Luzes da Cidade

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cheers Pub




eram muitos reflexos
estuprando as cerejas
das mesas
eram pelejas de peles
por dentro das miragens
de suportando as luzes
cruzando lampejos
de pelo enfeitados
dançando sobre leques
ou pileques
de lábios vermelhos
vidros lambendo o espelho
beijando bancadas
bancando desejos sem
manequins
nudez de vidraça
mordendo as taças
sedentas
que bordam licores
ou amores?
no tempo dos refletores
salivados de todas as cores
que lambuzam a cerimônia
gelo trincando
cacos segredos
cavados
curvados
pelos dedos
que tocam a noite
piscada
toda derramada
por entre cílios
desbotados
borrados
pela tinta
que insiste em ficar.

Publicado por Beatriz Bajo

Chet Baker Live (Belgium 1964) : Time After Time

Close

Meia luz
camera subjetiva
Cena única
uma túnica
sobre o pescoço modigliane
alguns fios de cabelo em alvoroço
um esboço rebelde sobre o rosto
que domina a luz
e seduz todas as sombras
ao redor
Meia luz que reduz
o poder de um refletor
Um close
que ocupa todo o cenário
dentro de um roteiro
que não necessita
nenhuma trama
ou sequer uma palavra
o dedo no canto de seus lábios 
segura o segredo de toda a estoria
 todas as personagens moram
dentro dos seus olhos e
aparecem do lado de fora do seu sorriso
apenas a sua imagem se faz necessária
para um close encantado!


Carlos Gutierrez

domingo, 27 de junho de 2010

Marcas

um piquenique

um inseto que pique

um assunto que não fique

muito bem definido
repelique

uma noite comprida

sombras nos travesseiros

copos caídos

corpos traídos pelo desejo

Uma cabana vulnerável

Uma Noite estrelada!

O chapéu de palha esquecido por Van Gogh

Um girassol que sobrevive mais uma Noite

Um grilo seresteiro

Todas as marcas dos dedos

digitais e profundas

Duas xícaras marcadas em negro

de um café recente

borras no fundo de destinos
que não conseguimos interpreta-los direito

um cantil que guarda um pequeno rio

um riacho límpido

ou um lago avido de pedras de desejos

Uma cesta de frutas assustadas pelo pavor do bolor

Marcas marcas verdes de grama molhada

ocres de retoques de passos sobre a terra espalhada

Marcas incolores no relevo de nossas roupas amassadas

Marcas de abraços nos espaços de nossas saudades




Carlos Gutierrez

Face of Someone

And please, come

the way they are:

tidy

or messy;

the same dust

the old road;

of a recent dream

seducing dawn.

Free or armed

always be loved

while consentedst

my words

- Seeds seedlings letters

wanting to touch your heart -

And please, come

only for a moment

Face of Someone

- Serene face -

that shakes my whole being!

Face of Someone

so recent and so familiar!

Come and look at yourself in the mirror as well

and make sure of your eternity

rainbow

In my eclipse soon ...


Carlos Gutierrez

Stary Stary Night

A Flor da Pele

Sabe aquilo que a gente não consegue evitar
que aflora à pele
e faz estremecer o coração
que repele todas as limitações
que faz um cara apaixonado
imitar um pássaro acostumado
aos mais altos voos
é mais ou menos assim
algo que não tem futuro
mas que a gente reluta em dar um fim
algo que cada vez mais se solidifica
e cria raízes
sem se importar com possíveis talhos e cicatrizes
porque faz aflorar a minha sensibilidade
quando sente o perfume da sua saudade
em pétalas encantadas que grudam
em minhas páginas
como se fôsse um chicletes
que esticasse os meus tênis
e me levasse ao seu encontro!
é assim...assim...e eu gosto enfim


Carlos Gutierrez

sábado, 26 de junho de 2010

Barbear

Estou me barbeando agora...
deslizando a lamina suavemente sobre o meu rosto...
envolto na densa e alva espuma
os poros se libertam
a cada pelo retirado
após cada movimento descendente
e invertidamente escanhoado
aplico uma generosa agua velva...
todo o frescor da selva...
o meu rosto esta azulado
em contraste com o seu maravilhosamente cor de rosa ...
Sinto o frio azul em minha pele
em contraste com o seu rosa choque quente...
derrubo mais agua velva para resfriar...
o seu corpo macio amortece os meus desejos ...
tira o peso do meu medo
e me sinto leve sem remorsos!

