Luzes da Cidade

sábado, 29 de maio de 2010

Vivo Poeticamente

Eu vivo poeticamente
ar fresco
mel silvestre
aveia em flocos
leite semi-desnatado
Cereais crocantes
frutas úmidas e secas
flores na varanda
café forte e aromático
um carinho no pêlo de veludo negro na gata
um olhar complacente e alimento para um cão vira lata
um relance no pulo de um grilo
um sonho ainda não dissipado
a sua doce e terna lembrança
uma canção no ar
que invade os ouvidos
e aquece o coração
Uma caminhada
sem forçar os músculos
sem disputar nada
apenas a cumplicidade da calçada
um par de tênis de lona macio
um jeans confortável
uma camiseta folgada
estampada com um poema
que possa ser lido por outras pessoas não apressadas
Eu vivo poeticamente
vivo com o que tenho
e o que retenho do meu passado
quem sabe no futuro você possa estar ao meu lado
de mãos dadas e silencios profundos
que tocam a alma
quem sabe tudo acabe num happy end
daqueles que a gente jamais se arrepende
entende?
eu vivo poeticamente
as vezes fora de casa
dentro do recinto do trabalho
ou numa sala acanhada de um antigo cinema
ou ainda num jardim repleto de borboletas pássaros
insetos vários e bancos de madeira ou cimento frio
às vezes dentro de casa
na solidão de um quarto
na perversão de uma tela
na aventura dentro de um gibi velho
junto com heróis aposentados
e vilões que não causam mais temores
na cama no sono de pedra no sonho onde flutua
um amor verdadeiro...
eu vivo poeticamente
vinho seco para não oxidar os pensamentos
azeite para o deleite dos alimentos
peixe ômega 3 e um longo poema
resgatado de um solitário náufrago...

Carlos Gutierrez

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