Luzes da Cidade

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você


Chico Buarque


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Gaivota


Gaivota
solitária
segue a rota
a nau dos insensatos
e sobre os mares profundos
bate as asas de saudade
busca o seu amor azul

Gaivota
que devota o seu voo
a quem lhe faz farol
a quem lhe torna estrela


Gaivota
fadada a ser fado
bordado de sons
levando apenas um leve peso
o fardo de saudades
de um amor 
que não queremos dele ficar ilesos




Carlos Gutierrez

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Não Estou Lá








I'm Not There

Bob Dylan

Well it's alright and then she's all the time
In my neighbourhood she cried both day and night
I know it cause it was there
It's a milestone but she down on her luck
And the day makes her lonely but to me hard to buck
I believe
I believe where she stopping where she wants time to care
I believe that she'd look upon deciding to care
And i go by the lord in ways she's on my way
But i don't belong there
No i dont belong to her
I don't belong to anybody
She's my prize foresaken angel but she don't hear me cry
She's a long hearted mistress
And she can't carry on
When im there she's alright but she's not when i am gone
Heaven knows that there's an answer
She's not calling no one
She's away sailing beautiful
She's mine for the one
And i lost her hesitation
By temptation less it runs
But she don't holler me
But i'm not there i am gone
Now i've cried tonight
Like i cried the night before
And i'll feast on her eyes
But i dream about the door
So long jesus savior
Blind faith where the tale?
It don't hang proclamation
She's my own far thee well
Now i went out neath the levee
I was born to love her
But she knows that the kingdom
Waits so high above her
And i run but i race
But its not to fast a slim?
But i ll not deceive her
I'm not there i am gone
Well it's all about confusion as i cry for her veil
I don't need anybody now be side me to tell
And it's all information i can see but it's not
She's a lone hearted beauty but she's gone like the spot
And she wants
Yes she's gone like the rainbow that shining yesterday
But now she's a home beside me and i'd like to here her stay
She's a cold forsaken beauty and it don't trust anyone
And i wish i was beside but i am not there i am gone
Well its too hard to stake in
And i don't bother me
It's all bad for abusing
But she's hard too hard to leave
It's alone it's a crime
The way she wont be around
But she told for to hate me
But this long forsaken clown
Yes i believe that it's rightful
Oh i believe it in my mind
I've been told like i said when i before carry on the crying
And she's all good to told her
Like i said carry on
I wish i was there to help
But i'm not there im gone

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Ultimos Rebeldes

Poematização do filme Os Ultimos rebeldes de Thomas Carter

Ao som do swing
lutaremos até o fim
nesse imenso ring
contra todos os opressores
não queremos favores
Queremos ser apenas o que somos
um bando de garotos e garotas
procurando as coisas boas da vida
sons delirantes
melodias calmantes
ritmos esfuziantes
poemas profundos
telas luminosas
filmes instigantes
Temos sede de viver







sábado, 4 de fevereiro de 2012

Acossados

Poematização do filme de Jean Luc Godard




                      ACOSSADOS


Brincávamos de gato e rato
entre fugas e adiados encontros
Estávamos mais do que prontos
maduros e maleáveis
e mesmo assim despreparados
insaciáveis e insociáveis
Cometíamos pequenos delitos
administrávamos conflitos
consistências e bobagens


Brincávamos de gato e rato
olhávamos os redores
os cenários delineados
mas não ocupados de fato
Sabíamos que um gato tem  sete vidas
e um rato mil fugas
previsíveis e insólitas escapulidas
e que ambas têm paixões prematuras
nos subterrâneos e nas alturas
e se expõe nas ruas
em fogem em telhados e tubos
buracos cavidades
as suas vidas se permeiam
em descontinuidades e fragmentações
e assim o imitávamos
brincando de gato e camundongo
prá não dizer rato rasteiro repugnante
prá rimar com bongôs do Congo
ou tambores longos que interpretam banzos
1960
                          Jean Seberg


Brincávamos de felino e roedor
enquanto um mostra as garras
as unhas de ataque e furor
o outro procura um canto qualquer
no rodapé
para proteger o inocente amor
que julga ter


E ambos acossados
pela posse e pelo desapêgo
em pêlos eriçados
ou suavemente penteados pelo medo
mantinham todos os seus segredos
menos um
o desejo de encontro
em algum lugar
que possa ser incomum
um lugar que não possa incomodar
e acomodar agora e depois
o desejo de nós dois


Brincávamos de gato e rato
alternávamos as personagens
às vezes eu era o gato selvagem
dando pulos por aí
mimoso miando
quebrando telhados
enfeitiçando estrelas
às vezes eu era o o rato repelido
dando sustos por aí




Gritos inesperados
e a perseguição que parece
jamais terminar
Estamos predestinados
e mesmo acossados
sabemos que não podemos mudar
as nossas naturezas
e os nossos instintos




O gato comum
ou de raça
persa ou angorá
sempre feio será
a qualquer pássaro
e o rato apenas bonito
em um desenho animado
e a vida Tom e Jerry prossegue
em tom cinza e clima gélido da cidade




Um gato de cartola
que cometeu um recente delito
convida para assistir um filme de Godard
uma ratazana Balerina
que mora no sebo ao lado...




e nem parecem ser 
acossados




Carlos Gutierrez

Salve