Carlos Gutierrez

You say you love

"You say you love"

I.

You say you love; but with a voice
Chaster than a nun's, who singeth
The soft Vespers to herself
While the chime-bell ringeth -
O love me truly!

II.

You say you love; but with a smile
Cold as sunrise in September,
As you were Saint Cupid's nun,
And kept his weeks of Ember.
O love me truly!

III.

You say you love - but then your lips
Coral tinted teach no blisses.
More than coral in the sea -
They never pout for kisses -
O love me truly!

IV.

You say you love; but then your hand
No soft squeeze for squeeze returneth,
It is like a statue's dead -
While mine to passion burneth -
O love me truly!

V.

O breathe a word or two of fire!
Smile, as if those words should burn be,
Squeeze as lovers should - O kiss
And in thy heart inurn me!
O love me truly!


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John Keats

Composiçao

Ritmo
Harmonia
Sonoridade
cada nota do seu ser
que me invade
cada olhar 
que deixa saudade
O seu sorriso
teclas de felicidade
Os seus olhos que pulam
do vibrafone
O seu encanto que brota 
de cada chave do saxofone
As suas pausas
os meus silencios
Todos os efeitos e improvisos
de quem toca e retoca nossas almas!


Carlos Gutierrez

The Best New Jazz

quarta-feira, 23 de junho de 2010

FERIDAS NA ALMA

CRIOLANDO

Prenuncios 
Preparativos
Concentração
Todo o chão para um andarilho
Envolvimento
Enxertos
em cada conta do rosário
Eu vestirei a sua pele
Eu serei todas as suas lágrimas
e todo o amargor dos seus lamentos
Eu serei cada pétala
de todas as flores que você carrega
e entrega como se entregasse
o seu  proprio coração
Eu serei cada lágrima quente
que escorre da vela
a parafina que desencadeia a chama
a chama que incendeia a alma
e depois fria repousa na capela


Carlos Gutierrez

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Morte de Massao Ohno

Jorge da Cunha Lima - Em busca da ignorância perdida
13/06/2010 - 19:48
MORTE DE MASSAO OHNO

Não havia grito ou poesia solta no ar, que Massao Ohno não transformasse em livro.

Foi o editor bissexto mais regular nas décadas de sessenta, setenta, e oitenta e, mesmo, até o fim da vida.

Todo poeta é tímido diante da hipótese de editar suas poesias. As editoras, geralmente, não estão interessadas em poetas, cujos livros vendem pouco. Um poeta, pode ser excelente na escrita, mas geralmente é um neófito na produção de um livro.

Massao era um mestre. Tinha um gosto extraordinário. Todos os seus livros eram bonitos, bem ilustrados e bem paginados.

Todo o grupo de vanguarda da poesia paulista passou por ele: Hilda Hilst, Roberto Piva e Jorge Mautner. Todo o grupo da Feira de Poesia passou por ele: Eu, Claudio Willer, De Franceschi, Eduardo Giannetti e muitos outros.

Massao acolhia os mecenas da jovem poesia, como Rosita Kempf e Orides Fontela, lembra o crítico David Arrigucci Jr. Massao não perdia os comícios poéticos da Livraria Brasiliense, que reunia dezenas de poetas, e nos quais se liam poemas revolucionários de Neruda, Lorca e Drumond, nas barbas dos agentes do DOPS que afirmavam não ver perigo naquelas frescuras. Depois, inspirou a Feira de Poesia No Municipal, festim poético que reuniu milhares de pessoas, inclusive poetas de outros estados, principalmente os que despontavam no cenário político de Copacabana.

