Luzes da Cidade

quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Chuva Oblíqua

I

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...



II



Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...



III



A Grande Esfinge do Egito sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...



IV



Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...
De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do teto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados...



V



Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carroussel...
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruídos dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora, cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,
E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes das feiras e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...
De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..



VI



O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...
Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...
Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...
E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...
E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...



Fernando Pessoa

PEGASUS

abrolhos

abrolhos

todos os invólucros
são eternos inexplorados
todos os binóculos
... singelos inconformados
______ os lucros
... infernos caramelados
______ __ ósculos
... violoncelos famigerados
massa corrida
de
erguer as tendas
roer as máscaras
desenxergar
repetir as bocas
oferecidas
como as estrelas
por ninar
fiapos
imantar pedaços
bélicos
de beliscar
os pudicos invernos
invertidos
para
o mar
-

Beatriz Bajo

James Taylor

A Face do Fogo - Beatriz Bajo

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sonhos Não Envelhecem

Eles aparecem
simplesmente aparecem
na gestação de nossos subconscientes
e não obedecem o tempo
tão pouco os nossos desejos
mas quando aparecem
eles são sempre jovens
tem o frescor das manhãs
e o encanto de um recente amor...

Carlos Gutierrez


domingo, 28 de março de 2010

CAIS

Errâncias

Lendo o livro do magistral poeta concreto Decio Pignatari



Aquele amor-nem-me-fale
infalível mesmo que falhe
aquele surto de amor e tesódio
o primórdio da paixão
que morde e dilacera cada momento
aqueles filmes e romances reveladores
essencialmente franceses
em que trocamos atores e papéis
conforme nossos humores
as amizades
os carinhos covardes e atrevidos
os segredos querendo fugir de nossos ouvidos
e rolar com gritos
no tobogã de nossas gargantas...
a vida descalça nas ruas
o contato com as pedras polidas e pontiagudas
frias e ferventes
repelentes ou absorventes
de nossos passos inconsequentes
Errãncias Errâncias
distancias e botes de serpentes...
Luzes palavras enfeixadas
a memória se cristaliza
enquanto o presente coagula
Fome e gula
tem a mesma ansiedade
esvazia e empaturra...


Carlos Gutierrez

Simples Papel

A MINHA VIDA
REDUZIDA
À UMA FOLHA DE PAPEL DISTRAÍDA
QUE ABSORVE E ABSOLVE TODA PALAVRA
QUE NELA ENCONTRA RECAÍDA
A MINHA VIDA
REDUZIDA
Á UM PAPEL DE EMBRULHO
ONDE MERGULHO
EMBARALHO E TRITURO
PALAVRAS VAZIAS
OU CHEIAS DE RESSENTIMENTOS
A MINHA VIDA
REDUZIDA EM EXPERIMENTOS VERBAIS
EM BRINCADEIRAS COM CONSOANTES E VOGAIS
NADA MAIS DO QUE UM PUNHADO DE LETRAS
DENTRO DE UM ALFABETO DESGOVERNADO

Carlos Gutierrez

sábado, 27 de março de 2010

ESCREVIVER

Escrever
sem esquecer
nenhuma palavra
palavra livre
ou escrava
que crava
ou destrava
palavra que lavra
o jardim  de uma folha
de papel
o céu branco de uma página
Escrever escrever escrenvelhecer
Escreverenovar
Escrexplorar novas palavras
Palavrer
palavrafagas
Escrever
Escreversejar
Escreviver


Carlos Gutierrez

Passion Pit

sexta-feira, 26 de março de 2010

The End




Vingar o próprio destino
vibrar os sinos dos sonhos
dar um fim aos dias medíocres
não tolerar mais a enfadonha rotina
sonha...sonha...sonha então
uma nova explosão de vida
Vingar o próprio destino
namorar a mais linda garota
reabrir tabernas
beber os melhores vinhos
viajar em trens confortáveis e antigos
The End
como se fôsse o início
o precípicio dos momentos e tormentos
que jamais deveríamos passar...


Carlos Gutierrez








THE END


Composição: Jim Morrison

This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?

Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us ?

The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
"Father ?", "yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"

C'mon baby, take a chance with us X3
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock, On a blue bus
Doin' a blue rock, C'mon, yeah
Kill, kill, kill, kill, kill, kill

This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end

Bob Dylan - A Consistência do Poemablog




EXISTO
AINDA EXISTO
NÃO DESISTO
VISTO QUE O VERSO PERSISTE
EXISTE SINTO QUE EXISTE
AINDA UM POEMA A SER FEITO
UM GRITO DENTRO DO PEITO
Á PROCURA DE UM VERSO PERFEITO
A PALAVRA AINDA NÃO DITA
A VERDADE AINDA NÃO REVELADA
EXISTO AINDA EXISTO
RESISTO MESMO NÃO SENDO VISTO
NA CALADA DA NOITE
NO BECO ESCURO
NO BURACO DA AGULHA
PERDIDA NO PALHEIRO
EXISTO AOS PEDAÇOS
EM CACOS
E AINDA ME SINTO INTEIRO
MESMO SENDO UM POEMA INACABADO


Carlos Gutierrez

quinta-feira, 25 de março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tempo Perdido




