Luzes da Cidade

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dia das Bruxas - 31 de Outubro




Tudo é possível


para quem nasce no Dia das Bruxas;


Vivenciar a abóbora doce deste dia,


recheada de ideias coerentes e esdrúxulas:


Um caldeirão transbordando de feitiços:


ervas perfumadas


misturadas com amores postiços,


amuletos com sobras de esqueletos


e resquícios de abraços possíveis;


sobras de olhares cativos e indiferentes.


Coração feito abóbora selvagem:


furada apavorante!


com as suas luzes trespassadas


nas noites sem fim


que se convertem em viagens delirantes.


Tudo é possível


para quem nasce no Dia das Bruxas:


o puxa-puxa de um sonho,


lúdico, ludibriando a realidade.


Eu entrei dentro de uma abóbora


e rolei sobre o teu caminho alaranjado


p'rá nunca tu me esqueceres;


Eu entrei como um espelho do teu ser


- o que tu tentas não assumir -


tu podes quebrar e partir


em mil pedaçinhos,


esconder em potinhos e poções mágicas,


mas jamais escapará do fascínio


do meu reflexo.


Eu nasci concâvo como a abóbora


e, dela, me libertei:


arranquei todas as sementes


e me tornei convexo


porque tudo é possível


e pode ser perplexo


p'rá quem nasceu no Dia das Bruxas:


viajar em todo o Universo


com uma simples vassoura;


varrer o pó das estrelas


e toda a areia impreganada


nos teus olhos ainda descrentes


do amor que te devoto


- ser a seda que sonha a tua tesoura -


Dar-te um susto


- a perfeita cilada -


escondido no arbusto


da minha imaginação


da qual tu não mais escapas.


Eu sou o bruxo


o luxo do mistério


que seduz a Fada


e puxo o teu olhar


para o meu coração


e derroto o Príncipe


com um golpe de espada


desferido pelo teu encanto.


Tente me esquecer


faz de conta que outubro


tem apenas trinta dias


e o trinta e um não é um dia,


mas, sim, um clandestino


no calendário escondido


dentro de uma abóbora selvagem


que tu desejou provar


e comer!

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