Lembro-me quando Massao coproduziu o Bandido da luz Vermelha do Sgarnzela. Ao fim das filmagens íamos todos, no Landau do bandido, tomar umas no Pari bar.

Massao era de uma violência apaixonada no amor, mas tranqüilo como uma ioga quando levantava seu copinho de cachaça, da mesa à boca. Foi fiel e esse gesto durante toda a vida.
Autor: Jorge da Cunha Lima -

domingo, 20 de junho de 2010

Boca Lorca

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma

Frederico Garcia Lorca


A foto e da minha amiga Clara Maia que e amiga da Bruna Moraes


Boca Lorca
Língua libertaria
Olhos de silencio
Cabelos protegidos do vento
Nariz arrebitado irreverente
Clara transparente
Clara que desliza a clarabóia
para sempre chegar na frente
Clara que jamais e clarente
que escanclara alegria em viver
cada clarividencia que esclarece
cada clarinete momento!


Carlos Gutierrez 

satori uso (part 1)

sábado, 19 de junho de 2010

Recaidas

Então eu me vejo assim...
sem saída...sem saídas...
e tenho outras tolas recaídas...
prometo coisas que não posso cumprir
gasto o meu tempo pra me auto iludir
mentir...mentir...que eu posso sair dessa ileso
sem estar preso as sua amadas algemas
Recaídas quem esta livre delas
e não cria inauditos estratagemas
para levantar e caminhar mais um pedaço de rua


Carlos Gutierrez

Muro

Mirei meus olhos de ontem
no retrovisor

Chuviscavam fraquezas
vendo o vôo das borboletas
amputadas

insistiam em encarar o falso
suplicando rações de verdade
como salário do mês trabalhado

Ainda não sabem que nem sempre haverá pão
na padaria suja da esquina

Nem sempre unhas vermelhas
Nem sempre cabides de lamento

Eram ampulhetas viciadas
em crer no infinito
e não viam importância
em distinguir diferença
e indiferença.
Pois sangra da mesma maneira.

Meus olhos de ontem eram restos
que precisava enfrentar.

Como eram nojentos os meus olhos de ontem!


Barbara Leite

A Flor Mais Grande Do Mundo Jose Saramago

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mistura Fina

Misture os nossos rostos
num beijo repentino
empreste a sua língua molhada de gritos
que eu empresto o meu silencio aflito
enxerte a sua voz tagarela
que eu jorro murmúrios
e picho os seus muros
com o spray brilhante de uma declaração
feitas as pressas sem a cal da hesitação
Misture os seus cabelos em minhas tremulas mãos
quem sabe eu descubra o poder de um carinho
Misture a sua multidão
na minha solidão


Triture os nossos ossos
num abraço estranho e forte
e torne os nossos corpos macios
vazios de preconceitos
e cheios de desejos
Misture os nossos copos
as nossas taças
misture o champagne do seu encanto
em meu vinho seco que sonha doce
Misture a sua surpresa
ao que eu nem sei o que trouxe...
misture...misture...
e depure...


Mistura Fina
grãos de areia do meu deserto
em seu oásis descoberto


Carlos Gutierrez

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Contra -Mao

Na contra-mão
da multidão
odeio vuvuzelas
preservo os meus ouvidos
essas cornetas insanas
como as massas espremidas
entre as pernas e gramas
e os delírios galvaobuenisticos
O que a sua vida ganha com isso?
Estou na contra-mão
e sigo o meu caminho...
interceptando as pedras
como um limitado zagueiro
agarrando da vida o que puder
como um afobado goleiro
lançando bolas murchas
exdruxulas
driblando os meus próprios medos
chutando os meus desejos afoito
que batem todos nas traves
e silenciam gritos de gol!

