Luzes da Cidade

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Olhar Torto


Não tenha medo...
é que hoje eu acordei cedo...
já tão inspirado...
qual um arvoredo acariciado pelo vento...
um alvoroço de planos e sonhos.
Não me olhe torto...
de lado...
eu só quiz contemplar
a tua beleza...
a película rosada da tua face...
Afinal olhar não tira pedaço
nem casca ou bagaço,
quanto mais os gomos doces
do teu proibido fruto;
eu só quiz uma simples fatia
da simpatia que irradia
o teu lindo sorriso,
qual uma cereja que pousa vermelha
num bolo de aniversário.
Então não me olhe assim
atravessado!
Hoje andando pelas ruas...
cantando na chuva...
tão desligado...
passou, à minha frente,uma fumaça...
uma nuvem que se despreendeu do céu...
e perdida...
atravessou o véu da minha imaginação;
procurei em meus bolsos desencontrados,
enviezados como vesgos olhos
uma caneta e um papel
para prender o instantâneo poema,
antes que ele se perdesse
na convergência da multidão apressada...
Não tenha medo...
eu não faço nada
que possa prejudicar alguém
porque eu estou acostumado
a viver tão só, sem ninguém!
Não tenha receio!
Tu podes me excluir
a qualquer momento
com um simples toque do seu dedo,
do teu mundo virtual e encantado.
Não me olhe torto...
por um inocente pecado,
não sou de ferro...
tão pouco envolto de aço blindado
prá me proteger do teu charme.
Não me olhe torto...
esvoaçando o teu cabelo chanel
se não eu perco o rumo
do porto prá atracar
os meus pensamentos grenás a granel.
Não me olhe torto
se não o momento presente
pode dobrar a esquina do eterno
e congelar o tempo,
E aí que o poema, vesgo de tanta paixão,
jamais terminará...

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Salve