Luzes da Cidade

domingo, 6 de janeiro de 2008

O Vaso e a Flor

Há um caso
entre um vaso
e uma flor
Um estranho caso de amor
No seu corpo de argila
recheado de terra
o vaso envolve a flor
como se fôsse apenas sua
Mudo tolo nem consegue ver
a abelha que constantemente
suga a amada flor
absorvendo seu saboroso néctar
Mas a flor não tem culpa do seu encanto
e plantada se desculpa
no núcleo dessa minúscula ilha
O vaso segura enraiza
mas não sabe que nem tudo se escraviza
O beija-flor ama a liberdade
estático no ar
desafia a fidelidade
das flores com ou sem vasos
dos casos sem fim.
Há um caso
entre eu e o jardim
Estranho caso
de amor sem fim
Os meus olhos
procuram brancas margaridas
mas a vida é repleta de caprichos
então
procuro a rosa
e encontro a dor em seus espinhos
Sonho acácias
alvos cachos
luz da ternura
e desperto
em tensos crisântemos
Entre tantas flores que temos
e podemos ter
na verdade procuro uma
que exale o seu exato perfume
O aroma da saudade envolve o meu ser
Na áspera cidade procuro colher
qual um paciente jardineiro
essa flor do campo que é você.

Um comentário:

Meg disse...

Estava retribuindo sua visita no orkut...Espantei-me com o número de comunidades que temos em comum... Vi o endereço do seu blog...Vim visitá-lo..r Gostei desse poema... simples... singelo... doce..Os seus desenhos também são muito expressivos..Fez bem em tirar seus textos e desenhos da gaveta...Abraço!!!

Salve