Carlos Gutierrez

Vania Abreu canta Trilhos Urbanos em SP

domingo, 13 de junho de 2010

Insonia

Sem um pingo de sono
abandono a cama
o abraço retangular do travesseiro
procuro você em um sonho
antes que um pesadelo medonho
chegue mais rápido
e possa estrangular a minha insónia
Então eu lhe procuro
dentro do meu caderno de poemas
eu sei eu sei
que em algum verso vou lhe encontrar
eu posso sonhar
sentado numa cadeira
e viajar em sua magica esteira
ate que não seja
uma terrível segunda feira...
ah! assim eu estou
sem um pingo de sono
na tempestade da sua lembrança!


Carlos Gutierrez

Moldura

Achegue-se bem perto,
encaixe-se perfeitamente nessa calma,
nessa preguiça das coisas antigas,
na cama de solteiro do meu quarto.

No porta-retrato já empoeirado
entre minhas pernas depiladas
nos meus sonhos descabidos,
em minha agenda acelerada.

Alastre-se em minha retina,
quando tudo for o mesmo.
Isso serve também pra rotina
desenfreada dos meus medos

Decore minhas feições,
imperfeições, meu lodo.
E continue ao meu lado.

Infiltre-se nos meus conflitos
Rode o bambole da minha paz.
Seja amigo dos meus amigos
Seja tudo o que for capaz

Cante o silêncio dos que se entendem
quando tudo for desgaste.

Invente comigo uma ciência
onde leste mais leste
pode ser norte.
Onde rubro mais rubro
pode ser azul.
Onde defeito mais defeito
pode ser compreensão.

E feito isso, eu retribuo
Lembrando você a toda canção.


Barbara Leite

Françoise Hardy La Question Legendado

MOONGLOW

Live Poetically

I live poetically
Fresh Air
honey
rolled oats
semi-skimmed milk
Crispy cereal
wet and dry fruits
flowers on the balcony
strong coffee and aromatic
a soft black velvet coat in the cat
a complacent eye and food for a dog can turn
a glimpse into the bounce of a cricket
a dream not yet dissipated
its sweet and tender remembrance
a song in the air
that invades the ears
and warms the heart
A walk
without forcing the muscles
without playing anything
only the complicity of the sidewalk
a pair of canvas sneakers soft
comfortable jeans
a loose T-shirt
printed with a poem
that can be read by other people not hasty
I live poetically
live with what I have
and what I retain from my past
maybe in the future you might be on my side
holding hands and deep silences
that touch the soul
who knows it all ends in a happy ending
the ones we never regret
understand?
I live poetically
time away from home
Evite work
or in a narrow room of an old cinema
or even a garden full of butterflies birds
insects and several wooden benches or cold cement
sometimes at home
in the solitude of a room
the perversion of a screen
the adventure inside a comic old
along with retired heroes
and villains that cause no more fears
in bed asleep in the dream where stone floats
true love ...
I live poetically
dry wine not to oxidize the thoughts
oil to the delight of food
omega 3 fish and a long poem
Rescued from a lonely castaway ...

Carlos Gutierrez

Simply Blue

The Blue and a cool color
evokes melancholy
deep thoughts
but the sky does not freeze stars
when you see so always beautiful
thrives on travel and the sea calm
The Blue X-ray of his soul sincere
The blue of his jeans jacket of his
The blue that feeds on dreams
thousand and one nights waiting
The Blue will dilute the smoke
a locomotive for
on the platform of a gaze that fixes
blue ennobling the landscape


Carlos Gutierrez

Peanuts

sábado, 12 de junho de 2010

Diana Krall - S Wonderful

Simplesmente Azul

O Azul e uma cor fria
evoca melancolia 
profundas reflexões
mas o céu não congela estrelas
quando lhe vê assim sempre bela
e o mar prospera em viagens tranquilas
O Azul da abreugrafia da sua alma sincera
O Azul do seu jeans da sua jaqueta
O azul que alimenta de sonhos
mil e uma noites de espera
O Azul que dilui na fumaça 
de uma locomotiva que para
na plataforma de um olhar que repara
no azul enobrecendo a paisagem




