sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Desafinados

Não podemos ficar juntos
tão pouco ficarmos separados
então seguimos desafinados
para provar e prover o nosso amor
para impulsionar e improvisar
uma paixão sem temor
de desafiar o tempo
promissor ou opressor
em seus ritmos:
lento
ou ligeiro
apressado
e todos os seus compassos
e descompassos
os seus ponteiros
em horas agudas graves e agradáveis
com os seus verdadeiros e 
falsos alarmes
com as suas lembranças
badalos de sinos de cobre ou de ouro
e suas cobranças de horas inadiáveis


Não podemos ficar juntos
num idílico duradouro
mesmo com tantos assuntos
sustos surtos de surpresas
tão pouco ficarmos separados
mesmo com tantos muros
concretos apuros
cercas implacáveis
el´tricas emotivas
ou de arames farpados
medos retorcidos
Não podemos ser suaves
tão pouco sermos selvagens:
um carinho uma resposta
uma dúvida nos impele
ao que não se pode sentir na pele
mas expele saudade
sem derramar uma gota sequer de remorso
sem deixar qualquer rastro de vaidade


Podemos somar as nossas virtudes:
um violão pode se tornar um alaúde
Podemos subtrair os nossos defeitos
desafinar em algumas notas
a longa melodia
Podemos multiplicar os nossos interesses
e dividirmos os nossos sonhos clarinetes
sem perdermos o encanto de nossas diferenças
e o sono tranquilo de nossas inconsciências


Podemos ser
sem antes sem passado sem pauta
sem depois sem futuro sem a mão imprudente
durante agora como uma envolvente flauta
podemos ser uma canção de amor


só isso mesmo é que faz fausta falta


Podemos mesmo
sendo desafinados
juntarmos os nossos lados
e afinidades
e predestinados
à eterna felicidade


Carlos  Roberto Gutierrez

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