Luzes da Cidade

sábado, 22 de dezembro de 2007

DÓCIL ESCORPIÃO

Se dos cantos escuros eu sei
Se de tantos apuros eu escapei
Se da solidão eu emprestei
toda a consciência de viver e morrer
de estar só e mesmo assim me querer
por que hei de temer
o que minha lúcida loucura não teme?
Quem bebeu do meu veneno
sabe que eu preciso
correr todos os perigos
desafiar as pedras da razão
para poder extravasar
a força dos meus sentidos
E agora mais do que nunca
mais do que uma paixão violenta
o meu coração experimenta
a rara emoção do pleno amor
(depois de tanta ausência)
Seja onde for
como for
o meu desejo não mais se aguenta
explode e arrebenta
ensanguenta
todos os obstáculos que nos atormentam
Mais do que uma cruel vingança
o meu ser se lança
com toda fúria contra a simples esperança
e avança
seja onde for
como for
por amor eu morro
só por amor me peço socorro
para viver
Eu não consigo ser amigo da mentira
a verdade é a minha vingança
e a sua dor é a ira
que provoca a minha lembrança
Dócil escorpião(eu sou)
que apesar de tudo
alcança o perdão (e dou)
e lhe espera
e entrega sua vida
por uma passageira união.

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Salve