Carlos Gutierrez

Madrugada de Junho

que finda entre festas
de ascender chamas outras
e castanholas preteridas
ninhos de insetos que moram
no vão oco de pedaços
da espanha que brincam
moram entre a sala
de muito ferro
que aprecia borboletas
em rodopios pelo jardim de
inverno
poeiras em livros de capa bem dura
segurando melhor as palavras
novas histórias
milhares pessoas
encalacradas
sem corpo
como que dançando
músicas escolhidas
morando na sub-imagem
debaixo das mensagens
meio subcutâneas
quase bethânias
entre viragem
resquícios meus
quase nossos
quando me deixo ir
entre-quebrando
dex/sendo em
ser-se fora
o que me salva é o
quentão


Beatriz Bajo

ENTRELAÇAR

ENTRELAÇAR
SOMBRAS 
E LUZES
OPACAS
OU BRILHANTES
ESCLARECER AS SOMBRAS
DO INSTANTE
ENCAIXAR O ETERNO
TER O PLENO DOMINIO DAS JANELAS
PRESSENTIR O RANGER DAS PORTAS
GIRAR AS MANIVELAS
EXTRAIR O PO
O POLEM DA ALMA SINCERA
ENTRELAÇAR
O QUE PODERIA SER
COM O QUE ESTA SENDO DE FATO
ENTRELAÇAR
O NEGATIVO COM O RETRATO

Punhal Poetico

Que a minha poesia seja esse corte,

Essa lâmina cega sem ponta e sem rima,

Esse corte tácito e feroz de paz e desespero,

Esse sangue que jorra á gotejar noite no amanhecer.

Que a minha poesia seja aquilo que te dói,

E que essa dor te acorde todos os sentidos,

Assim como a solidão desperta meus versos.

Que a minha poesia seja esse corte simples e direto,

Essa faca á enxertar imensidão no seu peito,

Esse éden dentro do purgatório do teu ser.

Que a minha poesia seja tangível e ecumênica,

Uma cantiga de loucos, padres, crianças e putas,

Um punhal poético á rasgar tua alma nua.


Thiago Cardoso Sepriano


Arca da poesia:
http://arcadapoesia.criarumblog.com/

Euforia das perspectivas

                                                               Amilcar de Castro



A euforia das perspectivas
os planos convergentes
as arestas retalhadas
a vida que nao para
o coraçao da cidade que nao sossega
e esfrega nas janelas dos nossos olhos de espera
tantas possibilidades
imagens retorcidas
faces distorcidas
volumes
profundidades
o caos
ou a bagunça necessaria
contra a letargia
contra a alergia de ficar inerte
A vida e um flerte compulsorio
no territorio da imaginaçao
entao eu olho o desnho de Amilcar
e tento interpretar cada traço 
que provoca e belisca o suporte burocratico
Posso ver do lado direito a projeçao
de um  parque de diversoes
com uma imponente roda gigante
e do lado esquerdo um piano abandonado
jogado do alto do ultimo andar
do arranha-ceu desesperado
que ama...ama..ama..derrama para-raios
antenas desgastadas
e nao consegue abraçar 
a longiqua estrela...
mas ha ainda outros traços...


Carlos Gutierrez

Beijo Escorrido....Desejo Diluido

Amilcar de Castro



Um beijo escorrido
a tinta do desejo 

Transparencia

Toda transparencia que um olhar
possa refletir e orientar
tudo...tudo que ele consiga forjar:
paisagens...lembrancas
de encantadas viagens...
passagens marcantes...
brisas ...Brisaudades...
Toda transparencia 
que a sua face clara
em contraste com os seus cabelos negros
novelos de sedas e misterios
declara mesmo em silencio
A pele branca que arranca
do obscuro da alma
os versos mais iluminados

Carlos Gutierrez

Miles Davis

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Adriana Calcanhotto -- Mulher Sem Razão - Clipe





INVEJO O SEU NAMORADO


Eu cometo o doce pecado
dos sete capitais
a inveja
que quer sempre mais
do que jamais pode ter
a sua perfumada presença
a sua delicada pele
toda a essencia dos seus carinhos

Eu cometo o pecado
Ah! como eu invejo o seu namorado
esse principe encantado
dominando a alvo cavalo
que atropela os meus sonhos
mas conserva ainda intacta
a jarra que derruba mais inveja
e alimenta os olhos obesos
que descarregam todo o peso da frustraçao...

