog can turn
a glimpse into the bounce of a cricket
a dream not yet dissipated
its sweet and tender remembrance
a song in the air
that invades the ears
and warms the heart
A walk
without forcing the muscles
without playing anything
only the complicity of the sidewalk
a pair of canvas sneakers soft
comfortable jeans
a loose T-shirt
printed with a poem
that can be read by other people not hasty
I live poetically
live with what I have
and what I retain from my past
maybe in the future you might be on my side
holding hands and deep silences
that touch the soul
who knows it all ends in a happy ending
the ones we never regret
understand?
I live poetically
time away from home
Evite work
or in a narrow room of an old cinema
or even a garden full of butterflies birds
insects and several wooden benches or cold cement
sometimes at home
in the solitude of a room
the perversion of a screen
the adventure inside a comic old
along with retired heroes
and villains that cause no more fears
in bed asleep in the dream where stone floats
true love ...
I live poetically
dry wine not to oxidize the thoughts
oil to the delight of food
omega 3 fish and a long poem
Rescued from a lonely castaway ...

Carlos Gutierrez

Simply Blue

The Blue and a cool color
evokes melancholy
deep thoughts
but the sky does not freeze stars
when you see so always beautiful
thrives on travel and the sea calm
The Blue X-ray of his soul sincere
The blue of his jeans jacket of his
The blue that feeds on dreams
thousand and one nights waiting
The Blue will dilute the smoke
a locomotive for
on the platform of a gaze that fixes
blue ennobling the landscape


Carlos Gutierrez

Peanuts

sábado, 12 de junho de 2010

Diana Krall - S Wonderful

Simplesmente Azul

O Azul e uma cor fria
evoca melancolia 
profundas reflexões
mas o céu não congela estrelas
quando lhe vê assim sempre bela
e o mar prospera em viagens tranquilas
O Azul da abreugrafia da sua alma sincera
O Azul do seu jeans da sua jaqueta
O azul que alimenta de sonhos
mil e uma noites de espera
O Azul que dilui na fumaça 
de uma locomotiva que para
na plataforma de um olhar que repara
no azul enobrecendo a paisagem




Carlos Gutierrez

Madrugada de Junho

que finda entre festas
de ascender chamas outras
e castanholas preteridas
ninhos de insetos que moram
no vão oco de pedaços
da espanha que brincam
moram entre a sala
de muito ferro
que aprecia borboletas
em rodopios pelo jardim de
inverno
poeiras em livros de capa bem dura
segurando melhor as palavras
novas histórias
milhares pessoas
encalacradas
sem corpo
como que dançando
músicas escolhidas
morando na sub-imagem
debaixo das mensagens
meio subcutâneas
quase bethânias
entre viragem
resquícios meus
quase nossos
quando me deixo ir
entre-quebrando
dex/sendo em
ser-se fora
o que me salva é o
quentão


Beatriz Bajo

ENTRELAÇAR

ENTRELAÇAR
SOMBRAS 
E LUZES
OPACAS
OU BRILHANTES
ESCLARECER AS SOMBRAS
DO INSTANTE
ENCAIXAR O ETERNO
TER O PLENO DOMINIO DAS JANELAS
PRESSENTIR O RANGER DAS PORTAS
GIRAR AS MANIVELAS
EXTRAIR O PO
O POLEM DA ALMA SINCERA
ENTRELAÇAR
O QUE PODERIA SER
COM O QUE ESTA SENDO DE FATO
ENTRELAÇAR
O NEGATIVO COM O RETRATO

Punhal Poetico

Que a minha poesia seja esse corte,

Essa lâmina cega sem ponta e sem rima,

Esse corte tácito e feroz de paz e desespero,

Esse sangue que jorra á gotejar noite no amanhecer.

Que a minha poesia seja aquilo que te dói,

E que essa dor te acorde todos os sentidos,

Assim como a solidão desperta meus versos.

Que a minha poesia seja esse corte simples e direto,

Essa faca á enxertar imensidão no seu peito,

Esse éden dentro do purgatório do teu ser.

Que a minha poesia seja tangível e ecumênica,

Uma cantiga de loucos, padres, crianças e putas,

Um punhal poético á rasgar tua alma nua.


Thiago Cardoso Sepriano


Arca da poesia:
http://arcadapoesia.criarumblog.com/

Euforia das perspectivas

                                                               Amilcar de Castro



A euforia das perspectivas
os planos convergentes
as arestas retalhadas
a vida que nao para
o coraçao da cidade que nao sossega
e esfrega nas janelas dos nossos olhos de espera
tantas possibilidades
imagens retorcidas
faces distorcidas
volumes
profundidades
o caos
ou a bagunça necessaria
contra a letargia
contra a alergia de ficar inerte
A vida e um flerte compulsorio
no territorio da imaginaçao
entao eu olho o desnho de Amilcar
e tento interpretar cada traço 
que provoca e belisca o suporte burocratico
Posso ver do lado direito a projeçao
de um  parque de diversoes
com uma imponente roda gigante
e do lado esquerdo um piano abandonado
jogado do alto do ultimo andar
do arranha-ceu desesperado
que ama...ama..ama..derrama para-raios
antenas desgastadas
e nao consegue abraçar 
a longiqua estrela...
mas ha ainda outros traços...


Carlos Gutierrez

Salve