Luzes da Cidade

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Madeleine Peyroux - Walkin' After Midnight

Orquídea

Prove
ou não prove
a verdade um dia ainda vem
e provém
aqui e além
se não consigo a sua fotossíntese
faço a minha simbiose
entre as raízes 
e sementes
e assim posso perceber
toda a orquídea
que há em você
todo o lilás capaz
de formar a mais linda aurora
e pôr de sol
mesmo fora de hora
os versos afloram...
e só imploram a sua pétala presença
violeta em minha paleta
orquídea
no vaso sobre o criado mudo
ou no jardim que cuido em outro mundo
o seu perfume
doce aroma na redoma da minha existência
e que se enxerta em cada pedra
do mosaico
que separa a água da terra
e congela
a sua face bela

Carlos Gutierrez

pintura Marcel Garbi



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Encontro

basta o encontro
sem palavras
só olhares de encanto
um topete petulante
um gel brilhante
um écharp de seda
esmeralda
para combinar com o moleton
da doce amada
dos cabelos caramelos
dos fios de bronze
que resguardam a terna face
basta o encontro
em qualquer canto
e tudo estará pronto
se acomodará
como o lenço lilás
dentro do bolso superior
do paletó cinza
próximo à lapela
que esconde um poema perfumado
basta um encontro
e toda a felicidade ao lado
pode se ouvir um sino encapsulado
no silencio
um encontro de gestos
cores e afetos
olhos já não tão estranhos assim

Carlos Gutierrez

pintura Marcel Garbi



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tempestade - Ouvidos para Ouvir

Tempestade - Ouvidos para Ouvir

Tradução Livre

A lua rosa pálido em sua glória
Fora da cidade ocidental
Ela narrou uma  triste história
Do grande navio que afundou

'Era no dia catorze de abril
Sobre as ondas ela embarcou
Vela içada para amanhã
Para a idade de ouro anunciada

A noite da viagem foi iluminada com a luz das estrelas
Os mares eram nítidos e claros
Movendo-se através das sombras
A hora prometida estava próxima...faíscava

As luzes em nenhum momento ficaram titubeantes
Enquanto deslizavam sobre a espuma
Todos os senhores e senhoras
rumo à  sua casa eterna

Os lustres estavam balançando
suspensos os balaústres dançavam
no ritmo da orquestra que tocava
canções de amor aconchegantes

O vigia afastado do salão estava sonhando
e qual os dançarinos de salão girou os seus olhos em outra dimensão
Sonhou que o Titanic estava afundando
para fora desse mundo na ponta perfurante de um iceberg

Então o vigia Leo pegou o seu caderno de esboços
Ele que foi muitas vezes tão inclinado a suspeitar de tudo e de todos
Dessa vez fechou os olhos e pintou com a paleta dos sonhos
O cenário que se projetava em sua mente

Cupido atingiu seu peito como a ponta do iceberg no casco do navio
E o partiu com um estalo....um fulminante raio
Então ele procurou abrigo na mulher mais próxima ao seu cenário
E desconsolado caiu em seu colo ainda estranho e assustado

Ele ouviu um barulho estridente
Algo parecia errado fora das cartas de navegação
Seu espírito interior o advertia
Que ele não poderia ficar aqui por muito tempo

Ele cambaleou para o convés num conveniente tropeço
Não há tempo para dormir
Água furiosa no convés....torrente
Já com três metros de profundidade

Uma chaminé estava inclinada para um lado
Os pés pesados como chumbos começaram a bater
Ele entrou no turbilhão
olhando estupefato o céu girar ao seu redor

O navio estava afundando
A sua imponência toda fraturada
O seu cruel destino configurado
desviado de todos os anjos

Acende-se o corredor
Cintilação fraca e sem brilho
Cadáveres já flutuam
No fundo do casco duplo

Os motores de explosão no limite
Hélices impotentes que falham logo ao iniciar
As caldeiras sobrecarregadas
A proa do navio se separa

Os passageiros estavam voando literalmente
de trás, para frente de uma forma rápida e desconcertante
Ele murmurou, atrapalhou-se e caiu como os outros passageiros
Cada um mais cansado do que o último