E se uma repentina chuva lhe pegar desprevenida
saiba que elas vieram das nuvens
que escondem as iris invejosas dos meus irados olhos!


Carlos Gutierrez

Adriana Calcanhotto -- Traduzir-se - Vídeo Oficial

Poema Sujo

terça-feira, 8 de junho de 2010

Bobo Apaixonado

Duas doses de whisky                                      Modigliani


duas tomadas de folego

Esta frio agora

muito frio

Enrolo-me em seu cobertor

Sinto o seu corpo macio
a sua pele que evapora marcantes perfumes

aromas de sonhos

fragrancias de aurora!

ja sinto calor!

tremor nas maos!

pra interpretar a sua cintura

que flutua e me dessarruma

voce me faz bem!

voce me faz cair da cama

e achar tudo engraçado!

um bobo apaixonado!


Carlos Gutierrez

Janis Joplin - The Queen of Rock

sábado, 5 de junho de 2010

Passeio de Maria Fumaça de São João del-Rei à Tiradentes

Encantos e Mistérios de Paranapiacaba

Paranapiacaba - Uma viagem de primeira classe

Mondo Modigliane

Paris e um amor
Ode de absinto
E dança
A voz de Piaf acorda
As pedras de um beco:
“C'est lui pour moi
Moi pour lui dans la vie”
Um passo uma dança
O peito tísico abraça:
Pele lunar de Jeanne
- A musa sem olhos -
Os bêbados rasgados
A lua amassada
E o triste passado
Sepultado em Livorno
Bárbara Lia para Modigliani

maio/2010


http://chaparaasborboletas.blogspot.com/



Bárbara Lia é poeta e escritora. Vive em Curitiba. Livros publicados: O sorriso de Leonardo (Kafka ed. - 2.004), Noir (ed. do autor – 2.006), O sal das rosas (Lumme editor – 2.007), A última chuva (ME – ed. alternativas – MG – 2.007). No prelo, lançamento para agosto, o romance Solidão Calcinada (Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná, romance finalista do Prêmio Nacional do Sesc 2.005 - Site www.chaparaasborboletas.blogspot.
E-mail:
barbaralia@gmail.com

Alguem que encontrasse Coco Chanel

So quero os seus beijos
os seus lampejos
as suas luzes parisienses
as suas sombras non sense
o seu perfume chanel numero cinco
So quero voce em meus ambientes
so voce
so o po da sua lembrança
o requinte dos seus residuos
quero ser assiduo em sua vida
sem me tornar enfadonho
quero ser o que voce e para mim
um sonho sem fim
Amo amo voce


Carlos Gutierrez

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Poema Confuso

Fase Azul

Todos nos
temos como Pablo Picasso
uma fase azul em nossas vidas
de tantos caminhos
encontros e percalços
a fase azul que esfria
a exagerada energia
que as paixoes consomem
a fase azul que nos ensina
que a vida nao e so alegria
despreendimento
a vida tambem e melancolia
permeada de lamentos
e visoes claras
dos cobaltos sobressaltos
dos anis e marinhos momentos
Eu ainda me lembro
Os primeiros jeans
engomados
o fascinio de acompanhar
o desbotar
o desabrochar do magnifico indigo blue


Carlos Gutierrez

Olivia Byington (3/13) - Por dentro das Canções

Festival do Cinema Frances



http://www.festivalcinefrances.com


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Amy Winehouse - Love Is A Losing Game - Official Music Video




O Amor e um jogo
um jogo de palavras e afetos
camuflados ou manifestos
mas e sempre um jogo
com toda a adrenalina que merece
com todo o entusiasmo
que se pode ter
antes de girar a roleta
o destino
com toda a euforia
que possa ferver o sangue
estremecer todo o corpo
quando se realiza
ou com toda a desolaçao
e tolas lamurias
quando se perde
O amor e sempre um jogo
de promessas
de caricias
de carencias
a auto transparencia
que nao podemos evitar