Quando eu te vejo
Quando eu te contemplo
O meu olhar é comprido
O meu olhar é profundo
para captar todo o teu encanto
e satisfazer todos os meus sentidos
Eu me paraliso
me sensibilizo
e recupero todo o tempo perdido

Carlos Gutierrez

Salade de fruits

Tout ce que vous aimez le goût
la douceur du raisin muscat
rappelant les cerises ses lèvres
ressemblant à des pommes baisers de souhaits
Salade de secrets
indices pulpe sucrée et des graines
Ensuite, laissez la prune
essayer de trouver un
avant qu'elles ne se dissolvent
le bol de dessert
comme une plaine nue vêtements
or jaune et une banane
sur le point de plonger dans une mer de glace
Pêches Stroke fondu
votre peau de velours
Wait poires au sirop
jet de vos lèvres humides
Tout ce que vous pouvez apprécier le goût
Le sentiment Doucer d'aimer et d'être aimé
Un parti sans douleur
et une flamme de bougie éternelle
les moments heureux, qui gèle
fait un popsicle
Le goût amer d'un kiwi
la framboise sauvage et marqués
qui nuance la bouche de son mystère
le rideau de pourpre qui cache
votre sourire blanc
dont la pulpe d'un fruit du comte
gum fraise
Tout ce que vous aimez le goût
même de l'amertume
les graines noires d'une papaye mûre


les gousses d'écorce d'orange
l'acidité du citron bravo
cidre qui assimile le doux et l'amer
que rien malade
et condensse tout comme votre âme douce
impliquant la salade de mes sentiments
et moi sirotant moments
frottis-moi tous ravis
comme s'il s'agissait d'un enfant ...
un garçon se penchant
sur la plaque de l'enfance incassable!




Carlos Gutierrez

Salada de Frutas

Tudo o que o paladar desfruta
a doçura da uva moscatel
que lembra os seus lábios cerejas
que lembram beijos maçãs de desejos
Uma salada de segredos
pistas doces em polpas e sementes
Então deixa ameixa
tentar descobrir alguns
antes que se dissolvam 
na tijela da sobremesa 
como desnudar a roupa lisa 
e amarela ouro de uma banana
prestes a mergulhar num mar de sorvete
Afagar pêssegos derretidos 
em sua pele aveludada
Esperar peras em calda
jorrarem dos seus lábios molhados
Tudo o que o paladar possa desfrutar
A doce sensação de amar e ser amado
Uma festa sem mágoas 
e chama de uma vela eterna
o tempo feliz que se congela
feito um picolé
O sabor agridoce de um kiwi
a framboeza silvestre e marcante
que tinge a sua boca de mistério
na cortina lilás que esconde
o seu sorriso branco 
qual a polpa de uma fruta do conde
na gengiva morango
Tudo o que o paladar desfruta
até mesmo o amargor
das sementes negras de um mamão maduro


a casca da laranja cravo
a acidez do limão bravo
a cidra que assimila o doce e o amargo
para que nada enjoe
e se condensse tal qual a sua alma doce
que envolve a salada dos meus sentimentos
e me faz sorver momentos
lambuzar-me todo encantado
como se fôsse uma criança...
um garoto debruçado
sobre o prato inquebrável da infância!




Carlos Gutierrez

segunda-feira, 22 de março de 2010

Que Horas São?

Que horas sâo?
perdi o relógio
de pulso
alguém puxou da minha mão
perdi o relógio de bolso
e o seu retrato redondo
que morava dentro dele
Caiu em algum lugar
que lugar? não ouvi o barulho!
Que horas são?
não sei se estou atrasado
deslocado no tempo
ou se estou adiantado
atrapalhando a sua maquiagem
a sua prova final da faculdade
Que horas são?
perdi o relogio de cuco
e o pássaro de madeira ficou maluco
abandonou a casa das horas
Voou sem se preocupar com tolos compromissos
Que horas são?
perdi o meu celular
as horas digitais
normais e anormais
Tudo é nebuloso
Não sei se é um dia chuvoso
ou já é noite presente
Passo a mão em meus cabelos
como cresceram!
passo os dedos esticando os meus lábios
e sinto a raiva seca
por não ter os seus molhados lábios
Que horas são?
Não perca o seu tempo não!
não olhe o seu pulso
eu já estou expulso do seu paraíso
Não olhe em sua bolsa
eu já fui emperrado pelo seu ziper
não olhe o visor do seu celular
oe meus créditos esgotaram-se
Que horas são?
Apareça Big Ben
de uma estação antiga e longíqua de trem
e me leve nos trilhos
de um tempo além!


Carlos Gutierrez

sábado, 20 de março de 2010

Boys

Boys
like to tell benefits!
I always thought this nonsense:
be what is
bear forces that do not have
to deceive to get away from it torments
Tell advantages
mask the truth
self blackmail
supposed courage
inside and outside the ship of fear
Guys think that all things are toys
cling at the beginning and sicken even among
when the battery wears out the charm
and drag tears rusted
Boys are like that
Fiery and without brakes:
want to live, finally.
while the toys do not become
boring and too serious!

