Luzes da Cidade

sábado, 13 de março de 2010

FACA

FACA                                                 Poema visual de
                                                               Paulo de Toledo




FACADA
FINCADA
EM CADA
PARTE DO CORPO
RISCADA NA PELE
RESSECADA
FRACCIONADA
QUE ROLAM
PELOS DEGRAUS DA ESCADA
OU PELA LIVRE SACADA
FACA
FACADA
FOCADA
NO SONHO DE SER
MAIS DO QUE UMA FACA
UMA LANÇA UMA ESPADA
QUE PERFURA A NOITE
COM A SUA LÂMINA PRATEADA
E ENFRENTA TODOS OS PESADELOS
CAVALEIROS NEGROS
QUE TENTAM ROUBAR
DIKACERAR OS SONHOS
FACA
FACADA
PUNHAL NO BEIRAL
DA LIVRE SACADA
FACA
FACÃO
NO CORAÇÃO DA MADRUGADA
FACA
FAQUIR
FORQUILHA
SEGUIR
DESFERIR GOLPES NO AR
ONDE A VIDA AINDA BRILHA
FACA
FAGUHAS DE AÇO
LUZ DE PRATA
ESCUDO
PROTEÇÃO EXATA
CONTRA TUDO
DESATA METÁLICA
DAS MÃOS TREMULAS
DE UM SOLDADO COVARDE
DAS MÃOS FIRMES
DE UM GUERREIRO AUDAZ
DAS MÃOS DIVINAS
QUE NÃO É CAPAZ DE ACREDITAR
FACA
CORTA
PERFURA
DESCASCA
RETALHA
ESPALHA SANGUE
OU SIMPLES SUMO DA FRUTA
FACA
AFAGA METÁLICA
A GARGANTA
QUE ESPANTA UM GRITO
OU UMA FRUTA ATERRRORIZADA
QUE AO CONTATO DA FACA
EXPELE SOBRE A POLPA E PELE
O SEU DOCE MIJO.


Carlos Gutierrez

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