Luzes da Cidade

sábado, 13 de setembro de 2008

Um poema para Dylan

Bob Dylan


Uma canção puxa Dylan


como uma xícara de café puxa um cigarro...


na baforada de um Camel


formo a imagem nebulosa de uma mulher


e no esfarelar das cinzas que caem tão distraídas


revejo todos os caminhos percorridos


em minha vida cafeína


precocemente intelectual


em minha vida nicotina


que entorpeceu os meus sentidos


furtando um pouco do meu ar


minando o meu fôlego


mas como escapar do nevoeiro da sedução...


de uma canção longíqua Dylan

que em cada som vira um encaixe

e em cada palavra um verso novo em nossas vidas...

sorvo o café para manter

a sensação de estar desperto

fujo da morte como um garoto esperto

acostumado a pular os muros

e atravessar o deserto da solidão...

Mais uma xícara de café eu peço

para manter a inspiração..

.acendo um novo cigarro

na esperança que ele ilumine

e torne claro esse resto de rumo

que ainda tenho

esse murmurar de sons longíquos

essa sombra Dylan em que me abrigo...

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Salve