Carlos Gutierrez

JANIS JOPLIN

sexta-feira, 19 de março de 2010

Polêmica




O olhar velado de Fernando Pessoa
O olhar nítido de Alberto Caeiro
O olhar distante de Ricardo Reis
O olhar caledoscópico de Álvaro de Campos
Os grôssos aros dos óculos de Saramago
as palavras gritantes de Saramago
as polêmicas causadas
Saramago Sal amargo nas bocas que destilam venenos
enrustidos como doces orações
Saramago o Kafka contemporâneo
o escaravelho que incomodas as borboletas efêmeras
Saramago a concentração de todos os heterônimos
a contemplação de todos os anônimos
A salvação da não salvação!


Carlos Gutierrez

GAROTOS




Garotos
gostam de contar vantagens!
eu sempre achei isto bobagem:
ser o que não é
ostentar forças que não possui
se iludir prá fugir do que lhe atormenta
Contar vantagens
mascarar a verdade
auto chantagem
suposta coragem
dentro e fora da nave do medo
Garotos pensam que todas as coisas são brinquedos
se apegam no começo e enjoam ainda no meio
quando a pilha do encanto se desgasta
e arrasta lágrimas enferrujadas
Garotos são assim mesmo
impetuosos e sem freios:
querem viver, enfim.
enquanto os brinquedos não se tornem
chatos e sérios demais!

Carlos Gutierrez

quarta-feira, 17 de março de 2010

Show Me The Way

Surf the Hours

Weather leaves traces
scars
frustrations
only now I could see your picture
enjoy your smile
admire its beautiful eyes
The time time is ungrateful and inaccurate
the clock
cross arms
nor are sorry
I'll drink these warm hours
the furnace of my despair
and try to break the ice
discovering its mirror image
the cubes that rotate on the drink
inside a glass shaken ...
why do not I met you before
why I was yesterday in your tomorrow?
Ah hangover hours
regrets that my dream of old
that shatters the crystal chalice
containing your sweet kiss I could not prove it!


Carlos Gutierrez

Rota de Fuga

ANDO SATURADO
DE FICAR PRESO EM CASA
COMO SE EU ESTIVESSE SEGURO
MAS NINGUÉM ESTÁ BLINDADO
PODE DESABAR O TETO O TELHADO
O SILENCIO É UM CRUEL MURO
E O MEU ROSTO ESTÁ ESFOLADO
DE FICAR SEMPRE OCULTO
SER VULTO É UM INSULTO
A QUEM DESEJA MOSTRAR A SUA FACE...
ACHO QUE EU VOU ABRIR A PORTA
COLOCAR O CASACO DE KAFKA
E ENFRENTAR OS PERIGOS NOTURNOS
ATURDIR OS MEUS OUVIDOS
APROVEITAR O BARULHO DO TRÂNSITO ENSADECIDO
E GRITAR O SEU NOME
E DEIXAR FLUIR OS MEUS GEMIDOS....
GRITO O SEU NOME
ESTOU COM FOME DA SUA PRESENÇA
QUE ALIMENTA OS MEUS SENTIDOS!
VOCÊ ME ENTENDE?
VOCÊ ENTENDE O QUE É ERRADO MAS NÃO SE SENTE ARREPENDIDO?
VOCÊ ENTENDE QUE EU NÃO GRITO O SEU NOME EM VÃO
qUE O MEU CORAÇÃO SE APOSSA DA MINHA GARGANTA
E POR SEGUNDOS ESPANTA TODA A SOLIDÃO!
E AGORA VOCÊ ACREDITA EM MIM ENTÃO?
QUE EU POSSO ENFRENTAR A VIOLÊNCIA DAS RUAS
ENTRAR NO FREZER DA MADRUGADA
SÓ PRÁ GRITAR O SEU NOME
SÓ PRÁ GRAVAR O SEU NOME NOS MUROS RÍSPIDOS
E ETERNIZAR NO CORAÇÃO QUADRADO DE CONCRETO
TODO O AMOR QUE EU SINTO
QUE JÁ NÃO É DISCRETO
NÃO É MAIS SECRETO
E SIM MCADA VEZ MAIS REPLETO
E COM A SENSAÇÃO DE SER CADA VEZ MAIS INCOMPLETO
NA MEDIDA EM QUE EU MINTO QUE LHE SINTO REAL
MAS EU APENAS SONHO...
E SUSSURRO SURREAL


Carlos Gutierrez

Ressaca das Horas

O tempo deixa traços
deixa cicatrizes
frustrações
só agora eu pude ver o seu retrato
desfrutar o seu sorriso
contemplar os seus olhos lindos
O tempo o tempo é ingrato e impreciso
os ponteiros do relógio
cruzam os braços
e nem ficam arrependidos
Vou beber essas horas mornas
na fornalha do meu desespero
e tentar quebrar o gelo
descobrindo a sua imagem refletida
nos cubos que giram sobre a bebida
dentro de um copo estremecido...
por que eu não lhe encontrei antes
por que eu fui ontem em seu amanhã?
Ah! ressaca das horas
que deplora o meu sonho de outrora
que estilhaça o cálice de cristal
que continha o seu doce beijo que eu não pude provar!


Carlos Gutierrez

terça-feira, 16 de março de 2010

A SONG FOR YOU

OVOMALTINE - FOREVER

Eu Não Tenho O Que Fazer

Eu não tenho o que fazer
o meu lazer é escrever
e tentar lhe convencer
do amor que sinto
e que você só pode ler
e de certa forma sentir talvez

Durmo tarde
acordo cedo
só perco ahora
quando eu sonho com você!
Levanto cedo
me espanto tarde
com o seu encanto
com a sua chama e o seu charme
que arde e ilumina
a rua sómbria dos meus passos...