O véu foi rasgado em pedaços
'Passavam as horas alheias à catástrofe
Sem mudanças impunes ao tempo
Nada poderia desfazer o que havia sido feito
assim como um coração perfurado pelo abandono

O vigia ali sonhando
sob uma temperatura infernal de quarenta e cinco graus
Sonhou que o Titanic estava afundando
Caindo  de joelhos esfolados

Wellington, ele estava dormindo
percebeu que a cama começou a deslizar
O seu coração estava batendo valente
E inconformado empurrou as laterais do lado

O vidro de cristal está quebrado
Jaziam espalhados muitos corpos
Ele estava preso e indefeso  mesmo entre as suas pistolas
Quanto tempo ele poderia aguentar?

Os seus homens e seus companheiros
Ficaram distantes longe de serem vistos
Em silêncio ficou não esperava
Tempo e espaço para uma redentora intervenção

A via de passagem agora era um estreito atalho
Havia escuridão no ar
Ele viu todo tipo de tristeza
Vozes ouvidas em toda parte...sussurros

Campainhas de alarme soavam
Para conter a crescente onda de pânico
Amigos e amantes agarrados
Para o outro lado  prevendo a fatalidade

As mães e as suas filhas
Descendo as escadas
Pularam sobre as águas geladas
Com amor e compaixão enviavam as suas orações

O homem rico, Sr. Astor
Beijou a sua esposa querida
Ele não tinha nenhuma maneira de saber
Se essa seria  o última viagem de sua vida

Calvin, Blake e Wilson
Apostaram no escuro o destino de suas vidas
Nenhum deles jamais iria
Viver para contar o  desembarque

O irmão se levantou contra o irmão
Em todas as circunstâncias.
Eles lutaram e mataram uns aos outros
Em uma dança desesperada e mortal

Eles baixaram as suas embarcações salva-vidas
Desde o naufrágio
Não eram traidores, houve o inevitável pânico
Costas quebradas e pescoços quebrados

O bispo deixou a sua cabine
Para ajudar a todos os necessitados.
Voltou os olhos para os céus
Disse: "Os pobres são seus para alimentar"

Davey cafetão do bordel
Saiu, dispensou as suas meninas
Viu a água ficando mais profunda
Viu a mudança abrupta do seu mundo

Jim Dandy sorriu
Ele nunca aprendeu a nadar
Viu a pequena criança aleijada
E deu o seu lugar a ela

Ele viu a luz das estrelas brilhando
Fluindo do Oriente
A morte se  consolidou em fúria
Mas o seu coração estava agora em paz

Eles fecharam as escotilhas
Mas as escotilhas não conseguiam prender
deter a avalanche
Eles se afogaram na escada
feita de latão polido e ouro

Leo disse para Cleo
"Eu acho que estou ficando louco"
Mas ele já havia perdido sua razão
Seja qual for a mente que, ele tinha
ou supunha ter nessa trágica situação

Ele tentou bloquear a porta
Para salvar todos aqueles dos danos
enquanto amostras de sangue de uma ferida aberta
Escorriam pelo seu braço
feito laço frouxo

Pétalas caiam das flores
 todos eles tinham ido embora
Nas longas e terríveis horas
vingava a maldição do feiticeiro

O anfitrião foi se despejando suavemente
Ele estava indo para baixo lentamente
Ele ficou à direita até o fim
Ele foi o último a ir

Havia muitos, muitos outros
anônimos aqui para sempre
Eles nunca navegaram sobre o oceano
Ou deixaram suas casas antes

O vigia, ele estava sonhando
O estrago já estava feito
Sonhou o Titanic estava afundando
E ele tentou dizer a alguém

O capitão, mal respirando
Ajoelhado ao volante
Acima dele, e embaixo dele
Cinquenta mil toneladas de aço

Ele olhou para a sua bússola
E ele olhou para o seu rosto
 a  agulha apontando para baixo
Ele sabia que tinha perdido a corrida

No escuro ambiente iluminado
Lembrou-se de anos passados
Ele leu o livro do Apocalipse
E ele encheu seu copo com lágrimas

Quando a tarefa do Ceifador havia terminado
Mil e seiscentos haviam ido para descansar
O bom, o mau, o rico, o pobre
A mais bela e a mais destacada

