Luzes da Cidade

quinta-feira, 11 de março de 2010

Os olhos de um Poeta

Os olhos de um poeta
são diferentes dos olhos normais
São livres de quaisquer julgamentos
estrábicos aos reais movimentos
Os olhos de um poeta
enxergam de outra maneira:
eles penetram nos sentimentos das almas
no recheio das paisagens:
movem montanhas
e faz tremular arvoredos
os olhos de um poeta
jamais ficam parados:
diluem-se em sonhos
ou procuram cantos ocultos da realidade
Eles são ligeiros
os olhos puros de um poeta
para expressar as cenas que os encantam
e suficientemente pacientes
para esperar o presente de uma imagem fascinante
Os olhos de um poeta viajam...
viajam...viajam...delirantes
em absorver tantas belezas!
Os olhos de um poeta
não são de profeta
mas conseguem ver e interpretar os sonhos
mesmo que atrás de algum deles
morem fantasmas de pesadelos
Os olhos de um poeta
desgrudam-se do rosto apavorado 
pelo medo de mirar-se 
ante ao espelho dos devaneios
e criam coragem para sê-los verdadeiros
os olhos de um poeta
pousam sobre a face amada
percorrem a moldura dos fios de cabelos
e definem um quadro definitivo:
a síntese dos traços cores formas e luzes
que expõe a conjunção de todos os sentidos
Os olhos de um poeta 
às vezes são turvos
miram-se em lagos e espelhos
até obterem a certeza
de não sê-los poluídos
entre espantos e mergulhos
pelas sombras de um mundo corroído
e corrompido
Os olhos de um poeta
às vezes são feridos pelos espinhos
da flor rápida da desilusão:
escorrem sangue
mas sabem que ainda há lágrimas
para lavar o coração
Aos olhos de um poeta
há sempre imagens prediletas
para construir janelas de versos!
uma delas é você
e que esteja sempre aberta!
aos olhos incansáveis de um poeta!




Carlos Gutierrez
e

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Salve