Eu leio clássicos e gibis
faço palavras cruzadas
eu namoro as palavras
e falo sozinho
convivo bem com a minha loucura
e faço amor em silencio
no quarto tímido da minha imaginação


Durmo tarde
acordo cedo
eu trabalho
eu bocejo
praguejo a mediocridade
e perfumo ainda as minhas vaidades


Eu acordo cedo
durmo tarde
a madrugada me dá coragem
de ser o que sou...


Eu não tenho o que fazer
aliás eu tenho muito sim
eu não tenho tempo a perder
porisso quando eu dormir
e for vencido pelo sono
quero que você seja o meu sonho

para me transportar ao mundo onírico
ao mundo lírico que só a noite traz

Durmo tarde
acordo cedo
tenho medo de lhe perder
giro o trinco da porta
várias vezes
prá não lhe deixar escapulir....


Ando confuso
prá que lado eu girei o parafuso?
misturo passado presente e futuro
Eu acordo escuro
e durmo claro
e persigo a sua lembrança!


Carlos Gutierrez

CONGA

Coração Ateu

Pode um coração ateu
bater...ressoar um sentimento cristão
livre de um Deus punitivo...
pode um coração antes tão fugitivo
cultivar o sentimento da fidelidade
Pode um coração bater de verdade
e ter a liberdade de amar
conforme a sua vontade

é claro que pode!


Posso ter todos os olhares de Pessoa
o olhar devoto de Fernando
o olhar nítido de Caeiro
o olhar gelado de Ricardo Reis
o olhar caledoiscópico de Alvaro

é claro que eu posso ver!

Olhar não tira pedaço de ninguém
não deforma paisagens
não altera climas
não muda o tempo...
olhar é apenas a projeção de um lamento!




pode um coração ateu
chorar o que jamais será seu
é claro que pode!
mesmo com toda a armadura da ciência
e a calejada consciência


posso então ao menos 
lhe oferecer um poema?




Carlos Gutierrez

domingo, 14 de março de 2010

Una Canción Desesperada

Una Canción Desesperada

Emerge tu recuerdo de la noche en que estoy.
El río anuda al mar su lamento obstinado.

Abandonado como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, oh abandonado!

Sobre mi corazón llueven frías corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!

En ti se acumularon las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.

Todo te lo tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!

Era la alegre hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.

Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!

En la infancia de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!

Hice retroceder la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.

Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.

Como un vaso albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.

Era la negra, negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.

Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.

Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!

Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.

Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.

Oh la boca mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.

Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.

Y la ternura, leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.

Ese fue mi destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!

Oh, sentina de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron!

De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste.
De pie como un marino en la proa de un barco.

Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.
Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.

Pálido buzo ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Es la hora de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.

El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.

Abandonado como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.

Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.
Es la hora de partir. Oh abandonado!



Pablo Neruda

* SIBILA *

* SIBILA *

http://www.sibila.com.br/index.php/poemas/285-adriana-calcanhotto-le-sibila-de-henriqueta-lisboa

sábado, 13 de março de 2010

APUROS

EU ESTOU
ENTRE MUROS
ENTRE PEDRAS
ATIRANDO NO ESCURO
ENTRE A RELIGIÃO E A CIÊNCIA
NO DESESPERO OU NA PACIÊNCIA
ME AGARRANDO ÀS VIGAS E MURALHAS PASSADAS
AOS PILARES NADA SEGUROS DO PRESENTE
NA VARANDA DO FUTURO INCERTO
ÀS VEZES EU ME SINTO PRÓXIMO
TÃO PERTO DO QUE EU QUERO
E OUTRAS VEZES TÃO DISTANTE
LONGE E IMPROVÁVEL COMO UM ELEFANTE
ATRAVESSANDO UMA RUA DO CENTRO FERVILHANTE
UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO
PODE DESABAR O MUNDO
OU INJETAR UM PARAÍSO
NO CHÃO ONDE PISO
OU NA JANELA QUE QUEBRA OS MEUS SONHOS
E VOO OU ME PARALISO NO AR
PORQUE HÁ CERTOS MOMENTOS EM NOSSOS TEMPOS
IMPREVISÍVEIS E TOLAMENTE PLANEJADOS
QUE NEM AO MENOS TEMOS A CERTEZA QUE ESTAMOS VIVOS!


Carlos Gutierrez



COMEDY PAPER'S

BAMBA

Brinquedos Antigos


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FACA

FACA                                                 Poema visual de
                                                               Paulo de Toledo