Eles esperaram no desembarque
E eles tentaram entender
Mas não há entendimento
Para o julgamento da mão de Deus

A notícia veio através dos cabos
E bateu com força mortal
O amor tinha perdido seus fogos e lampejos
Todas as coisas tinham o seu curso determinado

O vigia estava deitado, sonhando
De todas as coisas que podem ser
Sonhou que o Titanic estava afundando
Para o azul profundo do mar

Carlos Gutierrez

Tempest - Dylan Code An Ear To Hear

The pale moon rose in its glory
Out on the western town
She told a sad, sad story
Of the great ship that went down

'Twas the fourteenth day of April
Over the waves she rode
Sailing into tomorrow
To a golden age foretold

The night was bright with starlight
The seas were sharp and clear
Moving through the shadows
The promised hour was near

Lights were holding steady
Gliding over the foam
All the lords and ladies
Heading for their eternal home 


The chandeliers were swaying
From the balustrades above
The orchestra was playing
Songs of faded love 


The watchman, he lay dreaming
As the ballroom dancers twirled
He dreamed the Titanic was sinking
Into the underworld

Leo took his sketchbook
He was often so inclined
He closed his eyes and painted
The scenery in his mind

Cupid struck his bosom
And broke it with a snap
The closest woman to him
He fell into her lap 


He heard a loud commotion
Something sounded wrong
His inner spirit was saying
That he couldn't stand here long

He staggered to the quarter deck
No time now to sleep
Water on the quarter deck
Already three foot deep

Smokestack was leaning sideways
Heavy feet began to pound
He walked into the whirlwind
Sky spinning all around

The ship was going under
The universe had opened wide
The roll was called up yonder
The angels turned aside 


Lights down in the hallway
Flickering dim and dull
Dead bodies already floating
In the double bottomed hull

The engines then exploded
Propellers they failed to start
The boilers overloaded
The ship's bow split apart

Passengers were flying
Backward, forward, far and fast
They mumbled, fumbled, and tumbled
Each one more weary than the last

The veil was torn asunder
'Tween the hours of twelve and one
No change, no sudden wonder
Could undo what had been done 


The watchman lay there dreaming
At forty five degrees
He dreamed the Titanic was sinking
Dropping to her knees 


Wellington, he was sleeping
His bed began to slide
His valiant heart was beating
He pushed the tables aside 


Glass of shattered crystal
Lay scattered 'round about
He strapped on both his pistols
How long could he hold out? 


His men and his companions
Were nowhere to be seen
In silence there he waited for
Time and space to intervene 


The passageway was narrow
There was blackness in the air
He saw every kind of sorrow
Heard voices everywhere 


Alarm bells were ringing
To hold back the swelling tide
Friends and lovers clinging
To each other side by side 


Mothers and their daughters
Descending down the stairs
Jumped into the icy waters
Love and pity sent their prayers 


The rich man, Mister Astor
Kissed his darling wife
He had no way of knowing
Be the last trip of his life 


Calvin, Blake and Wilson
Gambled in the dark
Not one of them would ever
Live to tell the tale of disembark 


Brother rose up against brother
In every circumstance.
They fought and slaughtered each other
In a deadly dance 


They lowered down their lifeboats
From the sinking wreck
There were traitors, there were turncoats
Broken backs and broken necks 


The bishop left his cabin
To help all those in need.
Turned his eyes up to the heavens
Said, "The poor are yours to feed" 


Davey the brothel-keeper
Came out, dismissed his girls
Saw the water getting deeper
Saw the changing of his world 


Jim Dandy smiled
He'd never learned to swim
Saw the little crippled child
And he gave his seat to him 


He saw the starlight shining
Streaming from the East
Death was on the rampage
But his heart was now at peace 


They battened down the hatches
But the hatches wouldn’t hold
They drowned upon the staircase
Of brass and polished gold 


Leo said to Cleo
"I think I’m going mad"
But he’d lost his mind already
Whatever mind he had 


He tried to block the doorway
To save all those from harm
Blood from an open wound
Pouring down his arm 


Petals fell from flowers
’Til all of them were gone
In the long and dreadful hours
The wizard's curse played on 


The host was pouring brandy
He was going down slow
He stayed right 'til the end
He was the last to go 


