quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Olhar de Peixe Morto


Lendo displicente um gibi
comendo com toda gula
ula! ula!
uma barra crocante de chocolate
ouvindo uma balada romântica
onde as baquetas acariciam tambores e pratos
que ecoam sinos de estações ferroviárias
igrejas e saudades
enquanto fora de casa na rua Rex late!
tamborilar os dedos na garrafa de whisky
quase pela metade
pula essa parte
tentando trancar a porta do ateliê
da minha verdade
Não dás tempo e você me invade
me visita e nada há o que evita
o seu alarde
a sua presença que eu desejo e me irrita
porque eu preciso lhe esquecer
tirar da fita
expulsar você da minha tira
embrulhar o seu corpo no papel alumínio
rxcluí-la da minha lista de reprodução
esmagar com as mãos cerradas
e os cacos recentes
da garrafa atirada com raiva contra a parede
preciso lhe esquecer
mas como se só você acaba com a minha sede
se o meu olhar de peixe morto
apenas vê a sua rede
como o Sol da Meia Noite



Carlos Gutierrez

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Salve