FACADA
FINCADA
EM CADA
PARTE DO CORPO
RISCADA NA PELE
RESSECADA
FRACCIONADA
QUE ROLAM
PELOS DEGRAUS DA ESCADA
OU PELA LIVRE SACADA
FACA
FACADA
FOCADA
NO SONHO DE SER
MAIS DO QUE UMA FACA
UMA LANÇA UMA ESPADA
QUE PERFURA A NOITE
COM A SUA LÂMINA PRATEADA
E ENFRENTA TODOS OS PESADELOS
CAVALEIROS NEGROS
QUE TENTAM ROUBAR
DIKACERAR OS SONHOS
FACA
FACADA
PUNHAL NO BEIRAL
DA LIVRE SACADA
FACA
FACÃO
NO CORAÇÃO DA MADRUGADA
FACA
FAQUIR
FORQUILHA
SEGUIR
DESFERIR GOLPES NO AR
ONDE A VIDA AINDA BRILHA
FACA
FAGUHAS DE AÇO
LUZ DE PRATA
ESCUDO
PROTEÇÃO EXATA
CONTRA TUDO
DESATA METÁLICA
DAS MÃOS TREMULAS
DE UM SOLDADO COVARDE
DAS MÃOS FIRMES
DE UM GUERREIRO AUDAZ
DAS MÃOS DIVINAS
QUE NÃO É CAPAZ DE ACREDITAR
FACA
CORTA
PERFURA
DESCASCA
RETALHA
ESPALHA SANGUE
OU SIMPLES SUMO DA FRUTA
FACA
AFAGA METÁLICA
A GARGANTA
QUE ESPANTA UM GRITO
OU UMA FRUTA ATERRRORIZADA
QUE AO CONTATO DA FACA
EXPELE SOBRE A POLPA E PELE
O SEU DOCE MIJO.


Carlos Gutierrez

Namoro as Palavras

Não deturpa o que mais me ocupa
em minha vida sem culpas e desculpas:
o namoro com as palavras
os flertes com os versos flertes diversos
as aventuras gramaticais
no mais são palavras ao vento
fora ou dentro
em seu abrigo
ou ao relento
Eu namoro as palavras!
eu namoro o que eu posso
a imagem que você me transmite
a pedra do sono
ou o estardalhaço da dinamite
e também todo o mistério que você permite
eu tentar desvendar
lavrar as palavras as larvas verbais
sintetizar e me aprofundar
forjar o milagre de desabrochar
a flor que mora em você!


Carlos Gutierrez

Lady Jane

Tá assustada? tá assustada?
São altas horas
frio da madrugada
a rua é barra pesada
os automóveis estão bebâdos
as rodas descontroladas
os orelhões violados
você não tem como pedir socorro
a sua cama foi arremessado do 21* andar
bem na hora do sono profundo
do sonho cor de rosa
Lady Jane
a vida é assim mesmo
de carências e excessos
de falências e sucessos
de auges e declinios
de rostos transtornados
e olhos oblíquos
a vida sempre nos pede provas
como se fôssemos testados
constantemente
para sabermos se a merecemos!


Carlos Gutierrez


RELEVOS

RELEVOS
RELEVANTES
RELÍRICOS
RELICÁRIOS
REVELANTES
REVERSSÍVEIS
RELEITURAS
DE PEDRAS
PÁLIDAS
POLIDAS
PONTIAGUDAS
FORMADORES
DE CAMINHOS
PROCURAS E
FUGAS
RELEVOS
NOVELOS
DE ALTITUDES
PROTUBERÂNCIAS
EXTRAVAGÂNCIAS
ARROGÂNCIAS
DE PALAVRAS
ATITUDES
AMPLITUDES
RELEVOS
RELEIOS
SEM FREIOS
SEM AREIA
NOS OLHOS
CREIO


Carlos Gutierrez

sexta-feira, 12 de março de 2010

Vejez

Apilando recuerdos
en la mesita de noche
así te encuentras,
ya no existen los sueños
sólo duermes
fingiendo estar presente
sentado en tu sillón azul.
Una y otra vez la misma historia
como si fuera ayer
el reloj congelado,
ya no ves presente
mucho menos futuro,
sólo llega a tu mente
el tiempo vivido.
Lejano, ausente
con tu mirada recorriendo
otro espacio,
así te encuentras.
Las voces te atormentan,
el silencio te aniquila
las ganas van descalzas
ya de la vida no esperas nada.
Y te cubres de nostalgia
te bañas de añoranzas
de una época vivida
con la vejez trepando.

Adriana Lippo

Minha Velha Chama

Minha velha chama
Eu não posso sequer pensar em seu nome
sem derramar uma lágrima fria
da quente lembrança que arde e crepita os meus pensamentos
Mas é engraçado que de vez em quando
eles dirigem-se a piscar novamente
Para minha velha chama
que ainda derrama tanta luz
Minha velha chama
que sonha incêndios e cicatrizes vermelhas
na pele azul cobalto do céu solitário
que sonha atiçar e queimar o véu do desejo
da garota supostamente apaixonada
por essa vela desgastada
esse corpo frágil de parafina
essa tentativa fracassada e suícida de ser um farol
em sua vida já tão iluminada e disputada
por tantos olhos e estrelas...
mas a chama insiste...
minha velha chama não desiste
do sopro dos seus lábios...
dizendo que me ama!