There were many, many others
Nameless here for evermore
They'd never sailed the ocean
Or left their homes before 


The watchman, he lay dreaming
The damage had been done
He dreamed the Titanic was sinking
And he tried to tell someone

The Captain, barely breathing
Kneeling at the wheel
Above him and beneath him
Fifty thousand tons of steel

He looked over at his compass
And he gazed into its face
Needle pointing downward
He knew he'd lost the race 


In the dark illumination
He remembered bygone years
He read the Book of Revelation
And he filled his cup with tears 


When the Reaper's task had ended
Sixteen hundred had gone to rest
The good, the bad, the rich, the poor
The loveliest and the best 


They waited at the landing
And they tried to understand
But there is no understanding
For the judgment of God's hand 


News came over the wires
And struck with deadly force
Love had lost its fires
All things had run their course 


The watchman he lay dreaming
Of all things that can be
He dreamed the Titanic was sinking
Into the deep blue sea 



Bob Dylan

Bob Dylan's Tempest

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Musa

Musa

a musa
abusa
do seu poder
de sedução
a musa
nítida ou difusa
sempre em constante
mutação
a musa esclarece
cresce aos olhos de um poeta
flutua
em palavras doces
românticas
e também desconexas
simples ou complexas
a musa
deixa clara ou confusa
a paleta de um pintor
apressado ou paciente
a musa
tem esse dom atraente
de estar longe
e ao mesmo tempo
estar rente
entre a realidade e o sonho
a musa provoca
um olhar diferente
desvenda outros ângulos
faz circular um triângulo
a musa
se faz música no silêncio
coreografia em um só elemento
dança dos cisnes
dança do ventre
dança dos bêbados
nas sarjetas
ou nas nuvens
a musa...
a musa...a musa...
aquela que extraí todos os segredos
e arranca os olhos
da face sem disfarce
sem medo

Carlos  Gutierrez



domingo, 18 de janeiro de 2015

Em Sua Procura Eu Me Encontro

em sua procura
eu me encontro
prá mim não tem tempo ruim
eu a procuro em todos os cantos
da cidade da página ainda em branco
de qualquer recanto enfim
não importa o clima
faça frio ou o mais insuportável calor
eu a procuro
e encontro o amor
Você é o único caminho que vejo
e me agarro
e todo o resto parece ser isopor
Em sua procura
eu me encontro
quero a sua chuva de encantos
refrescando os meus pensamentos
quero você em todos os momentos
e que o tempo conspire a favor
Deixa que essa chuva
esclareça a paisagem
e que cada gotícula
se faça partícula do seu doce e azul olhar
e que cada poça formada
se faça um nítido espelho
para que eu possa vê-la
em cada passo desse caminho
até eu lhe encontrar

Carlos Gutierrez

pintura Marcel Garbi


You got me singing

You got me singing
Even tho' the news is bad
You got me singing
The only song I ever had

You got me singing
Ever since the river died
You got me thinking
Of the places we could hide

You got me singing
Even though the world is gone
You got me thinking
I'd like to carry on

You got me singing
Even tho' it all looks grim
You got me singing
The Hallelujah hymn

You got me singing
Like a prisoner in a jail
You got me singing
Like my pardon's in the mail

You got me wishing
Our little love would last
You got me thinking
Like those people of the past

Tradução Livre:

Você me pegou cantando
Mesmo quando o jornal
está brotando só notícias ruins
Você me pegou cantando
A única música que eu decorei
e sempre me identifiquei
Você me pegou cantando
Desde a foz do rio da minha vida
Você me fez pensar no curso
das águas límpidas e contaminadas
Dos locais em que eu poderiam me esconder
e me preservar das correntes traiçoeiras
e da fúria do mar
Você me pegou cantando
Mesmo num momento delicado
em que o mundo está confuso
com perdidos parafusos
Você me fez pensar
que eu poderia ajustar tudo
E assim poder continuar
vivendo apesar de tudo
Você me pegou cantando
Mesmo quando 'tudo parece sombrio
Você me pegou cantando
O hino Hallelujah
glorificando a vida
Você me pegou cantando
Como um prisioneiro em uma prisão
na extrema solidão
se esfregando em remorsos
Você me pegou cantando
Como minhas lástimas
como se pudesse livrar-me delas
amarrando as num pombo correio
e pensando...longe...acima...
Você me desejando
Nosso pequeno amor por certo duraria
Você me fez pensar e rever a minha trajetória
ver com outros olhos
para gostar também destes fatos e pessoas do passado