Carlos Gutierrez

Poesia em dois tempos

Poesia em dois tempos

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bob




When The Deal Goes Down
In the still of the night, in the world's ancient light
Where wisdom grows up in strife
My bewildered brain, toils in vain
Through the darkness on the pathways of life
Each invisible prayer is like a cloud in the air
Tomorrow keeps turning around
We live and we die, we know not why
But I'll be with you when the deal goes down

We eat and we drink, we feel and we think
Far down the street we stray
I laugh and I cry and I'm haunted by
Things I never meant nor wished to say
The midnight rain follows the train
We all wear the same thorny crown
Soul to soul, our shadows roll
And I'll be with you when the deal goes down

Well, the moon gives light and it shines by night
When I scarcely feel the glow
We learn to live and then we forgive
O'r the road we're bound to go
More frailer than the flowers, these precious hours
That keep us so tightly bound
You come to my eyes like a vision from the skies
And I'll be with you when the deal goes down

Well, I picked up a rose and it poked through my clothes
I followed the winding stream
I heard the deafening noise, I felt transient joys
I know they're not what they seem
In this earthly domain, full of disappointment and pain
You'll never see me frown
I owe my heart to you, and that's sayin' it true
And I'll be with you when the deal goes down

Bob Dylan


Quando As Coisas Estiverem Indo Mal"
No destilar da noite, na luz antiga do mundo
Onde a sabedoria cresce no conflito
Meu cérebro confuso, trabalha em vão
Através da escuridão do trajeto da vida.
Cada oração invisível é como uma nuvem no ar
O amanhã mantem-se a girar.
Nós vivemos e nós morremos, nós não sabemos por que
Mas eu estarei com você quando as coisas estiverem indo mal

Nós comemos e nós bebemos, nós sentimos e nós pensamos
Distante, na estrada, nós vagamos.
Eu rio e eu choro e eu sou assombrado por
Coisas que eu nunca entendi nem quis dizer
A chuva da meia-noite segue o trem
Todos nós desgastamos a mesma coroa de espinhos
Alma à alma, nosso giro de sombras
E eu estarei com você quando as coisas estiverem indo mal

Bem, a lua dá luz e brilha pela noite
Quando eu mal sentir o fulgor
Nós aprendemos a viver e então nós esquecemos
Na estrada que somos limitados para ir
Mais frágeis que as flores, estas horas preciosas
Esse sustento tão firmemente limitado
Você vem a meus olhos como uma visão dos céus
E eu estarei com você quando as coisas estiverem indo mal

Bem, eu apanhei uma rosa e coloquei na minha roupa
Eu segui o correnteza do rio
Ouvi o ruído ensurdecedor, eu senti breves alegrias
Eu sei que eles não são o que parecem
Neste domínio terrestre, de completa decepção e dor
Você nunca me verá zangado
Eu lhe devo meu coração, e está dizendo que é verdade
E eu estarei com você quando as coisas estiverem indo mal.


Bob Dylan

Marina Lima - Irremediáveis Mortais

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fernanda Takai - Com Açúcar, Com Afeto

EXTIRPA

Tire tire essa palidez do meu rosto
essa morbidez dos meus olhos

tire esse mau humor da minha face
e com a sua doçura tire o amargor da minha boca

Tire o tirano silencio da minha garganta
e espanta tolos medos
de que adianta viver sem arriscar

Tire tire da minha voz relutantes confidencias
e preencha o meu vazio com o chiclets da sua essencia...

Corte o limao das minhas palavras acidas
com o licor envolvente dos seus murmurios
em meus ouvidos ainda puros

Desarme os meus braços
surpreenda-os com um forte abraço
pra eu sentir a maciez do seu corpo
a seda da sua pele e afluidez da sua alma pura
e esquecer que a vida e tao dura e cruel

Tire o fel de um pombo-correio
por vocaçao e enlevo


Carlos Gutierrez

Salve