Carlos Gutierrez


tradução livre



My Old Flame

Arthur Johnson / Sam Coslow

My old flame
I can't even think of his name
But it's funny now and then
How my thoughts go flashing back again
To my old flame
My old flame
My new lovers all seem so tame
For I haven't met a gent

So innocent or elegant
As my old flame

I've met so many men
With fascinating ways
A fascinating gaze in their eyes
Som who sent me up to the skies
But their attempts at love
Were only imitations of
My old flame
I can't even think of his name
But I’ll never be the same
Untill I discover what became
Of my old flame

I've met so many men
With fascinating ways
A fascinating gaze in their eyes
Som who sent me up to the skies
But their attempts at love
Were only imitations of
My old flame
I can't even think of his name
But I’ll never be the same
Untill I discover what became
Of my old flame

Receita de Jovialidade

RECEITA DE JOVIALIDADE
(Pablo Picasso)

Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixe o médico se preocupar com eles.
Para isso ele é pago.
Freqüente, de preferência, seus amigos alegres.
Os de baixo astral puxam você para baixo.
Continue aprendendo...
Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixe seu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Curta coisas simples.
Ria sempre, muito e alto.
Ria até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Agüente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo.
Esteja vivo, enquanto você viver!
Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: família, animais,
lembranças, música, plantas,um hobby, o que for.
Seu lar é o seu refúgio.
Aproveite sua saúde.
Se for boa, preserve-a.
Se está instável, melhore-a.
Se está abaixo desse nível, peça ajuda

Tenor Titans

quinta-feira, 11 de março de 2010

Les yeuxs d'un Pòete

Les yeux d'un poète
sont différents de la normale yeux
Sont exempts de tout jugement
strabique le mouvement réel
Les yeux d'un poète
voir autrement:
ils pénètrent dans les sentiments de l'âme
le remplissage du paysage:
déplacer des montagnes
et agitant des bosquets
les yeux d'un poète
Ne jamais se tenir toujours:
dissous dans les rêves
ou trouver des coins cachés de la réalité
Ils sont légers
les yeux purs d'un poète
d'exprimer des scènes qui enchantent
et suffisamment patient
d'attente pour le don d'un tableau fascinant
Les yeux d'un poète traveling ...
Voyage ... Voyage ... délire
d'absorber tant de beautés!
Les yeux d'un poète
pas un prophète
mais il peut voir et interpréter les rêves
même derrière certaines d'entre elles
résident les fantômes de cauchemars
Les yeux d'un poète
détacher du visage terrifié
la peur de se mirer
devant le miroir de rêveries
et de créer courage de leur être réel
les yeux d'un poète
percher sur le visage aimé
courir à travers le cadre des poils
et de définir un tableau définitif:
la synthèse de formes de couleurs et des éléments phares
qui expose la conjonction de tous les sens
Les yeux d'un poète
sont parfois assombri
Vie dans les lacs et les miroirs
pour obtenir la certitude
de ne pas être de nature polluée
entre surprises et trempettes
les ombres d'un monde érodé
et corrompu
Les yeux d'un poète
sont parfois blessés par les épines
Fleur désillusion rapide:
sang goutte à goutte
mais sachez qu'il existe encore des larmes
pour laver le cœur
Aux yeux d'un poète
est toujours préféré les images
de construire des vers fênetres!
l'un d'eux est que vous
et qui est toujours ouverte!
inquiète yeux d'un poète!


Carlos Gutierrez

Os olhos de um Poeta

Os olhos de um poeta
são diferentes dos olhos normais
São livres de quaisquer julgamentos
estrábicos aos reais movimentos
Os olhos de um poeta
enxergam de outra maneira:
eles penetram nos sentimentos das almas
no recheio das paisagens:
movem montanhas
e faz tremular arvoredos
os olhos de um poeta
jamais ficam parados:
diluem-se em sonhos
ou procuram cantos ocultos da realidade
Eles são ligeiros
os olhos puros de um poeta
para expressar as cenas que os encantam
e suficientemente pacientes
para esperar o presente de uma imagem fascinante
Os olhos de um poeta viajam...
viajam...viajam...delirantes
em absorver tantas belezas!
Os olhos de um poeta
não são de profeta
mas conseguem ver e interpretar os sonhos
mesmo que atrás de algum deles
morem fantasmas de pesadelos
Os olhos de um poeta
desgrudam-se do rosto apavorado 
pelo medo de mirar-se 
ante ao espelho dos devaneios
e criam coragem para sê-los verdadeiros
os olhos de um poeta
pousam sobre a face amada
percorrem a moldura dos fios de cabelos
e definem um quadro definitivo:
a síntese dos traços cores formas e luzes
que expõe a conjunção de todos os sentidos
Os olhos de um poeta 
às vezes são turvos
miram-se em lagos e espelhos
até obterem a certeza
de não sê-los poluídos
entre espantos e mergulhos
pelas sombras de um mundo corroído
e corrompido
Os olhos de um poeta
às vezes são feridos pelos espinhos
da flor rápida da desilusão:
escorrem sangue
mas sabem que ainda há lágrimas
para lavar o coração
Aos olhos de um poeta
há sempre imagens prediletas
para construir janelas de versos!
uma delas é você
e que esteja sempre aberta!
aos olhos incansáveis de um poeta!




Carlos Gutierrez
e

terça-feira, 9 de março de 2010

Tramas do Tempo

Estamos em tempos diferentes
em lugares distantes
pálidos ou brilhantes
mas de certa forma nos amamos!
mesmo se apenas dispormos
de um opaco espelho
que refletem pálidas confissões
ainda assustadas 
com os ímpetos dos sentimentos!
estamos juntos de alguma forma
na lembrança que não segue norma
e pode surgir inusitada
dentro de uma caixa de fósforos
ou gravada por uma lágrima
ou um ainda úmido beijo
num lenço de seda 
ou qualquer outro tecido
ou em um som abafado
pelas asas de um pássaro apressado
que procura um feliz destino
Bem sei que os tempos hoje são difíceis
para sobreviver
encontrar um verdadeiro amor
e a vontade de viver
que as horas quase nem sempre conspiram 
com o tempo de sonho 
que não é analógico e nem digital
tão pouco lógico e racional
mas tão necessário e surreal
Estamos longe...
mas nem porisso perdidos
Se um sorriso pode mudar o tempo
e as têmporas
um amor pode transformar uma face
polir um espelho
refletir uma nova vida!




