Luzes da Cidade

terça-feira, 30 de junho de 2009

BOCABERTA

Boca aberta
queixo caído
olhos de espanto
eu nem acredito!
Grito!
a voz não saí
não ecoa
silencio
admiro
a Natureza é pródiga
com toda
ou nenhuma lógica
nasce brota
morre esgota
retorna
e se modifica
Estou de boca aberta
de boca torta
o retrato corta a orelha
um pedaço da cabeça
um chumaço de cabelo
alguns pêlos
soltam-se da pele
arrepio
rodopio
sinto calor
depois frio
calafrio
cala a boca!
sente apenas
o que ficou em sua roupa
os aromas e odores cotidianos
as bactérias
os respingos
de gordura do pastel apressado
que invadiu a sua boca
o gosto amargo
dos lábios da garota
que lhe virou a cara
para olhar outro
Estou de boca aberta
uma simples ferroada de formiga
pode levar à morte
uma fútil intriga num ambiente
de ócio ou trabalho
pode determinhar a nossa sorte
um simples corte
virar uma gangrena
uma noite serena
pode esconder uma tempestade!

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Salve