Carlos  Gutierrez

aquarela Isabel 


Sexto Sentido

Você sabe
você percebe
que sempre um verso
lhe persegue
que a paisagem concebe
palavras vindas infindas do céu
nuvens pipas meteoros estrelas 
palavras extraídas da terra
sementes brejos flores pântanos
que o tempo modela
palavras que emergem do mar
âncoras cardumes profundezas
ondas loopings
bermudas espumas pranchas
palavras que aprumam ou derrubam 
o cenário natural
Você sabe 
Você percebe
que alguém se atreve
a lhe interpretar
marinheiro de primeira viagem
e mesmo quem não sabe nadar
Ah você amor percebe 
o transatlântico romântico
e o tímido ainda hesitante barco de papel

Carlos Gutierrez

pintura Marcel Garbi


Chet Baker - Candy

Chet

um olhar compenetrado
é ao mesmo tempo
concentrado e distraído
metas metais
sonhos sustenidos
um Chet
um chat
sem programar
saudades da camiseta branca e básica
ainda tenho cabelos negros
e topete para improvisos
versos em silêncio
que você ainda não leu
não sabe
e não cabe em uma só melodia
go back
Chet Backer
comprei essa semana
uma escrivaninha européia
um desejo antigo
ainda amo os meus livros
e sinto sempre a sua saudade
deixo do lado
da minha bola de futebol americano
o seu retrato
um sorriso que se expande
e quebra o meu triste semblante
o trompete dourado
você é a minha Funny Valentine
o relógio analógico
ainda cabe em meu pulso
e não o expulso
no impulso de lhe reencontrar
nenhuma nota é perdida
ela dilui no ar
mas pode voltar
melodia

Carlos Gutierrez


Candy

Um chapéu
para segurar
uma ideia
relâmpago

Um chapéu
véu dos cabelos
para comportar
todo um céu
e novelos brancos de nuvens

Um chapéu
para proteger
um pensamento 
inspirado 

Um chapéu
para espantar o calor
ou sentir o frescor de uma garoa

Um chapéu
poético e Pessoa
negro e misterioso
ou dourado de palha
que espalha cores de Van Gogh

Na boa...um chapéu
caí bem em você 
se acomoda
nos  novelos dos seus lindos cachos
e deixam fachos de luzes

Um chapéu
de papel
para uma foto instantânea

Um chapéu
de feltro
para escorrer
feito bolas de marfim
olhares de encanto sem fim

Um chapéu
de fada
para atrair estrelas
e soluções mágicas

Um chapéu
de feiticeira
que deixa a sua candy face
mais brilhante e faceira


Um chapéu 
Coco Chanel
qualquer que seja
para reverenciar a sua presença
e esperar com paciência
uma sessão de jazz

Carlos Gutierrrez

pintura Marcel  Garbi



sábado, 17 de janeiro de 2015

João Bosco - Obrigado, Gente! (DVD Completo)

Maquiagem

MAQUIAGEM E TATUAGEM

maquiagem
para uma viagem 
dos sentidos
protetor solar
hidratante
rouge
blush
nas têmporas
para afastar a palidez
rimel sobre os cílios
para lubrificar as pálpebras
as persianas abaixo das pestanas
dos olhos
janelas da alma
maquiagem
removível
sensível
perecível
como um batom de intenso brilho
de cor violeta framboesa
desmanchando nos lábios
marcante sabor
maquiagem
eterna
feita tatuagem
viagem sem fim e sem volta
gravada na pele
enxertada na epiderme
envolta em encantos
de traços sinuosos
em arabescos e arandelas
maquiagem
sobre a face
tatuagem sobre a pele
e os cabelos livres e soltos
lembram guirlandas abertas
entre fuligens
luzes e cinzas
a maquiagem prossegue
a viagem dos sentidos
com a bagagem estufada de mistérios

Carlos  Gutierrez

pintura Isabel


Salve