Carlos Gutierrez

A Witer Shade of Pale

We skipped the last fandango,
Turned cartwheels 'cross the floor.
I was feeling kind of seasick,
The crowd called out for more.

The room was humming harder
As the ceiling flew away,
When we called out for another drink,
The waiter brought a tray.

And so it was that later,
As the miller told his tale,
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale.


Keith Reid / Garu Brooker








She said, "There is no reason,
And the truth is plain to see".
But I wandered through my playing cards,
Would not let her be one of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast.

And although my eyes were open,
They might have just as well been closed.
And so it was later, as the miller told his tale,
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale.



And so it was that later...

segunda-feira, 8 de março de 2010

FUSÍVEL

Como se fôsse possível
determinhar nossos destinos
termos uma bola de cristal
e não cometermos nenhum desatino


como se fôsse possível
dosar toda a energia
toda corrente sanguínea
que ativa os nossos corpos
e produz a magia da alquimia
dos nossos pensamentos

como se fôsse possível lhe esquecer
em algum momento...


como se fôsse possível
forjar um fusível
para deter um sonho
sempre possível...

mesmo numa noite perdida
ao relento de um pesadelo


Como se fôsse possível um fusível
contra os choques que eu desejo
experimentar na pele
ou em um breve beijo...


só mesmo um olhar compreensível
para sê-lo!


Carlos Gutierrez

domingo, 7 de março de 2010

Algodão Doce

Todas as Letras

Quero te provar em cada linha,
em cada palavra, em cada sílaba
o quanto eu te adoro!em cada entrelinha,
em cada palavra não inventada ainda!
tu me faz tão bem: retorna-me à s ilusões perdidas
que estavam flutuando além da própria imaginação
Quero te amar como Caeiro amava a Natureza
e às suas resistentes paisagens,
como Ricardo Reis amava as viagens
com todas as suas intempéries,
como Alvaro de Campos amava descobrir a si mesmo,
unindo os extremos do viver: o absurdo e o divino
a balada e o sino!
o fascínio do teu meigo olhar!


Carlos Gutierrez

sábado, 6 de março de 2010

Funny Valentine

É como se você chegasse no meio da noite
em altas horas
em plena madrugada
pela rua embaçada de espêssa neblina
e, sem mais delongas, rasgasse a cortina
que escondem todos os meus medos,
todos os tolos segredos de um incompetente voyeur!
É como se você destilasse em apenas uma música
a chuva de todos os sons de pérolas de um vibrafone
e eu armado apenas do meu já cansado trompete
revelasse todas as mágoas do mundo!
É como você entedesse os meus lamúrios, queixumes e
estendesse o seu lenço de seda para enxugar os meus olhos
e recolher esse cardume de peixes sonhadores...
que moram no meu eu mais profundo..


Carlos Gutierrez



Deixa Quieto

Já que você não me ama de verdade
já que você só me deixa na vontade
me esquece e deixa quieto!
vou reiniciar da estaca zero
- o amargo regresso -
para um caminho que não tem fim!
vou tentar encontra alguém
que goste de ouvir palavras doces,
palavras que lembrem flores!
palavras que iluminem todos os extertores d'alma!
palavras que trazem brisas e alentos
e deixwm prá fora os tormentos
e, ao mesmo tempo,possam trazer
paixão e tempestades!
Sinto que já vou tarde!
a sua lembrança, certo que ainda arde!
faguhas em meu coração!
agora contenção de brasas
cinzas e carvão
deixa quieto!


Carlos Gutierrez

Intimidade

Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

sexta-feira, 5 de março de 2010

Pretend

Pretend
you once
was my girlfriend
and that the first meeting
without knowing almost nothing
each other
walked around a garden
in hand
only hearing what the silence
can transmit
the sweet look of love.
Pretend
Be ready for me to lie
that one day you too
madly
fell in love with me
and I believe
strongly
from beginning to end
this story that will never end ...
Pretend that I ...
I was delighted one album
and you figurine stamped
Chrome most desired
to complete the collection.
Pretend
that you once were my girlfriend
sweet fairy of my childhood flanboyant
Patty Duke in my adolescence Sundae
Karen Carpenter singing love songs
with his unique voice
Summertime a princess who woke
shook and trembled all my senses
still not well addressed
my imagination, in short, the rest of my life
Pretend
that one day I lived in your heart
Pretend you were a flower
against the thorn in my cactus destination
It accounts
get lost in numbers all the time that I love
some of my hopes
multiply my desires
and the divide in his divine compassion.


