Luzes da Cidade

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

GAITA


Desliza sobre os meus lábios uma prateada gaita

e em cada filete percorrido

sentido em sons e lágrimas

confissões, revoltas e mágoas

em cada filete um degrau da infinita escada

que eu subi, tropeçei e retornei em minha vida!

Desliza sobre os meus lábios uma prateada gaita,

ora com o gosto amargo de um beco escuro do Harley,

ora com o gosto do beijo da mulher amada

que entendeu os meus percalços durante a jornada

e estendeu a mão, quando eu estava caído na sarjeta

da mesma forma que dividiu os seus braços, quando eu estava no auge!

Só você sabe do meu medo e da minha coragem!

Só você sabe quando eu sou fadiga e quando eu sou viagem!

Só você sabe quando eu sou sôssego e quando eu sou aventura!

Desliza sobre os meus lábios uma gaita prateada,

trazendo a sombra de uma árvore perdida na infância

e toda a algazarra das estrepolias da juventude

com toda sua inquietude e anarquia

toda a desarmonia que só uma harmônica pode entender e interpretar

e louvar os tenros frutos da maturidade!

Desliza sobre os meus lábios uma gaita prateada!

Um comentário:

Salve