Carlos Gutierrez

A Essência do Poemablog

Faz de Conta

Faz de conta
que você um dia
foi a minha namorada
e que no primeiro encontro
sem sabermos quase nada
um do outro
passeamos ao redor de um jardim
de mãos dadas
ouvindo apenas o que o silêncio
pode transmitir
pelo doce olhar do amor.
Faz de conta
Esteja pronta para me mentir
que um dia você também
loucamente
se apaixonou por mim
e eu vou acreditar
piamente
do começo ao fim
dessa estória que jamais terá um fim...
Faz de conta que eu...
fui um álbum encantado
e você a figurinha carimbada
o cromo mais desejado
para completar a coleção.
Faz de conta
que você foi um dia a minha namorada
doce fada da minha infância flanboyant
Patty Duke da minha Sundae adolescência
Karen Carpenter cantando canções de amor
com a sua voz inigualável
uma princeza Summertime que despertou
sacudiu e estremeceu todos os meus sentidos
ainda não bem dirigidos
a minha imaginação, enfim, pelo resto da minha vida
Faz de conta
que um dia eu morei no seu coração
Faz de conta que você foi a flor
contra o espinho do meu cáctus destino
Faz as contas
se perca em números de todo o tempo que eu a amo
some as minhas esperanças
multiplique os meus desejos
e os divida em sua divina compaixão.


Carlos Gutierrez

Quarto de Dormir

"Um dia desses você vai ficar lembrando de nós dois
e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for
bem abraçada no lençol da cama vai chorar por nós
pensando no escuro ter ouvido o som da minha voz
vai acariciar seu próprio corpo e na imaginação
fazer de conta que a sua agora é a minha mão
mas eu não vou saber de nada do que você vai sentir
sozinha no seu quarto de dormir.

No cine-pensamento eu também tento reconstituir
as coisas que um dia você disse pra me seduzir
enquanto na janela espero a chuva que não quer cair
o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir
e o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si
até toda memória dessa nossa estória se extinguir
e você nunca vai saber de nada do que eu senti
sozinho no meu quarto de dormir."

- Arnaldo Antunes / Marcelo Jeneci

quinta-feira, 4 de março de 2010

SAPIÊNCIA

EU NÃO SEI MAIS DO QUE SEI SABE
EU SABIA MAS NÃO SEI MAIS SABER
SO SEI QUE AINDA SEREI O QUE EU NÃO SEI
SAIBA ANTES DE SABER PELOS OUTROS
QUE EU NÃO SEI ...
ESPERA!...Ah! LEMBREI
UM POUCO DO QUE EU ERA
UM POUCO DO QUE EU SOU NESSA ESFERA
ENCONTRO DE MIM MESMO
OU ESPERAR ALGUÉM QUE ME INTERPELA
QUEM É VOCÊ
PROJEÇÃO OU ALGO CONCRETO
SER SECRETO DISCRETO TALVEZ
OU SER TODOS IRRIQUIETOS DE UMA VEZ?
ASSIM SERÁ SÉRIO
O HEMISFÉRIO DO MEU CÉREBRO
CERCADO DE VÂNDALOS SENTIMENTOS
DÁ UM TEMPO!
DEIXA ENCONTRAR O MEU EU
QUEM SABE EU AINDA POSSA SER SEU!


Carlos Gutierrez

Tatuagem - Marjotie Estiano

quarta-feira, 3 de março de 2010

Karen 60

Karen 60
Happy Birthday!
Karen Carpenter
combines the best decade
the twentieth century
revolutionary decade
irreverent
that hit the front against any and foolish prejudices
Karen ... could be even less sweet
and even still not sick
His voice is a sound jeweler
that make up the beautiful landscapes darkest
Karen combines with the blue jeans
with the glove and baseball bat
with the drum sticks dishes and silver metal discs of a drums that calls the tireless love
and encourages a passion to live
Karen combines with the basic white shirt who loves to expose verses and phrases drawings traits euphoric and bold color
Karen's life as she sings while silencing
Karen caresses with his soft voice the world increasingly harsh!
Karen recalls childhood dreams
findings juveniles
and reflections of maturity
with the goodness that only a pure heart
can evoke




Carlos Gutierrez

Mediocridade da Realidade

Como suportar
a mediocridade da realidade
fugir se não há lugar
mudar se não há abrigo
se nada conspira a favor
se eu não desperto o seu interesse
o seu amor
procuro um livro
mas os meus olhos estão cansados
e viciados em sonhos
querem apenas ver fogos de artifícios
num céu impossível
procuro então alguma amenidade
para fugir da mediocridade
da ingrata realidade
ligo a tv
é tudo tão chato
els estão lá novamente
para sujar a sua mente
e lhe frustrar cada vez mais
o pica-pau violento
a loura que vende futilifades
o pastor engravatado
que pensa ser o dono da verdade
o Gordo tão chato
que nem cabe na tela
as duplas sertanejas que se proliferam
e vomitam as declarações mais estúpidas
as novelas e os seus cliches
A vida mesmo é muito chata...
o calor insuportável
o maldito horário de verão
a grana que acaba no meio do mes
a solidão que fecha o portão na nossa cara
o espelho que nos desmascara
a preguiça...o desconforto...
a frustração...o único porto...
a vida é mesmo chata...
tantos cuidados e conselhos
para ter o que nem sabemos
ou mesmo não ter nada
além de uma vida chata...


Carlos Gutierrez

No Silêncio dos Olhos

Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?

¬ José Saramago ¬

o meu escritor contemporâneo predileto
ateu igual eu

rascunho » O Jornal de Literatura do Brasil

rascunho » O Jornal de Literatura do Brasil

Salve